A fileira para ver a mesa de Norman Finkelstein na Feira do Livro nesta quinta-feira (4) foi a maior de todos os dias do evento. O pesquisador político americano veio ao Brasil lançar “A Indústria do Sacrifício”, livro em que revê as imagens formadas sobre o genocídio do povo judeu.
O responsável é rebento de sobreviventes de campos de concentração nazistas e ficou espargido por verbalizar suas discordâncias contra o Estado de Israel e a Guerra em Gaza. A jornalista da Folha Patrícia Campos Mello, que mediou a mesa, lembrou que Finkelstein foi, por muitos anos, uma voz solitária nos Estados Unidos nas críticas a Israel.
Finkelstein já falava sobre o tema antes disso se tornar um pouco fácil, porquê ele mesmo disse. “Muitas pessoas porquê Ana Kasparian e Hasan Piker estão fazendo renome e têm o QI combinado de um tijolo”, disse, citando personalidades da mídia americana que foram elevadas a especialistas depois fazerem críticas públicas a Israel.
Para ele, o cenário político americano vive uma dicotomia: “Há e não há um problema de liberdade de frase nos Estados Unidos atualmente”, disse.
Ao falar da veras brasileira, ele observou porquê o termo antissemitismo tem sido usado para emudecer críticas ao Estado de Israel. “A definição de antissemitismo se refere ao ressentimento irracional sobre judeus, mas o problema agora é que muito desse ressentimento é racional.” O ódio sobre o que está acontecendo em Gaza, segundo ele, não é antissemitismo porque é justificado.
Finkelstein disse ainda que se os israelenses fossem mais críticos sobre a guerra, ela não estaria acontecendo. “O problema não é o regime, não é o governo, é toda a sociedade que enlouqueceu e todos se tornaram genocidas maníacos.”
O encontro de Finkelstein com Campos Mello lotou o auditório dentro do estádio Pacaembu e deixou dezenas de pessoas ainda na fileira do lado de fora. A decisão de colocá-lo no espaço fechado foi uma das estratégias de reforço de segurança adotadas pela feira —que também colocou seguranças em ambas as entradas do palco.
Finkelstein chegou a trebelhar que estava “esperando o tiro”, já habituado a viver sob ameaço por seu oração polêmico. As manifestações, no entanto, foram mais silenciosas do que o esperado. Pela terreiro e na plateia podiam ser vistas pessoas trajando bandeiras da Palestina e keffiyeh, o lenço tradicional sarraceno.
O responsável, porém, não se diz pró-Palestina: “Eu sou em prol do que é verdade e justo.”
Mais cedo, Daniel Munduruku e a chilena Daniela Catrileo se reuniram em uma mesa de xarás, porquê disse o jornalista. Com o mediador Leão Serva, eles discutiram porquê suas heranças indígenas se traduzem em seus trabalhos.
Depois de 30 anos e mais de 70 livros, Munduruku lança pela primeira vez uma ficção para adultos. “Fantasmas”, segundo ele, é para as “crianças velhas, cabeçudas” que ainda precisam aprender a olhar para os indígenas de uma forma não pejorativa.
A história do colonizador, de negócio com o responsável, colocou os indígenas porquê bárbaros, selvagens e malucos, o que resultou em um traumatismo geracional.
Catrileo contou que, depois de lançar “Chilco” inspirada por sua origem mapuche, passou a ouvir de várias pessoas com avós indígenas que não se reconheciam porquê tal. “Se sua avó é indígena, você também é. Reivindique-se.”
Quando mais novo, Munduruku tinha vergonha de ser indígena pelos estigmas associados à vocábulo. “Eu queria ser branco e loiro. Eu queria ser mal-parecido”, brincou ele.
Segundo o responsável, as pessoas só se assustam com o atual processo de retomada indígena porque não conhecem todo o processo histórico brasílio. “Ainda estamos cá, sempre estivemos e queremos continuar.”
Mais tarde, o botânico italiano Stefano Mancuso falou, em sua primeira passagem pelo Brasil, sobre seu “Fitópolis”. No livro, ele faz propostas ousadas para resolver a crise climática, porquê substituir asfalto por árvores.
Na Feira do Livro, em conversa com Maria Guimarães, ele apontou que o principal travanca para essa solução é a descrença sobre a ciência, que se tornou subjugada à opinião política. “Isso é uma loucura”, disse o italiano.
Esse é, segundo ele, o problema científico mais grave que a humanidade já enfrentou. “Quando a ciência serve para geminar a vida média, ela é aceita. Mas quando ela labareda atenção para o gás que estamos produzindo e que está aquecendo o planeta, ela deixa de funcionar.”
A quinta-feira de Feira do Livro terminou com Nei Lopes. O compositor, jornalista e “otário com sorte” –porquê ele se define– trouxe seus dicionários para a conversa com Túlio Custódio. O responsável de “Léxico de Direitos Humanos e Afins” e “Léxico de Africanismos nas Américas” afirmou que sua maior taxa ao mundo é ser igual a todos.
Sambista renomado, Lopes celebrou a música popular do Brasil, de Cuba e dos Estados Unidos. Países onde, de negócio com ele, as músicas são a faceta do povo, porquê tem que ser. “Fazer samba pensando em ser vencedor de vendagem não dá perceptível.”
“A música importante do Brasil não é a do agronegócio”, afirmou sob palmas da plateia.
No final do encontro, Lopes mostrou que “gosta de trebelhar” em suas letras e cantou um trecho de sua melodia “Justiça Gratuita”: “Felicidade passou no vestibular/ E agora tá ruim de aturar Mudou-se pra faculdade de recta/ E só fala com a gente de um jeito/ Referto de preparatório.”





