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Fisiculturistas influencers: os jovens com milhares de fãs que vendem
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Fisiculturistas influencers: os jovens com milhares de fãs que vendem dicas para 'evoluir o shape'

Fisiculturistas influencers: os jovens que vendem dicas para ‘evoluir o shape’
O fisiculturista Gabriel Ganley, morto aos 22 anos neste domingo (24), tinha mais de 2,3 milhões de seguidores no Instagram. Ele teve morte súbita causada por cardiomiopatia hipertrófica, que é uma doença cardíaca que pode ser agravada pelo uso de anabolizantes.
Nas redes sociais, Ganley falava claramente sobre o uso de hormônios e insulina e já declarava que sabia que corria riscos com a prática. Ele produzia conteúdos na internet, interagia com outros famosos, tinha fãs… em termos práticos, era uma notoriedade.
No país que se tornou o segundo maior mercado do fisiculturismo no mundo (informações do “Fantástico”), o número de influenciadores da extensão só cresce. Hoje, inclui vários jovens, na moradia dos 20 anos, que mostram seus treinos pesados, o que consomem e falam sobre depreender o “shape perfeito”.
Eles são patrocinados por marcas de suplementos, são seguidos por milhares e monetizam ao dar dicas sobre treinos e dietas, mesmo sem ter formação na extensão. Entenda mais sobre o mercado dos fisiculturistas influencers:
O mercado do shape
Gabriel Ganley, Matheus Lacerda e Dudu Fit: influenciadores e fisiculturistas que vendem teor individual
Reprodução/Instagram
O mundo do bodybuilding sempre teve bastante adesão, mas com a internet, ganhou outra proporção: virou entretenimento e teor quotidiano. Nesse ramo, Gabriel Ganley se tornou um dos nomes mais conhecidos, desde quando era um “desportista procedente”, isto é, quando não usava anabolizantes.
Ele ganhou glória com seus conteúdos na internet e ao interagir com outros nomes do fisiculturismo, uma vez que o ex-cantor Leo Stronda — que já até aplicou hormônios em Ganley durante o programa “Fala Monstro”, em um incidente com mais de 900 milénio visualizações.
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Assim, Ganley acumulou uma ampla base de seguidores, passou a monetizar o próprio teor e fazer publicidade.
Na bio do Instagram, ele recomendava “tudo que você precisa para evoluir”: uma lista de links que incluía cupons de desconto para suplementos e teor individual no “close friends” (melhores amigos), em que prometia dar “dicas de treino”, ensinar “tudo sobre dietas” e mostrar “a rotina de um desportista” por R$ 37,90 semestrais.
Gabriel Ganley ‘vendia’ entrada ao close friends com dicas
Reprodução
O “close friends” virou prática generalidade entre esses influenciadores. Espargido uma vez que “rival” de Ganley nas competições, Dudu Fit (que tem muro de 390 milénio seguidores) também vende entrada a esse tipo de teor por R$ 75 trimestrais. Ali, o garoto de 20 anos promete mostrar sua “vida de desportista” e “caixinhas de perguntas para te ajudar”.
Outro exemplo é Matheus Lacerda (publicado uma vez que Mahhtla), de 19 anos, que tem por volta de 184 milénio seguidores — segundo o próprio, ele tinha mais de 300 milénio no perfil anterior, que teria sido derrubado. Ele também vende o entrada ao close friends, por R$ 37,90 trimestrais.
Já no perfil, ele dá dicas do que tomar “para quem governanta o suco” (gíria para anabolizantes) e compartilha os resultados do uso de testosterona.
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Identificação entre jovens
Esses influenciadores atraem, principalmente, os jovens de idade similar à deles. Para a psicanalista Cínthia Demaria, essa relação é simples: quem segue os atletas é quem se identifica com eles e os vê uma vez que um ideal “provável”.
“Tem uma questão do masculino, desses corpos de super-heróis. Principalmente pro jovem, ainda tem uma dificuldade de se localizar nesse lugar: que varão eu sou? E aí, tem essa pessoa que vem expor o que é ser isso”.
Simples, há vários médicos e profissionais de instrução física falando sobre treinos nas redes sociais. Mas para um jovem, segui-los nunca será tão interessante quanto escoltar um garoto da sua idade — que fala, na sua linguagem, sobre uma vez que “evoluir”, “transpor da mediocridade” e por aí vai.
“Nessa relação nivelado, de se identificar no influenciador, um semelhante, tem essa ilusão de que está muito próximo… é dissemelhante da figura de um médico, por exemplo, que é uma figura mais distante. É muito tentador justamente por essa questão de, além dessa identificação, a promessa de resultados rápidos e também atingir um determinado ideal”, diz Cinthia.
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Gabriel Ganley
Reprodução
A psicóloga reforça que a relação vai além da inspiração: muitas vezes, os próprios jovens que consomem os conteúdos acabam entrando na mesma lógica de produzir teor, fomentando esse mercado. E aí, poucos se preocupam em postar com responsabilidade.
“Existe também essa teoria, muitas vezes compartilhada, de que a produção de teor também é interessante para se tornar relevante ali na própria rede. A aspiração de uma prática de um terceiro, para que possa virar o seu próprio teor, isso também é uma coisa tentadora no mundo contemporâneo. Não só fazer para ocupar alguém, por exemplo, mas também para ser visto”.
Influência perigosa
Para jovens na moradia dos 20 anos hoje em dia, é procedente compartilhar sua rotina nas redes sociais. Mas ao dar dicas e “promover” um visível estilo de vida para qualquer pessoa que pague, esses fisiculturistas assumem um lugar de especialistas — o que não são.
“Unicamente o profissional de instrução física é habilitado para prescrever treinos, e nem médicos nem fisioterapeutas podem fazê-lo. Isso é regulamentado pela Lei 9696, e quem vende treino na internet sem ser profissional está cometendo uma contravenção penal”, diz Felipe Goulart, do Parecer Federalista de Ensino Física (CFEF).
Supra de tudo, Felipe afirma que esses influenciadores vendem “uma ilusão” ao oferecer caminhos para o “shape ideal”. No término das contas, nunca é tão simples quanto parece.
Influenciadores vendem cursos e planilhas de treinos e dietas
Reprodução
“Os caras vivem para isso. Portanto eles treinam 6, 8 horas por dia, dormem cedo, acordam cedo, não ficam 4 horas no transporte público, não vão manducar fast food no final de semana, mas te vendem o protocolo de treino deles. A pessoa, ao comprar isso, tá comprando uma ilusão, tá achando que com aquilo ali ela vai conseguir resultado. E não é assim”.
Até entre quem não “vende” dicas, é difícil entender o limite entre mostrar o seu estilo de vida e rematar influenciando pessoas a segui-lo. Enfim, só de postar sobre o uso de anabolizantes, por exemplo, um bodybuilder pode afetar (para o muito ou para o mal) a visão de seus seguidores sobre o tema.
“O influenciador, o nome já tá dizendo: ele está influenciando. Portanto, muitos deles se protegem nessa cortinado de: eu não tô prescrevendo, eu tô falando o que eu faço. Portanto, as pessoas vão nessa ilusão: ‘Ah, o rosto faz isso, eu vou lá e vou fazer também'”.

Fonte G1

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