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Flip: Drauzio Varella defende exame tipo OAB para médicos
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Flip: Drauzio Varella defende exame tipo OAB para médicos – 25/07/2026 – Ilustrada

Uma vez que secção da comemoração dos 15 anos da Mansão Folha em Paraty, a conversa nesta sexta-feira (25) com o jornalista, colunista da Folha, médico oncologista e contador de ótimos casos Drauzio Varella incluiu duras críticas ao número crescente de faculdades de medicina no Brasil, às plataformas digitais e à religião. Sobrou até para os cirurgiões plásticos.

Ovacionado por uma mansão lotada, porquê já é de rotina, Drauzio participou da sétima mesa da Mansão Folha na Flip, nomeada “As Incertezas de um Médico”. Com mediação da repórter peculiar Fernanda Mena, o encontro teve porquê base o livro “O Treino da Incerteza”, de 2022, um relato da experiência médica em mais de 50 anos de curso.

Respondendo a uma das perguntas da plateia, Drauzio disse que a proliferação de faculdades de medicina no Brasil é absurda. Muitas delas são locais sem infraestrutura e docência adequadas. “O Guarujá [SP] tem duas faculdades de medicina. Cidades de 20, 30 milénio habitantes com faculdade de medicina, o que atende a interesses financeiros. [Mensalidades de] R$ 15 milénio reais”, disse.

Segundo ele, um diretor de faculdade pessoal contou que ratificar um curso de medicina eleva o preço de mercado em muitos milhões. “Por isso é que chegamos a essa situação dramática hoje. O Brasil é o segundo país do mundo com mais faculdades de medicina, perdendo só para a Índia.”

Para ele, a saída seria um fiscalização similar ao da OAB, feito a cada dois anos. “Uma vez que que essa meninada vai querer sobreviver num meio grande, tendo sido formado numa faculdade vagabunda?”

Drauzio disse ainda que as redes sociais acabam acolhendo muitas pessoas mal preparadas. “A internet aceita tudo. Porque essas plataformas, das quais a pior é a Meta, não estão interessadas. Nossos conselhos são ineficientes e as plataformas são muito mal-intencionadas. Dez por cento do lucro da Meta vem de propaganda falsa”, disse, voltando em tema já abordado em conversa anterior.

Sobre o tema da mesa, as tais incertezas, seria um ato meritório ortografar sobre elas diante da segurança que quase todo paciente espera de seu médico? Uma vez que seria isso? “Sei lá”, respondeu Drauzio, com tino de humor já muito muito documentado.

Mais sério, contou que, nos muitos momentos em que entrou em contato com doentes incuráveis, as dúvidas muitas vezes o paralisaram. “Isso me fez pensar um pouco sobre o papel do médico. A função da medicina qual é? É tranquilizar o sofrimento humano. Mas não somos treinados para isso, mas para tratar as pessoas”, disse.

E aí, quando o médico se depara com a impossibilidade de tratamento, isso se choca com a formação recebida e, muitas vezes, afasta o médico do doente. “Mourejar com essa incerteza é fundamental no manobra da profissão.”

Drauzio também falou sobre porquê um ímpio porquê ele elabora a teoria de morte. “Essa coisa religiosa não é decisão pessoal. Você não decide: ‘Ah, eu vou ser religioso, vou ser ímpio’. Você é religioso ou é ímpio. Agora, a religião, essa é passível de racionalidade.”

Quando gaiato, em sua primeira comunidade, contou que a catequista pediu que não mastigassem a hóstia porque seria o corpo de Jesus. “Ela disse que, uma vez, um menino no setentrião da França mordeu a hóstia e saiu sangue. Eu pensei: ‘Vamos ver se sai mesmo.'”

Mas diante de um terninho branco de linho presenteado pelo pai, recuou. Um mês depois, nas bodas de prata dos tios, foi adiante. “Mastiguei com força. Eu acho que virei ímpio aí”, disse, em meio às gargalhadas da plateia.

Para ter religião, disse Drauzio, é preciso ter fé. E quem não tem, não tem coragem de expor. “É difícil você expor que é ímpio, porque as pessoas consideram que se você é ímpio você é obsceno. Isso é obsceno, porque a religião criou um monopólio das virtudes humanas. Se você não tem essa crença é porque você não presta. Não é verdade?”, provocou de modo maroto.

Com febre amarela, em 2004, lembrou que esteve diante da expectativa de morte. Com a profissão, no entanto, aprendeu que não se deve ter temor de morrer.

“Evidente, quando nasceram minhas filhas comecei a ter temor. Não é a esse temor que me refiro. Deve-se ter temor de morte violenta. Mas a morte proveniente, por causas naturais, que é aquela que vem ao longo de uma doença, não deve assustar a gente”, disse.

Uma vez que lida com o que lhe abala? “Nunca pensei nisso”, disse, ao reconhecer a “sorte de ter vitalidade e de ser fisicamente privilegiado”. Porém, disse não gostar de quem lhe pergunta sobre qual é o seu sigilo.

“Que sigilo o quê! A natureza é violenta e é impiedosa, não reconhece as virtudes. Você vê o outro que fumou, que bebeu, que fez tudo de inexacto na vida, que cheirou cocaína durante anos e tal. E chega aos 90 anos”, disse, entre mais gargalhadas da plateia.

É provável transmitir crédito ao paciente sem fingir que sabe de tudo? Drauzio contou que as situações mais duras pelas quais passou não foi no atendimento aos casos mais graves de pacientes com cancro.

O repto, disse, é escoltar uma pessoa que está muito, se julga que está curada e os exames de rotina mostram a disseminação da doença. “Nessa hora você tem que virar para aquela pessoa e expor alguma coisa. Ela nem suspeita que aquilo esteja acontecendo. O que você fala? É isso que é a arte da medicina.”

Falando em arte, mirou os cirurgiões plásticos que se dizem artistas. “Você faz vanescer uma ruga, levanta um lábio para atender uma expectativa estética do mercado, isso não é arte. Você olha um bronze do Brancusi [escultor]. Isso é arte”, disse, ao explicar que, na medicina, a arte é ajustar conhecimento às particularidades do paciente.

Ao responder perguntas da plateia, Drauzio lembrou que a medicina mudou a forma com aborda o processo de envelhecimento e que critérios para avaliá-lo –porquê serviços preferenciais para pessoas a partir de 60 anos – vêm mudando, o que é positivo.

“A medicina achava que precisava de repouso a partir dos 50 anos. Hoje fazemos o contrário. O faceta inferniza a vida da avó: ‘Levanta, vó!’”, disse, mais uma vez despertando risadas.

A última pergunta da plateia mencionou o negacionismo com relação às vacinas. “O que essa gente fez e muitos continuam fazendo é violação contra a saúde pública, não há outra vocábulo que caracterize a situação”, afirmou “o médico mais admirado do Brasil”, nas palavras da mediadora.

“A que ponto chegou a medicina”, finalizou.

Folha

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