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'Galinha Pintadinha: O filme' marca estreia da 'diva pop' animada
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'Galinha Pintadinha: O filme' marca estreia da 'diva pop' animada no cinema em aniversário de 20 anos

Demorou, mas a personagem galinácea azul inevitável para qualquer pai de filhos pequenos nas últimas duas décadas no Brasil finalmente chega aos cinemas. “Penosa Pintadinha: O filme” estreia nesta quinta-feira (1º) uma vez que o lançamento da “diva pop” animada em uma produção com equipe (quase) “100% brasileira”.
A personagem vernáculo, criada por Juliano Prado e Marcos Luporini, há 20 anos domina o YouTube, produtos licenciados de higiene a material escolar, peças teatrais e festas de natalício, mas dá o passo mais cobiçoso de sua trajetória.
Com murado de cinco anos desde a concepção, o longa metragem de animação coloca a ave azulada em uma proeza para resgatar seu ovo, que foi trocado por uma cegonha atrapalhada com o filhote de um gavião cominador.
Assista ao trailer de ‘Penosa Pintadinha: O filme’
Para colocar o projeto de pé, a dupla — que assumiu também as vezes de diretores, roteiristas e produtores — mobilizou um time de murado de 400 profissionais.
A estreia nos cinemas coincide ainda com a inauguração de uma superfície temática inspirada no universo da personagem no parque Beto Carrero World — um “acidente feliz” posteriormente anos de conversas paralelas que acabaram desembocando quase ao mesmo tempo.
Em conversa com o g1, Prado, de 55 anos, e Luporini, de 56, detalharam os desafios técnicos de renderizar “pelinho por pelinho”, relembraram a gravação das primeiras canções em 2002 e comentaram uma vez que administra uma estrutura enxuta diante de um fenômeno que há muito tempo virou “diva pop”.
Leia aquém a entrevista, editada para transparência:
Juliano Prado e Marcos Luporini, os criadores da Penosa Pintadinha
Divulgação
g1 – Por que levou murado de 20 anos para a Penosa Pintadinha virar um longa-metragem no cinema?
Juliano Prado – Fazer cinema é um bicho muito difícil, complicado mesmo. Primeiro você precisa aprender a fazer, e a gente ficou uma boa secção desse tempo estudando (risos). A gente fazia conteúdos menores, uma vez que clipes e séries. O sonho de fazer um filme sempre existiu, mas deixamos essa vontade amadurecer muito antes de tomar a decisão. Quando começamos, queríamos justamente fazer alguma coisa com linguagem de cinema mesmo, não só uma extensão, meio oportunista, do nosso teor.
g1 – Uma vez que nasceu a teoria do roteiro e o processo para tirá-lo do papel?
Marcos Luporini – Todo personagem que quer sobreviver por muito tempo precisa se renovar. Quando decidimos fazer o filme, a primeira coisa foi buscar uma boa história. Fizemos mesas de geração com diferentes artistas até chegar na teoria da troca dos ovos. Ela abre espaço para temas muito bonitos, uma vez que multiplicidade, superação, ratificação e maternidade. Quem tem rebento sabe que sempre existe uma quebra de expectativa. Quando batemos nessa história, clicou e seguimos nela.
Juliano Prado – Foi uma guerra criativa por um lado e empresarial por outro. A Bromélia sempre teve esse caldeirão rendeiro de produção. No filme, tivemos a Hype produzindo a animação, mas as vozes, a geração e as ilustrações de concepção ficaram com a gente. Eu e o Marcos nos concentramos no roteiro e no storyboard/animatic. Foram murado de dois anos só nessa lanço de história e decupagem antes do processo industrial de modelagem e textura. Foi um projeto com murado de 400 pessoas.
Marcos Luporini – E buscamos valorizar muito os artistas locais. Muitas vozes foram feitas por pessoas cá de Campinas, inclusive a cantora Vera Fuzaro, que já estava no nosso primeiro DVD. Tentamos manter a raiz do projeto para não transpor voando por aí e olvidar quem a gente foi.
g1 – O filme estreia praticamente na mesma semana em que o Beto Carrero inaugura uma superfície temática da marca. Foi planejado para coincidir com os 20 anos?
Marcos Luporini – Sabíamos que ia chegar tudo mais ou menos junto, mas é difícil pregar data, em cinema, atrasos acontecem. Essa superfície temática no Beto Carrero, baseada no filme, também vinha sendo conversada há anos. Se tivéssemos contratado a NASA para planejar, talvez não tivesse oferecido tão visível.
Juliano Prado – Começamos a conversar sobre as duas coisas há uns cinco anos. Foram dois projetos muito complexos que calharam de tombar na mesma semana, porque foi dando muita coisa errada no caminho. Meio grafar visível por linhas tortas.
Fazer um filme é uma maratona; ficamos sem férias todo esse tempo. A gente até viajava, mas sempre com o laptop, porque a equipe depende diariamente de aprovações de direção, desde a cor de um vidro até o enquadramento de luz.
Cena de ‘Penosa Pintadinha: O filme’
Divulgação
g1 – O estilo visual labareda atenção pela computação gráfica dialogar fortemente com a textura e o ritmo do stop motion. Uma vez que chegaram a essa escolha técnica?
Marcos Luporini – Uma das coisas que sempre falei foi: “Vamos tomar zelo para não desancar de frente com a Pixar. Não vamos querer transpor no braço com a Pixar” (risos). Escolhemos um estilo que dialoga com o stop motion. Você vê que não é, mas tem aquela pegadinha gostosa que prende o olhar. Queríamos uma estética muito fofa para lastrar uma classe dramática um pouco mais profunda.
Tem lá a proeza, tem essa história da troca dos ovos, que é que é pras crianças menores seguirem, né? Tem o medinho, tem a emoçãozinha, tal, tem a aventurinha, tudo certinho ali no lugar, mas tem essa essa classe mais dramática, numa estética muito fofinha
Juliano Prado – Tecnicamente, usamos o concepção de animar “em dois”, ou “on twos”. O filme roda a 24 quadros por segundo para cenários, efeitos e câmera, mas a animação dos personagens é feita a 12 quadros. Isso dá um espaço para a mente preencher o movimento e aproxima do stop motion. As escolhas de enquadramento também evitaram aquela estética de câmera frenética de videogame. E a textura foi uma guerra à secção.
Aquilo lá a gente passou por 1.001 texturas, parecia uma esponja, parecia não sei o que lá, até chegar no pelinho, né? Quando chegamos, foi um pesadelo pras máquinas fazerem. Pelinho por pelinho. Para você ter uma teoria, havia frames que demoravam quatro horas para serem renderizados.
Logo foi uma coisa que, assim, foi realmente a grande dificuldade técnica do projeto, que chegou a atrasar mesmo o cronograma no final. Foi o grande duelo técnico do negócio. Por uma opção estética, no término.
Marcos Luporini – Mas deixa eu falar uma coisa. Engraçado esse negócio. Você fala: “Ah, o filme é bonito, né? Esteticamente ele é bonito”. Mas parece que você vem de uma guerra para entregar uma flor no final, sabe?
Assim, é uma quebradeira, é uma combate, é um esforço, é uma dificuldade. Você passa pela vasa, atravessa o campo de guerra, para entregar a flor mais formosa que você conseguir. É uma brutalidade cá no término para tentar entregar leveza (risos).
g1 – Olhando para trás, as motivações de quando a marca começou continuam as mesmas? Uma vez que a chegada dos filhos impactou isso?
Marcos Luporini – É difícil manifestar exatamente quando o projeto começou. As músicas do primeiro DVD foram gravadas lá em 2002. Eu só fui ter rebento 18 anos depois. Logo, quando fiz as primeiras, não fez secção da minha motivação. Quando compus e escolhi aquelas canções, fiz pensando na minha própria rapaz interno (risos).
Juliano Prado – Eu já tinha filhas pequenas na idade. Mas a motivação nossa era muito: “Vamos recrear de fazer estampa entusiasmado, vai permanecer bonitinho”.
Marcos Luporini – Lembro que, quando levei as músicas para mostrar ao Juliano, a filha dele ouviu e perguntou se era um presente para ela. Ali a gente já sentiu que estava no caminho visível.
g1 – Vocês já tinham murado de 15 anos de estrada fazendo clipes e historietas com esses personagens quando começaram a desenvolver o filme. O quanto essa bagagem ajudou a moldar as decisões?
Juliano Prado – Ajudou principalmente na relação entre os personagens. Alguns já existiam na série “Penosa Pintadinha Mini” e nas peças de teatro. O clipe músico não desenvolve muito certas personas, mas o teatro sim. O Doutor Peru, por exemplo, é um personagem que foi basicamente desenvolvido no palco: a voz, o jeito dele ser um médico que não percebe o óbvio. Isso veio do ao vivo. Mas uma história desse tamanho e com essa profundidade, a gente nunca tinha trabalhado.
A experiência também ensinou que não dava para colocar todo mundo. Os clipes têm aranha, muitos animais. Precisávamos escolher uma traço e focamos nos galináceos, nas aves, criando uma história de origem que se passa antes de tudo o que acontece nos clipes. E teve o duelo de fazer a Penosa falar. Até logo, a personalidade dela tinha um limite muito rígido. Com o longa, decidimos expandir essa fronteira.
Cena de ‘Penosa Pintadinha: O filme’
Divulgação
g1 – A Penosa virou um ecossistema gigante: tem parque, shows, brinquedos, roupas, ducto de vídeo. Quão envolvidos vocês dois ainda conseguem estar nisso tudo?
Marcos Luporini – Nós estamos até o pescoço (risos). É evidente que, conforme a coisa ganha dificuldade, você precisa entender que a sua mão não vai tocar em tudo. Mas a gente se envolve muito e tudo passa por aprovação. Para você ter uma teoria, na superfície temática do Beto Carrero tem muita coisa de áudio que eu mesmo sentei e fiz. Pensei na trilha, achei que ficaria bonito e falei: “Deixa que eu mesmo faço”. Fui lá, compus a música, criei os efeitos (risos). Chega a esse nível.
A Penosa é uma verdadeira professora, porque cada superfície tem suas regras. No licenciamento, caderno tem uma agenda, higiene pessoal tem outra, brinquedo tem outra. Tem ovo de penosa. Cada segmento tem sua feira de negócios, seus prazos de entrega e particularidades. Teatro funciona de um jeito, cinema de outro, série de outro.
A gente tem uma equipe interna enxuta e conta com muitos parceiros, cada um no seu quadrângulo, mas continuamos com a mão na volume. Tem dia em que o Juliano está fechando uma edição e eu estou masterizando áudio no desespero, porque temos que entregar no mesmo dia. É uma empresa com uma dinâmica bastante nivelado.
g1 – A Bromélia sempre foi descrita uma vez que uma empresa enxuta. Qual é o tamanho da estrutura hoje para dar conta de tantas frentes?
Marcos Luporini – São umas 3 milénio pessoas, mais ou menos (risos). Graçola. Não é zero perto disso.
Juliano Prado – Olha, nosso núcleo duro tem murado de 20 e poucas pessoas. Temos o departamento de ao vivo para cuidar dos shows, a superfície de produção, o marketing e redes sociais, além do administrativo e jurídico. Eu e o Marcos encabeçamos a geração dos produtos e lançamentos. Começamos no YouTube vendendo DVDs e fomos crescendo livres, multitelas. A Penosa virou uma espécie de diva pop, que gera meme, estampa bolo e tem uma curso de lançamentos musicais uma vez que se fosse uma artista de verdade.
Marcos Luporini – E temos muitos parceiros externos. O licenciamento, por exemplo, é tocado com uma filial parceira porque cada segmento tem uma feira, um calendário e particularidades próprias. Essa estrutura em rede é o que nos permite continuar funcionando.
Cena de ‘Penosa Pintadinha: O filme’
Divulgação
g1 – Ao longo desses anos, vocês enfrentaram disputas de direitos autorais e tiveram problemas com pirataria e cópias. Uma vez que está essa relação hoje?
Marcos Luporini – No prelúdios, com o espanhol, tivemos alguns claims no YouTube de pessoas tentando reivindicar músicas que adaptamos do domínio público. Chegou a sobrevir até com música própria minha, o que foi resolvido diretamente pela nossa editora. Sobre cópias e peças não autorizadas, isso é mais possante quando a marca é a novidade absoluta do momento. Hoje, a Penosa é uma marca consolidada.
Juliano Prado – Existe o artesanato, a pessoa que faz um boneco de crochê ou pinta a parede de uma escola, e isso é um uso afetivo que a gente acha até bonito ter. O problema é quando vira produção industrial não autorizada, uma vez que os contêineres de produtos e DVDs piratas que enfrentamos no pretérito. Aí é preciso agir para proteger os parceiros licenciados que fazem o trabalho correto.
g1 – Em quantos países a Penosa Pintadinha está presente hoje? Vocês têm dimensão do alcance internacional da marca?
Juliano Prado – Uma vez que a distribuição é muito possante pelo YouTube, é até difícil precisar sem um relatório detalhado na mão, mas o alcance é global. Além do Brasil, a nossa audiência mais pesada é em espanhol, na América Latina. O mercado latino nos Estados Unidos também é muito possante, e temos presença em vários países da Europa. Já tivemos licenças de TV na Ásia, uma vez que na Coreia do Sul, além de contratos na Rússia, Índia e Oriente Médio. Às vezes o negócio entra só via ducto do YouTube, às vezes uma vez que licenciamento de série ou das músicas. O teor em inglês também performa muito muito e acaba espalhado por diversos territórios. A gente teve esse trabalho de transcrever o repertório para sete línguas no início — boche, nipónico, italiano —, e hoje já tem muito mais porque os próprios parceiros locais vão adaptando.
Marcos Luporini – Essa secção territorial tem coisas muito curiosas. Por exemplo: o italiano performa super muito na Suíça, alguma coisa que eu mesmo não imaginava. Mas você nota claramente a força da cultura latina. A Penosa funciona centena vezes melhor na Itália do que na Alemanha, por exemplo. Ela acaba sendo uma professora até de autoconhecimento. Hoje, quando viajo, entendo com muita transparência que sou uma pessoa latina. Sei onde vou me sentir mais à vontade e onde preciso ter mais zelo com a informação, porque certas culturas simplesmente não batem com a mesma facilidade.
Cena de ‘Penosa Pintadinha: O filme’
Divulgação

Fonte G1

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