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Vik Muniz usa cinzas para recriar itens do Museu Nacional
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Vik Muniz usa cinzas para recriar itens do Museu Nacional – 22/06/2026 – Ilustrada

Vik Muniz estava na Holanda, trabalhando em um projeto em que usaria flores porquê matéria-prima, quando soube do incêndio que quase destruiu o Museu Pátrio, no Rio de Janeiro, em 2018. Ficou tão comovido com a notícia que pressentiu que, em breve, abandonaria as pétalas para usar cinzas porquê objeto de trabalho.

No caso, os sobras de objetos do pilha que se perderam, tentando recriá-los por meio de sua arte. Fez isso, por exemplo, com as cinzas recuperadas de Luzia, o mais vetusto hominídeo do continente americano, cujos fragmentos do crânio encontrados em Minas Gerais na dez de 1970 datam de murado de 12 milénio anos.

Com base em fotos, redesenhou Luzia com sua própria poeira e depois fotografou o resultado. Essa obra e mais dez fotografias de recriações de outras peças, além de nove esculturas feitas de resina misturada a cinzas, estão expostas na mostra “Rescaldo das Memórias”, em papeleta no Museu Pátrio. As réplicas foram desenvolvidas com ajuda tecnológica do Laboratório de Processamento de Imagem Do dedo do Museu Pátrio, o LAPID, da Universidade Federalista do Rio de Janeiro.

“Eu preferia que eu nem tivesse tido a teoria”, diz Muniz, ao lembrar ainda hoje da crise de pranto que teve ao tomar ciência do incêndio, em um lugar que ele conhecia tão muito.

“Mas eu acho que tem um vista, depois de um tempo, quando você incorpora a arte na sua vida, que vira uma coisa até um pouco terapia. Você começa a desenvolver projetos baseados em coisas que estão te perturbando de alguma forma. E nem sempre essas coisas são legais, prazerosas, mas você tenta resolvê-las da maneira porquê você consegue, por meio de trabalho, de prática.”

Muniz tinha uma afinidade privativo com o museu. “Eu levava os meus filhos para lá, muitas vezes. Logo foi uma coisa pessoal também, junto com essa perda vernáculo e mundial”, diz. Outro destaque entre as esculturas está uma boneca Ritxoko da etnia karajá, modelada a partir de um réplica restaurado logo depois o incêndio, e uma outra versão de Luzia, em estátua, também feita com resina e algumas cinzas.

Mas a exposição no Museu Pátrio não é o único sítio onde Muniz tem destaque atualmente, no Rio. No Núcleo Cultural Banco do Brasil, o CCBB, há uma retrospectiva com grande segmento do seu trabalho —”Vik Muniz: A Olho Nu” reúne mais de 220 obras, de 43 diferentes séries, entre fotografias e esculturas, englobando desde seus primeiros instantes do artista, ainda na dez de 1980, até suas produções mais célebres, porquê “Medusa Marinara”, de 1997, registro fotográfico de um esboço da personagem mítica feito por Muniz em um prato de macarrão e molho de tomate.

Tanto a exposição do Museu Pátrio quanto a do CCBB têm porquê curador Daniel Rangel. “É muito interessante a gente estar com essas duas exposições em papeleta, porque elas são praticamente opostas”, diz Rangel, referindo-se sobretudo ao processo de escolha do que integraria cada uma. No caso de “’Rescaldo das Memórias”, foi preciso iniciar do zero a geração das obras, enquanto em “A Olho Nu” houve a urgência de se chegar a um tanto próximo a 10% da fecunda produção do artista.

“E ele nunca tinha trabalhado com curador. Todas as individuais que o Vik fez na vida, ele mesmo que organizou. Há mais ou menos três anos eu comecei a instigar Vik a pensar em fazer uma exposição um pouco dissemelhante das que ele vinha acostumando fazer”, diz Rangel.

“Acho que o primeiro grande ponto de diferença que a curadoria realmente fez foi propor, pela primeira vez, que Vik expusesse as esculturas dele ao lado das fotografias. Isso era um tanto que ele nunca tinha feito e que ele nunca nem tinha pensado em fazer; ele achava que eram dois trabalhos completamente diferentes.”

A exposição retrospectiva tem tido grande sucesso de participação do público, já ultrapassando a marca dos 100 milénio visitantes, desde a orifício em maio. Com notável presença de crianças, que visitam a mostra estimuladas pelos pais, mas tal qual interesse pela obra de Muniz se dá por um perceptível vista lúdrico da própria natureza de segmento da sua obra, que usa para a formação de imagens materiais porquê geleia e pasta de mendubi, lixo e mesmo diamantes.

“A obra de arte acontece no encontro entre o testemunha e a obra. Porquê eu venho de um ‘background’ de quem não teve entrada a arte na minha mansão, na puerícia, me preocupo com isso”, diz Muniz.

“Eu privilegio uma iconografia que permeia o consciente imagético da tamanho —palato de trabalhar com imagens que todo mundo já viu. Elas são arquétipos, ícones, até estereótipos. Mas eu estou trabalhando com o psicológico do testemunha e tentando ter um alcance e uma linguagem atingível que tanto uma petiz quanto um crítico de arte podem acessar. Usando esses materiais, que são muito comuns, eu tento desmistificar o que separa o testemunha do objeto de arte.”

No ano que vem, Muniz completa 40 anos desde que abriu sua primeira exposição. Olhando em retrospecto, ele ainda se surpreende com a própria trajetória. “Eu às vezes não sei porquê eu cheguei até cá. Eu me surpreendo o tempo todo. E tudo foi feito de forma instintiva; nunca fiquei fazendo uma arquitetura de uma curso, tanto que, quando eu comecei, eu não sabia sequer que isso podia ser uma curso, que se poderia viver de arte e de ideias.”

Mas não vê a retrospectiva porquê um mero vértice da curso. “Tento fazer dessa exposição uma utensílio de perpetuidade. Para você ver de onde está vindo e observar para onde vai”, diz.

Folha

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