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Guerras no Congo e menor cooperação em saúde favorecem surto
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Guerras no Congo e menor cooperação em saúde favorecem surto do ebola

As guerras que dilaceram o Leste da República Democrática do Congo (RDC) há décadas e a redução da cooperação internacional na superfície da saúde favoreceram a proliferação do atual surto de ebola na África. A doença volta a assombrar o continente em meio à escassez de profissionais de saúde na região.

O epicentro do surto ocorre na província de Ituri, no Nordeste da RDC, que responde por 93% do totalidade de casos confirmados (676) no país, seguida pelas províncias de Kivu do Setentrião e Kivu do Sul, que são os departamentos mais afetados pelas guerras congolesas.

A quase 2 milénio quilômetros de intervalo da capital do país, Kinshasa, essa é uma região disputada por muro de 100 grupos paramilitares que lutam pelo controle das atividades minerais da RDC. Estima-se que milhões de pessoas sejam refugiadas das guerras locais.

“O surto está se desenrolando em um contexto humanitário multíplice e afetado por conflitos, caracterizado por populações altamente móveis e frequentemente deslocadas”, diz informe da Organização Mundial da Saúde (OMS), que acrescenta que o surto continua a evoluir rapidamente.
 


Red Cross workers disinfect after handling the body of a person who died of Ebola, as aid agencies intensify efforts to contain a new Ebola outbreak involving the Bundibugyo strain, at the Centre Medical Evangelique (CME) in Hoho commune of Bunia, Ituri province, Democratic Republic of Congo, May 21, 2026. REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere     TPX IMAGES OF THE DAY
Red Cross workers disinfect after handling the body of a person who died of Ebola, as aid agencies intensify efforts to contain a new Ebola outbreak involving the Bundibugyo strain, at the Centre Medical Evangelique (CME) in Hoho commune of Bunia, Ituri province, Democratic Republic of Congo, May 21, 2026. REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere     TPX IMAGES OF THE DAY

Província de Ituri é o epicentro do surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) – Foto: Reuters/Gradel Muyisa Mumbere/Registo/Proibida reprodução

O professor de história da África da Universidade Federalista do Rio de Janeiro (UFRJ) Nuno Carlos de Fragoso Vidal explica à Filial Brasil que o atual surto surgiu em uma região marginalizada da RDC que está sob influência de Ruanda, que financia o principal grupo paramilitar naquela região, o M23.

“É um conflito latente que já causou várias dezenas de milhares de mortos ao longo dos anos. É uma terreno de ninguém, uma zona de grupos armados e de influência de Ruanda, que explora recursos naturais a seu obséquio. Esses grupos exploram, por exemplo, o coltan [mineral crítico] e depois ele é exportado via Ruanda”, afirma o técnico.

Proveniente de Angola, o professor acrescenta que as equipes de saúde têm dificuldade em acessar as áreas controladas por grupos paramilitares hostis. Ele lembra que o suposto pacto de silêncio costurado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, com os governos de Ruanda e da RDC, em junho de 2025, não tem saído do papel.  

“Esses acordos não saem do papel porque emergiu em Ruanda um presidente [Paul Kagame] com pretensões de controlar uma vasta região e recursos que não pertencem ao país. E ele é muito protegido pelo Oeste, pelos EUA, mas, sobretudo, pela Inglaterra. Existe, de trajo, uma apropriação indevida de recursos daquela zona do Congo”, comenta.

Além da República Democrática do Congo, o surto afeta também Uganda, um país vizinho. “Em Uganda, o surto permanece epidemiologicamente ligado à transmissão originada na República Democrática do Congo”, diz a OMS.

Menor cooperação internacional

Além das guerras do Leste da RDC, especialistas acrescentam que a redução da cooperação internacional na superfície da saúde, nos últimos anos, também favorece o surto de ebola e citam, porquê agravante, a saída dos Estados Unidos da OMS. Washington figurava porquê maior doador da organização.

Outrossim, a ajuda internacional dos EUA prevista no orçamento para a República Democrática do Congo caiu muro de 90%, saindo de US$ 1,41 bilhão em 2024, para US$ 0,14 bilhão, em 2026. Esse é um dos resultados da política de Donald Trump de reduzir a ajuda internacional estadunidense no mundo, em privativo, a fornecida por meio da Filial dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Apesar da redução no financiamento da saúde global, os EUA se apresentam porquê maior país doador para combate ao surto de ebola, com muro de US$ 338 milhões em assistência humanitária à RDC, ao Sudão do Sul e a Uganda.
 


A health worker takes the temperature of an M23 rebel at the entrance to the Rodolphe Merieux Laboratory, National Biomedical Research Institute (INRB), where samples from suspected Ebola cases are examined, as part of the response to the epidemic in Goma, North Kivu province of the Democratic Republic of Congo, May 19, 2026. REUTERS/Arlette Bashizi
A health worker takes the temperature of an M23 rebel at the entrance to the Rodolphe Merieux Laboratory, National Biomedical Research Institute (INRB), where samples from suspected Ebola cases are examined, as part of the response to the epidemic in Goma, North Kivu province of the Democratic Republic of Congo, May 19, 2026. REUTERS/Arlette Bashizi

Profissional de saúde mede a temperatura de um rebelde do M23 na ingresso do Laboratório Rodolphe Merieux, do Instituto Vernáculo de Pesquisa Biomédica (INRB), onde são examinadas amostras de casos suspeitos de ebola, porquê segmento da resposta à epidemia em Goma, província de Kivu do Setentrião, na República Democrática do Congo – Foto: Reuters/Arlette Bashizi/Registo/Proibida reprodução

O presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Rômulo Paes de Sousa, acrescenta à Filial Brasil que a postura dos EUA de esvaziar as organizações multilaterais, porquê a OMS, em obséquio de estruturas de cooperação bilaterais, traz incertezas para o combate ao novo surto.

“Além da redução do nível de repasse de recursos para superfície da saúde, há o desmonte das estruturas de governança da saúde global. Os repasses, que antes ocorriam através de estruturas conhecidas, agora ficaram ligados a negociações bilaterais contaminadas por interesses comerciais, sobretudo em relação a terras raras, que é da tarifa de interesse econômico dos EUA”, explica o epidemiologista.

A coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios Africanos (Nenaf) da ESPM, Natalia Fingermann, destacou que as mudanças nos canais de cooperação internacionais dificultam o monitoramento sobre a emprego desses recursos.

“Era muito fácil os EUA levarem esses recursos via OMS, pois ficava completamente transparente essa transferência. Hoje a gente sabe que o CDC da África ainda não recebeu nenhuma transferência norte-americana desse montante anunciado”, explicou.

Na semana passada, a OMS informou que três laboratórios na RDC ficaram sem insumos para testes de detecção do vírus ebola.

Potências aumentam gastos com resguardo

O aumento dos gastos em resguardo de potências europeias é assinalado porquê fator suplementar que dificulta a resposta à emergência de saúde global representada pelo ebola na África, porquê destaca a professora de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Natalia Fingermann.

“Desde o ano pretérito, a União Europeia e alguns países importantes dentro da África, porquê o Reino Unificado e França, optaram por reduzir os recursos de ajuda internacional para ampliar os gastos militares internos”, comenta Natalia Fingermann.

Em 2025, os países da Europa, pressionados pelos EUA, concordaram em enaltecer os gastos com resguardo de 2% até 5% do Resultado Interno Bruto (PIB). Com isso, houve um aumento de 20% no totalidade gasto com resguardo pelos países europeus, e pelo Canadá, se comparado com 2024, segundo o Relatório Anual da Organização do Tratado do Atlântico Setentrião (Otan).

Para combater o ebola, a União Europeia anunciou € 15 milhões em assistência humanitária suplementar para o Núcleo Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC da África).
 


Motorcycle taxis carry passengers following a resurgence of Ebola involving the Bundibugyo strain, a rare variant of the virus with no approved vaccine currently available, along Ben Kiwanuka street in Kampala, Uganda May 21, 2026. REUTERS/Abubaker Lubowa
Motorcycle taxis carry passengers following a resurgence of Ebola involving the Bundibugyo strain, a rare variant of the virus with no approved vaccine currently available, along Ben Kiwanuka street in Kampala, Uganda May 21, 2026. REUTERS/Abubaker Lubowa

Movimentação de pessoas em Kampala, Uganda, país também afetado pelo surto de ebola – Foto: Reuters/Abubaker Lubowa/Registo/Proibida reprodução

Escassez de profissionais

A União Africana e a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicaram um projecto para sustar a expansão do vírus, em que solicitam aportes financeiros de US$ 517 milhões para os próximos seis meses.

Em enviado, o CDC África, órgão continental de combate a doenças, destacou que, entre os principais problemas para o controle do surto de ebola, está a escassez de profissionais, porquê epidemiologistas, clínicos e especialistas de laboratório.

Para o Parecer Consultivo e Técnico do CDC África, as prioridades são, entre outras, a ampliação da capacidade de testes diagnósticos rápidos da doença e a melhoria do “chegada humanitário e a coordenação civil-militar para prometer que as equipes de resposta possam chegar em segurança às comunidades afetadas”.

Para o professor de história da África da UFRJ Nuno Vidal, porquê ocorrem dentro do continente africano, os surtos de ebola não despertam o interesse que mereceriam.

“Do ponto de vista exclusivamente sanitário, o susto é que isto pudesse, eventualmente, transpor para fora da África. Enquanto não transpor da África, ou não se espalhar muito para além daquela região, não aciona todos os alarmes à nível internacional”, avalia.

Casos e mortes na RDC e Uganda

Dados da OMS registrados até o dia 10 de junho informam que foram confirmados 676 casos do vírus Ebola na República Democrática do Congo, com 136 mortes.

Em Uganda, até o dia 11 de junho, foram registrados 19 casos confirmados e dois óbitos. “Uganda não relatou nenhum novo caso nos últimos seis dias”, diz a OMS. Pelo menos 37 pessoas se recuperaram da doença nos dois países.

Fonte EBC

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