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Harry Styles vem a São Paulo com nova era 'uncool'
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Harry Styles vem a São Paulo com nova era ‘uncool’ – 16/07/2026 – Ilustrada

De paletós que expunham seu tórax tatuado para as gravatas e camisas sociais reservadas. Um tchau para os macacões à voga Elton John e David Bowie, vestidos pomposos e boá de plumas, e um olá para peças de alfaiataria e muitos —muitos— tênis de corrida.

Foi mal a novidade era de Harry Styles começou, marcada pelo lançamento do mais recente disco do planeta em março, “Kiss All the Time, Disco Occasionally.” —o primeiro em quatro anos. Depois uma residência de 12 shows em Londres, agora o artista está no Brasil para quatro apresentações da turnê “Together, Together” no estádio Morumbis, em São Paulo, entre a próxima sexta (17) e dia 24 de julho.

Uma vez que artista pop, a curso de Styles sempre foi marcada por diferentes eras —definidas por alguma estética marcante adotada pelo cantor. Ainda na One Direction, boyband que revelou Styles antes mesmo que ele alcançasse a maioridade, o artista viveu fases porquê a “Frat Boy Harry” —em que aparecia muitas vezes sem camisa, com jeans de cintura baixa e bonés virados para trás—, e a “Long Hair Harry” —quando deixou os cabelos crescerem até os ombros.

Já na curso solo, houve destaque para o “Dunkirk Harry”, da estação em que se arriscou porquê estrela de cinema no filme de Christopher Nolan, e a sua era mais ousada até portanto, na estação do disco “Fine Line”, de 2019, com figurinos rebuscados e cores vibrantes.

Agora, aos 32, Styles parece ir contra a estética que bebia nos últimos anos. Mais resguardado desde sua período “Frat Boy”, o cantor se desprende de roupas espalhafatosas, agora com looks sintonizados com a personalidade privada e, por vezes, eremita do cantor.

Saíram as calças de lamê, blusas transparentes, colares de pérola e os figurinos maximalistas que marcaram sua parceria com Alessandro Michele durante sua passagem pela Gucci. Entraram camisas sociais, gravatas, blazers de galanteio clássico, calças amplas de alfaiataria e uma coleção quase infinita de camisetas, jeans e tênis esportivos, honrando a estética “uncool” —ou não legítimo.

Não significa, porém, que Styles tenha ermo completamente seu sabor pela experimentação. Nos shows da “Together, Together”, a sobriedade do guarda-roupa corporativo é frequentemente quebrada por shorts de alfaiataria curtíssimos, sapatilhas, peças estampadas, gravatas florais e combinações ousadas de cores.

Elas são firmadas nas ideias de “color blocking”, uma técnica de estilo que combina duas ou mais cores sólidas e contrastantes em um único visual. O maximalismo aparece nas proporções, nas texturas e nas cores, e não mais em penas e brilhos.

O próprio stylist Harry Lambert definiu a novidade direção porquê uma espécie de “corp-core”, mistura de alfaiataria tradicional com referências estéticas do mundo corporativo dos anos 1980. É um visual que conversa com o momento atual da voga masculina, subjugado por versões mais discretas do luxo, sem transfixar mão de pequenas subversões.

Essa reforma se reflete também na música de “Kiss All the Time, Disco Occasionally.”. Concebidas depois a pausa mais longa de sua curso, de quatro anos, as 12 faixas são uma tentativa de explorar um lado eletrônico recente para Styles, que antes surfava as ondas do pop-rock.

A mudança veio a partir do seu contato com a cultura clubber de Berlim. O novo disco do cantor bebe de influências da pista de dança, ainda que bastante tímido, e diz se inspirar em nomes porquê LCD SoundSystem para produzir um som um pouco dissemelhante dos últimos discos. Ainda assim, o cantor não rompe completamente com o pretérito. As baladas continuam presentes e muitos refrões preservam o caráter grandioso que marcou seus discos anteriores.

A estética, tanto sonora quanto visual, ajudou a redefinir os códigos do pop masculino da última dez e abriu espaço para uma geração de artistas que hoje ocupa as paradas.

Enquanto Styles passava anos longe dos estúdios, nomes porquê Benson Boone, Sombr e Role Model, por exemplo, ganharam projeção explorando secção dessa linguagem. Boone adotou os macacões e a teatralidade dos palcos; Sombr construiu uma imagem baseada em ternos largos, sensualidade e referências vintage; Role Model bebeu do jeans e das camisetas apertadas.

Cada um desenvolveu uma personalidade, mas todos surgiram em um cenário em que Styles já havia ampliado os limites do que se esperava de um planeta pop varão —mesmo sob acusações de “queerbaiting”, isto é, de ter se promovido a partir de símbolos gays.

E, apesar de nenhum ter chegado ao trono construído para Styles, todos, de certa maneira, beberam dos fãs do ex-One Direction entediados durante o seu breve hiato, desde o Grammy pelo disco “Harry’s House”, em 2022, seguido da turnê mundial “Love on Tour”.

Perto dos 30, ele passou a viajar sem compromissos profissionais, voltou repetidas vezes à capital alemã, fez novos amigos fora da indústria músico e descobriu uma rotina distante dos holofotes. Foi frequentando clubes da cidade que descobriu a potência de ser unicamente mais uma pessoa na pista de dança e não uma notoriedade.

A outra invenção desse período aconteceu do lado de fora das boates. Styles transformou a corrida em hábito quotidiano e passou a encará-la porquê contraponto à intensidade da vida noturna. No ano pretérito, completou as maratonas de Tóquio e Berlim.

Foi durante os treinos que ouviu demos do novo álbum, organizou ideias e encontrou um espaço de solidão depois anos cingido pelas multidões. Em paralelo, a prática fez a alegria de alguns sortudos, tanto em Londres —que encontraram o planeta na rua, correndo para os shows— porquê em São Paulo. Na cidade desde o primícias da semana, ele já parou seus treinos e passeios para tirar selfies com fãs no parque Ibirapuera, no bairro da Liberdade e na região da avenida Paulista.

Em entrevista à revista Runner’s World, o cantor contou que essas experiências mudaram sua relação com a música. Em vez de imaginar um palco dividido entre artista e plateia, passou a pensar em apresentações nas quais todos estivessem imersos na mesma experiência. “Não quero que pareça um sermão que estou proferindo. Queria que a sensação fosse de que estamos juntos nessa música. Uma vez que se eu estivesse nela com você.”

Folha

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