Hoje Eu Quero Voltar Sozinho em HQ bebe de Heartstopper

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho em HQ bebe de Heartstopper – 20/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Foi numa estação anterior à vaga de histórias LGBTQIA+ que “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” trilhou curso de sucesso no cinema. Lançado há 12 anos, o filme de Daniel Ribeiro era um “coming of age” –uma trama de sazão– sobre dois meninos descobrindo sua sexualidade e se apaixonando.

Hoje, o cenário mudou radicalmente. Seja nos cinemas ou no streaming, no Brasil ou no mundo, as histórias de paixão gay deixaram de ser exceção. Principalmente na cinematografia pátrio, filmes queer se alternam nas salas com frequência. É nesse mundo aparentemente mais tolerante que “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” retorna, agora uma vez que HQ.

“Na estação do filme, esses personagens não estavam muito nas telas”, diz Ribeiro, que venceu o prêmio Teddy, talhado a produções com temática queer, no Festival de Berlim de 2014. O longa também arrematou o prêmio da Fipresci, a Federação Internacional de Críticos de Cinema, da mostra Quadro daquela edição.

“Hoje eles são muitos, principalmente personagens gays. O perfil de filme de ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’, hoje, tem de monte. Mas é uma surpresa também a quantidade de pessoas que não são gays e se identificaram com a história ao longo dos anos, porque no término é uma história sobre o primeiro paixão, essa tensão universal.”

Mais de uma dez depois, o longa ainda tem uma base de fãs sólida –que na verdade começou com o curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, que ganhou prêmios e viralizou dois anos antes–, com quem Ribeiro espera se reconectar com o lançamento da versão em quadrinhos pela Seguinte, selo jovem da Companhia das Letras.

“13 Sentimentos”, o longa que sucedeu “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” –secção de uma trilogia que ainda terá “Eu Vou Ter Saudades de Você”–, enfim, não gerou a mesma comoção ou os mesmos elogios entre sátira e público.

Com a versão em HQ, Ribeiro espera manter a memorandum de seu grande sucesso viva para, em breve, expandir a história dos protagonistas Leonardo e Gabriel. Seu libido é retomar os personagens nas telas, possivelmente na vida adulta, depois do final de história de fadas do filme de 2012.

Nele, Leonardo, vivido por Ghilherme Lobo, é um menino cego, só pelos colegas da escola. Quando um novo aluno chega, ele experimenta, pela primeira vez, o coquetel de paixão, sofreguidão, instabilidade, euforia e libido comuns a um primeiro paixão jovem. Ele não sabe, porém, se o agora colega Gabriel, papel de Fabio Audi, sente a mesma coisa –tampouco se gosta de meninos, um pouco que gera confusão no próprio protagonista.

Lançar a história em quadrinhos é também uma estratégia para expandir a trama sem depender da lentidão do audiovisual –um formato por si só mais vagaroso e atrelado a editais e outras formas de financiamento que envolvem burocracias e dependem do governo vigente.

“Essa vontade da HQ veio um pouco das questões políticas do país. No final de 2022, eu estava angustiado com o cinema, sem saber se ia conseguir fazer meus filmes dependendo de quem vencesse as eleições”, diz Ribeiro sobre a disputa entre Jair Bolsonaro, notório pelo ataque a obras culturais que tocam na heterogeneidade, e Lula, que acabou eleito.

“O que ia ocorrer com a minha curso cinematográfica, dependendo do resultado? Portanto eu decidi expandir minhas histórias para outras áreas”, afirma o cineasta sobre o momento em que o quadrinho começou a se materializar.

A trama do filme se repete na HQ, com cenas traduzidas visualmente de forma quase literal. Mesmo momentos musicais queridos pelo público, uma vez que aquele ao som de “There’s Too Much Love”, de Belle & Sebastian, aparecem, à sua maneira, na adaptação.

Divulgado nas redes sociais e em feiras de ilustradores por seus desenhos que misturam referências pop ao universo LGBTQIA+, Bruno Freire foi o escolhido para conceber o visual dessa novidade versão.

Fã do filme, ele inicialmente tentou se aproximar ao supremo do visual do próprio elenco na hora de riscar os personagens. Com o tempo, foi se distanciando deles –mas ainda restou uma boa semelhança.

“Nos primeiros rascunhos eles eram muito parecidos com os atores. Eu até me afastei do meu traço, porque, uma vez que fã, eu queria ver os atores, queria ver tudo igualzinho na página. O Daniel falou para eu permanecer mais solto, mas ainda assim não vejo motivo para deixar os personagens muito diferentes, até porque já havia essa teoria multimídia, de partir disso para um novo filme”, diz o ilustrador.

Ribeiro e Freire esperam que a HQ, que será lançada nesta sexta-feira (24) depois uma sessão do filme no Cinesesc, em São Paulo, trilhe caminho semelhante ao de “Heartstopper”, outra história de paixão gay juvenil, mas que começou nas páginas e depois foi adaptada para uma série de sucesso da Netflix, prevista para rematar ainda oriente ano.

Se o primeiro volume der manifesto, a dupla pretende continuar expandindo a história de Leonardo e Gabriel, já testando o caminho para eventuais adaptações cinematográficas.

“Eu sempre pensei em caminhos para onde os personagens iriam, já escrevi algumas coisas, possibilidades diferentes. Porquê seria essa relação na faculdade? Agora é pegar tudo o que eu já escrevi, reorganizar e ver uma vez que se encaixa”, diz Ribeiro. “Todo mundo me pergunta, há 12 anos, o que acontece depois. Espero que em breve essa pergunta seja respondida.”

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *