O primeiro-ministro da China, Li Qiang, afirmou nesta quarta-feira (24) que o mundo corre o risco de “perder o controle” de tecnologias de ponta uma vez que a lucidez sintético (IA) se os governos demorarem demais para regulamentá-las.
Os temores de que a IA provoque uma ruptura nos mercados de trabalho e dos seus possíveis riscos de segurança vêm aumentando, desde seu uso em conflitos até violações de defesas cibernéticas e a provável geração de novas armas biológicas.
“A velocidade do progresso tecnológico não tem precedentes”, afirmou o premiê em um evento chamado “Davos de Verão” na cidade chinesa de Dalian, no qual destacou que a lucidez sintético impulsionou a “eficiência da inovação”.
“No entanto, não podemos ignorar os riscos cada vez mais evidentes de perder o controle da tecnologia e de cometer faltas éticas”, declarou. “Se a governança nessa extensão não conseguir seguir o ritmo, pode ter consequências graves”.
Os avanços tecnológicos são promovidos uma vez que motores do desenvolvimento econômico, mas entre seus aspectos negativos estão a preocupação com a perda de empregos e as implicações geopolíticas, apontaram palestrantes nesta conferência anual organizada na China pelo Fórum Econômico Mundial, que tem sede na Suíça.
Mirek Dusek, diretor-gerente do fórum, afirmou na terça-feira (23) à AFP que a IA abre caminho para novas oportunidades em ensino, saúde e outras áreas.
“Temos sido agraciados com muitos avanços tecnológicos recentemente, mas o principal duelo para os responsáveis pela tomada de decisões em todo o mundo é realmente: uma vez que prometer que isso se reflita na economia real?”, questionou Dusek.
Somam-se a essa pressão sobre o sistema econômico internacional a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que tem dificultado o transporte marítimo proveniente do Oriente Médio, rico em petróleo.
“CENÁRIO POUCO ANIMADOR”
Os ventos contrários levaram o Banco Mundial a reduzir sua projeção de desenvolvimento global para nascente ano ao nível mais ordinário desde a pandemia de Covid-19.
A economia mundial enfrenta atualmente “um cenário pouco animador”, observou Dusek.
O exposição de Li Qiang no “Encontro Anual dos Novos Campeões”, realizada neste ano na cidade portuária de Dalian, no nordeste da China, ofereceu a oportunidade de transmitir uma mensagem ao influente grupo de líderes tecnológicos e empresariais presentes.
O premiê chinês qualificou a economia do gigante asiático uma vez que um “porto seguro” em um mundo que agora luta contra “múltiplas crises, entre elas a escassez global de virilidade e graves interrupções nas cadeias de produção e fornecimento”.
O país “injetou uma valiosa ração de certeza em um mundo cada vez mais incerto”, defendeu Li.
Porém, a economia chinesa tem enfrentado dificuldades nos últimos anos para manter o vertiginoso ritmo de desenvolvimento das décadas anteriores.
Apesar de um significativo boom nas exportações e na tecnologia de lucidez sintético, o consumo reduzido das famílias e uma profunda crise de dívida no setor imobiliário têm restringido o desenvolvimento desde a pandemia.
Para complicar ainda mais, há a tumultuada relação de Pequim com Washington. Graham Allison, professor da Kennedy School de Harvard, declarou à AFP em Dalian que uma provável guerra entre as duas grandes potências é uma possibilidade muito real.
Allison é sabido por popularizar o uso do termo “emboscada de Tucídides”, uma teoria política que aponta uma maior verosimilhança de guerra quando uma novidade potência em subida —uma vez que a China— compete com uma potência estabelecida, uma vez que os EUA.
No entanto, a recente aproximação entre o líder chinês, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Donald Trump, é motivo de otimismo quanto à possibilidade de evitar uma guerra, ressaltou Allison.
Em uma cúpula realizada em Pequim no mês pretérito, Xi Jinping perguntou a Trump se os países poderiam “transcender a chamada ‘emboscada de Tucídides’ e forjar um novo paradigma para as relações entre grandes potências”.
Xi “entende isso perfeitamente” e sua menção a esse concepção histórico “não foi por contingência”, explicou o professor.
Porém, Trump é “imprevisível à sua maneira”, embora “entenda que a China é dissemelhante”, principalmente depois que o país restringiu o chegada às suas terras raras em resposta às altas tarifas impostas por Washington, destacou.





