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Ilha africana “memória da escravidão” conta com turismo para ter
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Ilha africana “memória da escravidão” conta com turismo para ter renda

Ainda no Porto de Dacar, capital do Senegal, na costa ocidental da África, a senegalesa Notabilidade Sylla aborda visitantes que estão na fileira para comprar o tíquete que garante uma vaga na jangada que os transporta até a Ilhéu de Gorée, em um trajeto de menos de meia hora.

“Que tal visitar o meu box de vendas lá? Tenho bijuterias e muitos itens típicos”, convida ela.

A Ilhéu de Gorée fica a respeito de 3 quilômetros do porto. O lugar é o ponto mais visitado por turistas em todo o Senegal. Gorée tem uma extensão de 17 hectares, isso equivale a menos de 25 campos de futebol. Desde 1978, é declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Ensino, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O título é uma das explicações para Gorée ser epicentro do turismo em Senegal. A ilhota ostenta uma trouxa histórica que a permite ser memória viva do período da escravidão de negros africanos.

Saída para as Américas

Pela localização privilegiada “de rostro” para o Oceano Atlântico, foi usada por colonizadores europeus ─ portugueses, holandeses, ingleses e franceses ─ porquê entreposto para o tráfico de escravizados, que eram embarcados compulsoriamente para as Américas. Prática que vigorou dos séculos 15 ao 19.

 


Brasília (DF), 01/05/2026 - Vista da Ilha de Gorée. 
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
Brasília (DF), 01/05/2026 - Vista da Ilha de Gorée. 
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil

Vista da Ilhéu de Gorée – Foto: Bruno de Freitas Moura/Sucursal Brasil

Os africanos que resistiam à travessia transoceânica tinham porquê termo uma vida de escravizado em locais porquê Brasil, Estados Unidos, Cuba, Haiti e no Caribe.

Em Gorée fica a Lar dos Escravos, construção de dois andares onde os africanos eram mantidos aprisionados antes de passar pela expressiva “Porta do Não Retorno”. Hoje o sítio é o núcleo mais palpitante da ilhota e exerce a função de memória da escravidão.

A Sucursal Brasil já havia estado neste Patrimônio da Humanidade em 2023 e relatou em detalhes a visitante à ilhota.

Leia cá: Ilhéu de Gorée, na África, é memória viva da escravização negra

Atualmente, Gorée tem murado de 1,7 milénio moradores, de contrato com o recenseamento de 2023 da Sucursal Vernáculo de Estatística e Demografia (ANSD, na {sigla} em galicismo), que equivale ao Instituto Brasiliano de Geografia e Estatística (IBGE).


Brasília (DF), 01/05/2026 - A vendedora Fama Sylla em frente ao seu ponto de venda na Ilha de Gorée.
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
Brasília (DF), 01/05/2026 - A vendedora Fama Sylla em frente ao seu ponto de venda na Ilha de Gorée.
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil

A vendedora Notabilidade Sylla em frente à sua loja na Ilhéu de Gorée – Foto: Bruno de Freitas Moura/Sucursal Brasil

Com o turismo, vem a renda

No termo de abril, um mês depois de as Nações Unidas terem pronunciado a escravidão de africanos porquê o mais grave delito já cometido contra a humanidade, a Sucursal Brasil voltou a Gorée e constatou que, para os menos de 2 milénio moradores, o fluxo de dezenas de milhares de turistas que visitam a ilhota anualmente é a oportunidade de conseguir alguma forma de ocupação e renda.

Já na ilhota, Notabilidade Sylla, a senegalesa que abordava visitantes ainda na fileira do porto, deixa explícito o porquê do interesse em conseguir clientes.

“O turismo é muito importante cá porque vivemos disso, vivemos do turismo”, conta.

Ela relata que o ponto de venda ─ muito parecido com as baias comuns em galpões e galerias que vendem artesanato no Brasil ─ é uma tradição da família.

“Temos uma loja que era da minha avó. Isso continua até hoje, passou para minha mãe e para nós, os filhos”, diz.

Muito perto do cais onde desembarcam os visitantes, Chaua Sall vende esculturas de madeira tradicionais do país. Algumas retratam animais emblemáticos do continente africano, porquê girafa e hipopótamo.

“Quero vender coisas bonitas para as pessoas”, diz ele, que veste um boubou, espécie de túnica tradicional na África Ocidental.

“Cá você recebe turistas de vários lugares: França, Espanha, Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Itália – pessoas do mundo todo vêm para a Ilhéu de Gorée”, lista Chaua. Além dele, o fruto e o irmão também vivem do turismo em Gorée.

 


Brasília (DF), 01/05/2026 - Chaua Sall vende peças de artesanato na Ilha de Gorée.
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
Brasília (DF), 01/05/2026 - Chaua Sall vende peças de artesanato na Ilha de Gorée.
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil

Chaua Sall vende peças de artesanato na Ilhéu de Gorée – Foto: Bruno de Freitas Moura/Sucursal Brasil

Leia mais: Por mais turismo e transacção, Brasil quer voo mais limitado para o Senegal

Hospitalidade para atrair turistas

Aminata Fall tem uma estratégia para invadir a atenção de turistas estrangeiros que circulam pela ilhota. “Bom dia”, diz ela em português.

A vendedora aprendeu saudações e expressões em diversos idiomas. Uma forma de retirar tema com os visitantes de fora do Senegal. No país, os idiomas falados são o galicismo ─ solene, legado da colonização europeia ─ e o wolof, de raiz africana, muito falado nas ruas.


Brasília (DF), 01/05/2026 - A vendedora Aminata Fall trabalha com acessórios típicos na Ilha de Gorée. 
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
Brasília (DF), 01/05/2026 - A vendedora Aminata Fall trabalha com acessórios típicos na Ilha de Gorée. 
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil

A vendedora Aminata Fall trabalha com acessórios típicos na Ilhéu de Gorée – Foto: Bruno de Freitas Moura/Sucursal Brasil

Ela conta que as únicas atividades econômicas do lugar são a pesca e o turismo. “As mulheres têm lojas, e os homens pescam ou trabalham porquê guias turísticos. É mal trabalhamos cá nessa pequena Ilhéu de Gorée. Não temos fábricas, zero além de turismo e pesca”, constata.

Ela enfatiza uma das principais características do povo de Gorée. “Somos muito gentis e acolhedores com pessoas do mundo todo que vêm visitar a Lar dos Escravos. E, depois da visitante, se tiverem tempo, não as obrigamos a ir ao mercado, mas, se quiserem, podem passar lá para ver o que fazemos”, diz ela.

A particularidade citada por Aminata é alguma coisa que ultrapassa os limites da ilhota e se espalha por todo o Senegal. Aliás, a seleção de futebol, que em 16 de junho estreará na sua quarta Despensa do Mundo, é conhecida porquê “Leões de Teranga”.

Teranga é uma termo do wolof que define a hospitalidade e o carisma dos senegaleses.

Arte tradicional

Um dos tours guiados por Gorée passa sempre no ateliê de Cheikh Sow. Ele utiliza uma técnica que combina cola e uma espécie de serragem em diversas cores para fazer quadros com paisagens e representações típicas africanas.

A mostra “ao vivo” é uma oportunidade de convencer o turista a levar um réplica. 

“Eu sou artista e deixei tudo para viver da pintura, para lucrar a vida com quadros, porque meus pais não tinham condições suficientes para nos sustentar”, conta em entrevista à Sucursal Brasil.

“Por isso, preferi estudar na escola de belas-artes e, assim, consigo lucrar a vida”, diz.

“Também temos mulheres, temos filhos, e, com essas pinturas, até tentamos edificar casas para viver melhor. A ilhota é realmente calma e tranquila, não há grandes problemas, porquê a poluição”, completa ele, que trabalha com outras pessoas no ateliê.

“Em relação à escravidão, procuramos deixar isso no pretérito. O necessário, para nós, jovens da ilhota, é tentar todos os dias lucrar a vida da melhor maneira verosímil, sempre pelo caminho claro. É mal vivemos hoje”, finaliza.

 


Brasília (DF), 01/05/2026 - Cheikh Sow, vendedor de quadros na Ilha de Gorée.
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
Brasília (DF), 01/05/2026 - Cheikh Sow, vendedor de quadros na Ilha de Gorée.
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil

Cheikh Sow, vendedor de quadros na Ilhéu de Gorée – Foto: Bruno de Freitas Moura/Sucursal Brasil

Pretérito, mas presente

O guia Mamadou Bailo Diallo é mais um senegalês que vive do turismo. Ele conta que faz de um a dois tours guiados pela ilhota diariamente.

Durante a vista na Lar dos Escravos, ele relembra a história do líder sul-africano Nelson Mandela (1918-2013), que passou 27 anos encarcerado durante o regime segregacionista do apartheid.

 


Brasília (DF), 01/05/2026 - Guia de turismo Mamadou Bailo Diallo, no museu Casa dos Escravos, na Ilha de Gorée. 
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
Brasília (DF), 01/05/2026 - Guia de turismo Mamadou Bailo Diallo, no museu Casa dos Escravos, na Ilha de Gorée. 
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil

Guia de turismo Mamadou Bailo Diallo, no museu Lar dos Escravos, na Ilhéu de Gorée – Foto: Bruno de Freitas Moura/Sucursal Brasil

Mandela, conta Bailo Diallo aos visitantes, passou alguns minutos em uma cubículo usada para punição de escravizados e saiu do cubículo em lágrimas. Lágrimas que eventualmente o guia encontra nos rostos dos visitantes.

“Eu percebo que algumas pessoas brancas choram. A escravidão é vergonhosa para elas. É uma questão de humanidade, não de cor”, diz o guia de turismo à Sucursal Brasil.

Em Gorée há um marco em homenagem a Mandela, que se tornaria presidente da África do Sul anos depois a visitante. “Ao fazermos a nossa luz luciluzir, oferecemos aos outros a oportunidade de fazer o mesmo”, registra a matrícula no monumento.

 


Brasília (DF), 01/05/2026 - Homenagem a Nelson Mandela, que chorou ao visitar a Ilha de Gorée.
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
Brasília (DF), 01/05/2026 - Homenagem a Nelson Mandela, que chorou ao visitar a Ilha de Gorée.
Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil

Homenagem a Nelson Mandela na Ilhéu de Gorée – Foto: Bruno de Freitas Moura/Sucursal Brasil

Reflexão e instrução

Morador de Dacar, o engenheiro social Daouda Ndiaye visitou a ilhota a qual classifica porquê de grande influência, não só para o Senegal, mas para todo o continente africano.

“Levante lugar representa uma memória viva, um capítulo doloroso da história que é necessário preservar para que nunca seja esquecido”, diz à Sucursal Brasil.

“Permite-nos homenagear os milhões de pessoas que sofreram e transmitir esta história às gerações futuras, para que possam aprender com ela”, completa.

Para o visitante, a ilhota é um espaço de “memória, reflexão e de instrução”.

“Visitar levante lugar convida a uma profunda consciência das consequências humanas da escravatura e da influência de tutorar a pundonor humana em todo o mundo”, conclui.

 


Estudantes visitam Ilha de Gorée. Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
Estudantes visitam Ilha de Gorée. Foto: Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil

Estudantes visitam a Ilhéu de Gorée – Foto: Bruno de Freitas Moura/Sucursal Brasil

Além de memória viva, Gorée é uma sala de lição a firmamento acessível. Ao longo do dia, excursões com centenas de alunos de escolas do Pesquisar desbravam a ilhota, transformado o turismo em instrução, porquê sugere Daouda Ndiaye.

Desses grupos de crianças e adolescentes saem os sons de animação e alegria que atualmente fazem segmento da trilha sonora da ilhota, substituindo o sofrimento que tomava conta de Gorée séculos detrás.

*O repórter viajou a invitação do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Exterior.

Fonte EBC

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