A cinco meses do Congresso eletivo da Fifa, a Uefa e seu presidente, Aleksander Ceferin, ainda não conseguiram encontrar um candidato para enfrentar Gianni Infantino, que, embora fragilizado, parece, por enquanto, em condições de permanecer no missão.
A crise desencadeada por Infantino logo posteriormente a Despensa do Mundo, com seu projeto abortado de geração de uma empresa mercantil oportunidade a investidores privados, denominada Fifa Forward Entreprise (FFE), convenceu a Uefa de que havia chegado o momento de tentar pôr termo ao reinado do ítalo-suíço, iniciado em 2016.
Mas ainda falta um passo: encontrar a pessoa adequada para reunir suporte suficiente de uma oposição crescente e desbancar aquele que Ceferin chamou de “imperador” em 29 de setembro, durante a Plenário Universal da Associação Europeia de Clubes.
Apesar das negociações nos bastidores e da frente unida formada pelas confederações europeia (Uefa), norte-americana, centro-americana e caribenha (Concacaf) e asiática (AFC), essas articulações não deram resultado até o momento.
E o tempo é limitado, já que o prazo para a apresentação de candidaturas termina em 18 de novembro.
Esse candidato não pode ser europeu, pois isso despertaria suspicácia no restante do mundo diante de uma tomada de controle da Fifa pela poderosíssima e riquíssima Uefa, o que eliminaria qualquer possibilidade de eleição.
Sem chances para um europeu
É nesse sentido que deve ser interpretada a decisão de Aleksander Ceferin de não desafiar pessoalmente Infantino, já que o esloveno, por outro lado, está sendo pressionado por seus aliados a concorrer à própria reeleição no próximo ano.
“Um europeu não teria nenhuma chance”, confirmou uma nascente próxima às instâncias mundiais.
A teoria, portanto, era escolher alguém próximo a Ceferin, porquê o canadense Victor Montagliani, presidente da Concacaf, que reúne 35 federações da América do Setentrião, da América Médio e do Caribe.
O canadense parece querer o missão, mas unicamente a partir de 2031, quando Infantino já não puder mais se candidatar.
“É o nosso candidato ideal. Preenche todos os requisitos. Não é europeu e pode atrair bastante gente. Fez muito pelo desenvolvimento do futebol, sobretudo o feminino”, explicou uma nascente próxima à Uefa.
O precedente de Blatter
No entanto, a opção Montagliani parece ter perdido força. O canadense ainda não lançou sua candidatura, enquanto se aproxima o Congresso eletivo da Concacaf de 2027, no qual poderá tentar um novo procuração.
Outro nome capaz de enfraquecer Infantino, o presidente do Paris SG, Nasser Al-Khelaïfi, retirou-se da disputa ao declarar que não tinha “nenhum interesse na Fifa”.
Ao mesmo tempo, seria difícil para ele contrariar a federação do Qatar, que já manifestou suporte a Infantino.
A opção de estribar a candidatura do bareinita Salman bin-Ebrahim al-Khalifa, derrotado por Infantino em 2016, também não parece ser a favorita.
“Ele já foi derrotado em 2016, não tem nenhuma chance”, avaliou a nascente próxima à Uefa.
Em resumo, ninguém desponta no horizonte, enquanto o presidente da Fifa continua percorrendo o mundo em procura de suporte.
“De qualquer forma, Infantino será eleito”, prevê uma nascente próxima às instâncias mundiais.
“A teoria é, na verdade, mudar a governança para que Infantino tenha cada vez menos poder. Caso contrário, estaremos todos mortos”, acrescentou a nascente.
Reforma da governança
A mensagem, ao que parece, já foi recebida: em meados de setembro, Gianni Infantino propôs às 211 federações filiadas à Fifa uma “consulta” para reformar o funcionamento da entidade, prometendo, uma semana depois, uma melhor redistribuição do verba às federações nacionais.
Apesar da privação de um candidato capaz de enfrentar Infantino durante o Congresso eletivo previsto para 18 de março de 2027, em Rabat, a Uefa não desiste de sua tentativa de se livrar do dirigente ítalo-suíço.
“Lembrem-se do que aconteceu com Sepp Blatter. Ele havia sido reeleito, em 2015, e caiu poucos dias depois. E por justificação de uma questão judicial”, afirmou uma nascente próxima à entidade europeia.
Nesse sentido, a Uefa recorreu à Justiça da Flórida para obrigar as filiais norte-americanas da Fifa a lhe entregar uma série de documentos relativos ao projeto FFE, com vistas a um provável processo contra Infantino na Justiça suíça por “gestão desleal”.
“Não será por meio das autoridades esportivas que isso será resolvido e que ele cairá. Acredito que, se a Uefa quiser derrubar Infantino, será por meio da Justiça”, previu, em agosto, o ex-chefe do futebol europeu Michel Platini.





