Sydney (Austrália)
| Reuters
A OpenAI e a Anthropic disseram ao Parlamento da Austrália nesta terça-feira (6) que apoiariam leis que as obrigassem a falar violações de dados realizadas por seus agentes de IA, reconhecendo que, atualmente, a decisão de notificar as autoridades fica a critério das próprias empresas.
As declarações ocorrem posteriormente uma vaga de indignação provocada pelo indumento de a OpenAI, criadora do ChatGPT, ter levado três meses para informar o governo australiano de que um de seus agentes havia invadido o principal portal de saúde do país.
Um número crescente de australianos também pede regras mais rígidas para data centers de IA e para a proteção de direitos autorais diante da lucidez sintético, enquanto o governo do primeiro-ministro Anthony Albanese trabalha em novas leis para regulamentar o setor.
Diretores da OpenAI prestam depoimento no Parlamento da Austrália
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Hollie Adams/Reuters
Tanto a OpenAI quanto a Anthropic, criadora do Claude, aguardam autorização para grandes data centers planejados por desenvolvedores na Austrália, nos quais concordaram em ser as principais compradoras de capacidade computacional.
“Apoiaríamos uma estrutura de divulgação obrigatória”, afirmou Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, durante uma audiência em Sydney.
Quando a OpenAI tomou conhecimento da invasão do site australiano de saúde e de outros três sites do governo, “estávamos tentando definir um processo, fabricar um padrão a ser aplicado”, disse Kwon à percentagem de interrogatório. Na sessão, a criadora do ChatGPT voltou a pedir desculpas pela invasão.
“Essa é uma função que uma medida permitido pode exercitar. Os representantes da sociedade precisam tomar mais decisões, para que não sejamos nós a tomar todas elas”, comentou.
A Anthropic também registrou vários incidentes nos quais seus agentes realizaram ataques cibernéticos. David Masters, responsável pelas políticas da empresa para Austrália e Novidade Zelândia, também disse à percentagem que a companhia estaria ocasião a leis australianas que obrigassem empresas de IA a falar violações de dados.
Nos Estados Unidos, foi apresentada uma proposta de lei federalista que obrigaria empresas de IA a informar comportamentos perigosos, uma vez que tentativas de evadir da supervisão humana. No entanto, atualmente não existe um sistema de notificação de incidentes que, de modo universal, obrigue as empresas a publicar comportamentos perigosos de IA quando descobertos.
CRIADORES DE CONTEÚDO REAGEM
O vice-primeiro-ministro da Austrália, Richard Marles, afirmou que o cofundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, não mencionou a invasão do sistema Medicare quando os dois se reuniram no início de setembro. Kwon, porém, disse à percentagem que Altman não sabia da violação naquele momento, embora outras pessoas na empresa já tivessem conhecimento dela.
“Concordo que o processo pelo qual as pessoas dentro da nossa empresa tomaram conhecimento desse incidente poderia ter sido muito melhor, e queremos prometer que alguma coisa assim não volte a intercorrer”, avaliou Kwon.
David Orr, encarregado de salvaguardas da Anthropic, disse que sua empresa vinha conduzindo uma “investigação longa e aprofundada” desde que um agente da OpenAI invadiu o portal para desenvolvedores de IA Hugging Face, em meados de 2026, e que não encontrou violações de sistemas do governo australiano.
Durante a audiência, criadores de teor australianos se opuseram às tentativas das empresas de IA de flexibilizar as leis de direitos autorais, que atualmente obrigam as companhias de tecnologia —em sua maioria sediadas no exterior— a negociar acordos de licenciamento antes de usar esse material no treinamento de modelos.
Segundo reportagens recentes da prensa lura, o governo australiano estaria considerando uma cláusula de “opt-out” para empresas de IA, o que, na prática, lhes daria entrada ao teor, a menos que o detentor dos direitos se opusesse.
Mas isso “transfere o ônus para os detentores dos direitos”, afirmou Kate Gilchrist, encarregado de teor e operações jurídicas da emissora pública Australian Broadcasting Corporation.
“Não temos uma vez que vasculhar a internet e prometer que estejamos recusando a utilização em todos esses sites”, disse ela. “O sistema de direitos autorais é plenamente adequado para mourejar com a atividade da IA.”
A percentagem tem audiências programadas até 9 de outubro, e o relatório final deverá ser apresentado em 30 de novembro.





