Ira Sachs filma conversa íntima em ‘O Dia de Peter Hujar’ – 20/05/2026 – Ilustrada
Em 1974, a escritora Linda Rosenkrantz teve uma teoria para um livro —pedir para seus amigos que contassem, em detalhes, tudo o que haviam feito no dia anterior. A teoria do volume não foi para a frente, mas ela conseguiu, ao menos, o prova de um deles, o fotógrafo Peter Hujar, publicado logo pelos retratos de personalidades da cena queer de Novidade York.
Em 19 de dezembro daquele ano, Hujar descreveu suas atividades no dia anterior —porquê tirar um retrato do poeta beat Allen Ginsberg para o The New York Times e dar diversos telefonemas, incluindo um com a autora Susan Sontag. A conversa, publicada em 2021, inspira um dos trabalhos mais recentes do diretor Ira Sachs, “O Dia de Peter Hujar”, que chega nesta sexta (22) à Mubi.
Sachs segue o concepção do livro ao pé da letra, e filma a conversa entre os amigos —vividos por Rebecca Hall e Ben Whishaw—, enquanto fumam e tomam chá no apartamento do fotógrafo.
“O espaço e a luz criam o significado da história. Basicamente, precisava gerar um movimento para que o filme não ficasse plano, fosse eles falando sobre Bette Davis e Joan Crawford na leito, ou sobre a sentimento de uma retrato no terraço ao entardecer”, diz Sachs.
Rodado em película de 16 mm, o longa traduz a intimidade de um quotidiano, ao mesmo tempo que capta o zeitgeist dos anos 1970. É um filme experimental, de um cineasta queer que gosta de transgredir —seu filme anterior, “Passagens”, mostrava um triângulo amoroso bissexual entre várias cenas de sexo.
Em paralelo, Sachs exibe agora, no Festival de Cannes, “The Man I Love”, um músico ambientado na Novidade York dos anos 1980, estrelado por Rami Malek. É um dos poucos representantes dos Estados Unidos no festival francesismo, ao lado de “Paper Tiger”, de James Gray.
Apesar de tanto “Peter Hujar” porquê “The Man I Love” se passarem em décadas passadas, o cineasta se diz avesso à nostalgia. “Houve mudanças terríveis em Novidade York. Mas existem coisas que continuam a subsistir e que me permitiram fazer filmes porquê estes. Ambos fazem secção da história da cidade, têm a ver com a verdade econômica sítio e, mormente, com a epidemia de Aids. Para mim, estes filmes estão no presente”, afirma. “Acho nostalgia alguma coisa repulsivo, não quero voltar para trás.”
A certa profundidade de “O Dia de Peter Hujar”, Sachs põe seus personagens para dançarem ao som de “Hold Me Tight”, de Tennessee Jim, antes de trinchar a música abruptamente no meio da cena.
“A teoria de trinchar a música foi do meu montador, o [brasileiro] Affonso Gonçalves. Para mim, isso abria as possibilidades de uma história que ficava no ar. Quanto à escolha da música, eu estava dirigindo e, de repente, a música tocou. Eu tenho uma playlist com várias canções que eu acho cinemáticas”, diz o diretor.
“O mesmo aconteceu em ‘The Man I Love’, inspirado na forma porquê [Rainer Werner] Fassbinder usa canções americanas populares que criam esse sentimento de saudade e de prazer. Sabia que havia uma possibilidade de o público permanecer cansado com esse material [de duas pessoas falando], logo a cena de dança se tornou uma maneira de gerar intimidade.”
O filme é todo construído ao volta de diálogos longos, mas Sachs diz que não prestou muita atenção nisso enquanto filmava. “Tento gerar uma linguagem puramente visual, que inclui porquê as pessoas falam. Toda vez que tentei fazer alguma coisa fundamentado em diálogos, não funcionou. A imagem precisa recontar alguma coisa por conta própria”, afirma, elogiando o trabalho da dupla de atores.
“O filme é um diálogo sobre muitas coisas, incluindo a natureza de se fazer arte e o lugar de incerteza nessa geração. Tem dois temas centrais sobre os quais Hujar fala: o verba em relação ao seu trabalho e se ele havia feito um bom retrato de Allen Ginsberg. Seu uniforme questionamento sobre a qualidade do trabalho foi o que mais me interessou no filme. Uma vez que artista, eu sempre tenho dúvidas”, diz Sachs.
“Não é qualquer um que consegue segurar tanto diálogo e ainda torná-lo interessante. Ben [Whishaw] faz um trabalho sumptuoso para torná-los vivos”, afirma o cineasta. “Prefiro me esquivar de grandes elogios em relação a habilidades artísticas, mas, neste caso, tanto Peter, porquê contador de histórias, quanto Ben, porquê ator, são poderosos de forma incomum.”





