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Jerry Gogosian, morta em São Paulo, vinha fazendo aquarela
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Jerry Gogosian, morta em São Paulo, vinha fazendo aquarela – 07/06/2026 – Ilustrada

A artista americana Hilde Lynn Helphenstein, conhecida nas redes sociais uma vez que Jerry Gogosian, foi encontrada morta no hotel de luxo Rosewood, em São Paulo, no último domingo, ao lado de comprimidos e perto de uma garrafa de vodca, segundo o boletim de ocorrência.

Helphenstein, que veio ao país para fazer uma cirurgia plástica, enfrentava problemas com depressão e alcoolismo, embora estivesse se mantendo sóbria havia um tempo, afirma o galerista Thiago Gomide, que a conheceu pela internet há oito anos.

Os dois saíram para jantar no restaurante Spot, perto da avenida Paulista, no início do mês pretérito, poucos dias depois da chegada dela à cidade. “Hilde disse que faria a cirurgia plástica cá porque soube que era um lugar de bons cirurgiões. Disse que encontrou um online. Não estendi muito esse ponto”, diz Gomide.

O cirurgião que ela encontrou é Jonathas Aquino, que comanda uma clínica no bairro de Moema. A reportagem tentou contato com ele pelo WhatsApp da clínica, nesta sexta-feira, e uma recepcionista respondeu que ele não estava presente. Em visitante à clínica, a reportagem foi barrada pela recepção do prédio porque não havia agendado uma consulta. Aquino também não retornou os contatos feitos por email até o momento da publicação.

Segundo o boletim de ocorrência, o cirurgião disse aos gerentes do hotel que dias antes havia socorrido Helphenstein numa Unidade de Pronto Atendimento por razão de uma provável overdose.

Questionados pela reportagem nesta sexta-feira, funcionários do Rosewood não falaram sobre o ocorrido, pedindo que o contato fosse feito por email com a equipe de marketing.

Em resposta, o hotel se limitou a reenviar a nota que havia mandado à prensa no dia da morte, em que diz que “desde a constatação do ocorrido, tem prestado totalidade colaboração às autoridades competentes, fornecendo prontamente todas as informações solicitadas para facilitar na apuração dos fatos” e que não vai dar mais detalhes sobre o caso.

“Hilde sempre teve problemas com álcool, mas ficou sóbria no tempo de casada. Estava se tratando. Tinha questões de depressão e sofreguidão também”, diz o galerista.

A consultora de arte Carolina Cataldi Pedrosa, amiga de Helphenstein desde o ano pretérito, conta que a artista se dedicou à pintura com aquarela nos últimos meses, reservando quatro horas diárias ao ofício.

“Às vezes, ela mandava mensagem para mim no WhatsApp para ter meus palpites e trocar uma teoria. Sua última mensagem foi com um vídeo da aquarela que ela estava pintando, dois dias antes de morrer. Até o termo, estava focada em seu trabalho.”

Gomide confirma que a pintura havia mesmo voltado a ser uma espécie de refúgio para a artista, saída pelo divórcio ainda recente.

Helphenstein ficou conhecida no mundo da arte pelo jeito agudo com que satirizava o meio, principalmente com vídeos e memes nas redes sociais. Em 2019, ela disse, em entrevista a nascente jornal, que tinha “espiões no mundo todo”, que a mantinham sempre informada sobre escândalos sexuais, acordos internos entre galerias e listas de preços que movem o mundo das artes.

“Ela não hesitava em falar em voz subida o que todos exclusivamente ousavam pensar. O olhar dela sem filtro sobre o mercado era único e ela teve grande impacto sobre a forma uma vez que olhamos, consumimos e falamos de arte”, diz Pedrosa, por email.

Em vídeo publicado no termo de maio no Instagram, plataforma em que tem 157 milénio seguidores, Helphenstein compartilha uma recomendação bem-humorada sobre autoestima. Sentada à mesa no que parece ser um dos restaurantes do hotel Rosewood, ela brinca que gostaria de levar uma vida olhando o mar, se preocupando só com problemas típicos dos muito ricos. “Espero que você tenha um ótimo termo de semana. Eu sei que vou ter. Estou no Brasil.”

A influenciadora incentivou os seguidores a se produzirem, investirem em maquiagem e acessórios elegantes e incorporarem uma versão mais sofisticada de si mesmos. “Dizem que você não deve se vestir para o trabalho que tem, mas para o trabalho que deseja ter”, afirma na postagem.

Em um vídeo anterior, Helphenstein questiona se alguém estaria disponível para ir com ela até a pizzaria Bráz, a sua preferida na cidade. Ela ficou hospedada no bairro de Moema, num apartamento alugado pelo Airbnb, antes de ir ao Rosewood, afirma Gomide, o galerista.

No site de sua clínica, Jonathas Aquino diz ser técnico em cirurgia plástica, membro da sociedade brasileira de cirurgia plástica e secção da International Society of Aesthetic Plastic Surgery, a principal associação internacional de cirurgiões dessa especialidade. Nas redes sociais, Aquino publica vídeos em que explica conceitos da profissão.

Colaborou João Rabelo



Folha

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