Vistos de última hora e mudança de centro de treinamento: a trajetória do Irã rumo à Copa do Mundo – 07/06/2026 – Esporte
Quando o Irã se classificou para a Despensa do Mundo em 25 de março de 2025, poucos poderiam imaginar os desafios que estavam por vir.
Mais de um ano depois, a participação do Irã se tornou uma das mais complexas do torneio. A seleção iraniana deve jogar em um país anfitrião, os Estados Unidos, cujos ataques militares conjuntos com Israel mataram o líder supremo do Irã e desencadearam um conflito que ainda está em curso.
Neste domingo (7), o Irã lançou ataques a mísseis contra o setentrião de Israel, depois as Forças de Resguardo israelenses atacarem o sul de Beirute, no Líbano. Depois dos ataques, o ministro da Segurança Vernáculo de Israel, Itamar Ben-Gvir, afirmou em uma postagem nas redes sociais que Teerã “deve queimar”.
Sob essa sombra de guerra, a seleção iraniana de futebol enfrentou inúmeros desafios, incluindo onde ficariam hospedados durante o torneio e se conseguiriam vistos para os EUA.
A saga dos vistos
O Irã foi uma das primeiras seleções a se qualificar para o torneio, e os vistos americanos para os jogadores só foram aprovados na sexta-feira (5).
No entanto, os vistos foram negados para vários membros da percentagem técnica, incluindo o presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj.
O Departamento de Estado dos EUA informou à BBC que os vistos necessários para o Irã competir na Despensa do Mundo, incluindo os dos jogadores e da equipe de escora forçoso, foram emitidos.
Mas, acrescentou que não permitiria que a seleção iraniana “abusasse desse sistema para infiltrar terroristas nos Estados Unidos sob falsos pretextos”.
O legado do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, afirma que a seleção pátrio foi notificada de que, de congraçamento com as condições de seus vistos, os jogadores devem entrar e transpor do território americano no mesmo dia de suas partidas.
O Irã transferiu seu núcleo de treinamento para a Despensa do Mundo dos Estados Unidos para Tijuana, no México, em meio à guerra e depois a Fifa legalizar a mudança. A equipe havia planejado originalmente permanecer baseada em Tucson, no Arizona.
Os três jogos da período de grupos do Irã serão disputados nos Estados Unidos: contra a Novidade Zelândia e a Bélgica, em Los Angeles, e contra o Egito, em Seattle.
Mais de 40 anos de tensão
As relações entre Irã e EUA têm sido hostis por mais de quatro décadas. Desde a tomada da embaixada americana em Teerã e a crise dos reféns que se seguiu em 1979, os dois países não mantêm relações diplomáticas formais.
O futebol tem sido, muitas vezes, uma das poucas oportunidades para um contato direto entre os dois países.
O encontro mais famoso ocorreu na Despensa do Mundo de 1998, na França, quando o Irã derrotou os Estados Unidos por 2 a 1 em uma partida carregada de enorme simbolismo político. Apelidada por alguns de “Mãe de Todos os Jogos” devido ao contexto político, a partida atraiu atenção global e se tornou um dos jogos mais memoráveis da história da Despensa do Mundo.
Antes do início da partida, os jogadores iranianos presentearam seus colegas americanos com rosas brancas porquê um gesto de sossego, em um momento amplamente visto porquê transcendente à política.
As duas equipes se encontraram novamente na Despensa do Mundo de 2022, no Qatar, onde os Estados Unidos venceram por 1 a 0 e avançaram para a período eliminatória.
A possibilidade de um encontro entre Irã e EUA ainda durante o torneio de 2026 também aumenta o interesse. Com o formato expandido da Despensa do Mundo, as duas seleções poderiam se enfrentar na período eliminatória. Tal partida teria um significado muito além do futebol, dada a guerra entre os dois países.
Futebol unia o Irã —agora, não mais
Em meio aos problemas logísticos, a relação entre a seleção pátrio de futebol e setores da população iraniana parece mais complexa do que em torneios anteriores.
A seleção pátrio tem sido tradicionalmente uma das poucas instituições capazes de gerar escora que transcende as divisões políticas e sociais. Durante as Copas do Mundo de 2014 e 2018, a equipe atraiu grande escora de torcedores de todo o espectro político.
Isso mudou antes da Despensa do Mundo de 2022 no Qatar, que ocorreu em meio a protestos em todo o país depois a morte sob custódia policial da jovem Mahsa Amini e a repressão das autoridades contra os manifestantes.
A equipe se viu no núcleo de um debate político, com alguns iranianos esperando que os jogadores demonstrassem solidariedade aos manifestantes e outros insistindo que o futebol deveria permanecer separado da política.
A Despensa do Mundo de 2026 acontece exclusivamente seis meses depois uma grande repressão a protestos anti-regime no Irã, durante a qual grupos de direitos humanos afirmam que milhares de pessoas foram mortas.
Alguns torcedores continuam a ver a equipe porquê um símbolo de orgulho pátrio, independentemente da política. Outros têm se tornado cada vez mais críticos, argumentando que a equipe está muito associada às instituições estatais e não deve ser vista separadamente do establishment político do país.
Isso não significa que o escora à seleção iraniana tenha sumido. O futebol continua sendo, de longe, o esporte mais popular do Irã e milhões de pessoas devem escoltar o desempenho da equipe na América do Setentrião.
Mas, enquanto o Irã se prepara para mais uma Despensa do Mundo, o nível de consenso pátrio que antes acompanhava os grandes torneios parece menos claro do que no pretérito.
Em campo, o Irã espera entender alguma coisa que nunca conseguiu antes.
Apesar de ter se classificado para sete Copas do Mundo, nunca passou da período de grupos. O formato expandido com 48 equipes oferece novas oportunidades, e o Irã acredita que chegar às oitavas de final é um objetivo alcançável.
Se o futebol continuará sendo o matéria principal é outra questão.
As Copas do Mundo muitas vezes refletiram as realidades políticas de sua era. No entanto, é difícil lembrar de outra seleção que tenha chegado a um torneio sob uma combinação tão grande de isolamento diplomático, tensões militares, incerteza quanto aos vistos e separação política entre setores de sua própria torcida.





