O Jesus histórico e o Cristo da fé (o Jesus Deus) não são a mesma pessoa. O Jesus histórico foi “somente” um “entusiasta apocalíptico, um curandeiro e um rabino carismático”, que morreu na cruz uma vez que inimigo de Roma, segundo o historiador Geza Vermes.
Porquê segmento dessa figura histórica, será também precípuo saber o contexto religioso no qual se deu o promanação desse movimento apocalíptico divulgado uma vez que o judeu-cristianismo, em Israel do século 1º.
Porquê uma dessas fontes contextuais, o historiador David Flusser descreverá de forma primorosa uma vez que a seita conhecida uma vez que os “qumranitas” —criadores dos famosos manuscritos do mar Morto, encontrados nas cavernas de Qumran, em Israel, na segunda metade do século 20—, influenciaram muitas das ideias cristãs. Os “qumranitas” já existiam antes do promanação de Jesus e dele foram contemporâneos, assim uma vez que dos primeiros anos da igreja de Jerusalém.
Entre outras, ideias uma vez que os filhos da luz versus os filhos das trevas, dos “qumranitas”, serão essenciais para a concepção de predestinação da perdão no cristianismo, assim uma vez que a certeza possante de que o termo do mundo se aproximava, uma vez que acreditava Jesus, e que se manterá uma vez que marco escatológico da expectativa cristã do retorno de Cristo.
O Cristo da fé —pedra fundamental do cristianismo uma vez que religião histórica— será uma construção social levada a cabo por personagens uma vez que Paulo de Tarso, João, o evangelista, e Lucas, o evangelista —que provavelmente escreveu o “Ato do Apóstolos”, texto que narra os dias de Jesus na Terreno posteriormente sua ressurreição e os primeiros anos da nascente igreja cristã, principalmente personagens uma vez que Paulo e Pedro. E, finalmente, será também fundamental o Concílio de Niceia em 325 d.C., com suas discussões acerca da substância divina e humana de Cristo.
As cartas de Paulo estabelecerão que Jesus é o Cristo (o messias) que venceu a morte, o salvador universal da humanidade, e não unicamente um messias judeu para os judeus.
Outra nascente que construirá o Cristo da fé será o famoso prólogo do evangelho de João que, ao declarar que “no princípio era verbo [logos], e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus” e mais adiante “e o verbo se fez mesocarpo e habitou entre nós”, fundou a cristologia uma vez que a ciência que estuda o caráter divino, pré-existente de Jesus, o Cristo.
Esse caráter pré-existente de Cristo implica que o Cristo da fé já existia uma vez que espírito antes da geração milagrosa do seu corpo no ventre de Maria. Portanto, ele é incriado. Nele, zero há de “material de indivíduo”, uma vez que afirmará acerca de si mesma, posteriormente a união plena com Deus, a mística herético Marguerite Porete, queimada em Paris em 1º de junho de 1310.
Em 325 d.C., o Concílio de Niceia afirmará, definitivamente, esse Cristo da fé uma vez que sendo aquele que tem a mesma substância do Pai, o Deus de Israel. Jesus será, a partir de portanto, Deus, e o cristianismo uma religião teologicamente unificada. O imperador Constantino foi quem chamou esse concílio dos bispos e dele participou.
Portanto, ao longo desse processo, serão construídas as bases do personagem de Cristo, não somente do personagem do judeu Jesus, o vate apocalíptico que, por si, não sustentaria a religião cristã.
Nesse sentido, reflete Joseph Ratzinger, o papa Bento 16, no seu “Jesus de Nazaré” que, sem o Cristo da fé, o cristianismo teria permanecido uma vez que mera heresia judaica, condenada a vanescer por conta da morte de seu vate, Jesus, e do parco reconhecimento que ele teve entre seus conterrâneos judeus, uma vez que o esperado messias. Noutras palavras, o cristianismo não teria vingado.
Ratzinger não pretende com isso negar a influência do estudo histórico e crítico dos textos que servirão uma vez que nascente do cristianismo. Muito pelo contrário, a religião cristã, assim uma vez que sua “avito”, o judaísmo, são religiões para as quais a sustentação histórica é pedra fundamental para sua existência enquanto religião.
Isto é, crer na historicidade das narrativas do Velho Testamento, ou Bíblia hebraica, e do Novo Testamento é precípuo para a certeza teológica de que o Deus único não só escolheu seu povo eleito e se envolveu na história deles, os judeus, uma vez que encarnou num deles, o Jesus de Nazaré.
Esta semana é a Semana Santa, na qual os cristãos celebram a paixão e a ressurreição de Cristo. Nesta mesma semana é Pessach, a Páscoa judaica, em que os judeus celebram a fuga da escravidão no Egito. Jesus, o judeu, celebrava nascente mesmo Pessach na noite que mais tarde ficou conhecida uma vez que a Santa Ceia. Boa Páscoa a todos.
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