Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Julia Guedes, neta de Beto Guedes, lança primeiro disco
Celebridades Cultura

Julia Guedes, neta de Beto Guedes, lança primeiro disco – 30/08/2026 – Ilustrada

Julia Guedes passou anos tentando responder a uma pergunta que, para ela, parecia inevitável: uma vez que erigir uma identidade própria quando a música já faz secção do sobrenome? Neta de Beto Guedes, um dos nomes ligados ao Clube da Esquina, a cantora e compositora mineira lança seu primeiro álbum, “Vermelho”, depois de um processo que começou uma vez que tentativa de se distanciar do legado familiar e que terminou uma vez que uma forma de incorporá-lo.

Mineira, ela decidiu gravar o disco no Rio de Janeiro. A mudança começou uma vez que uma façanha profissional. Mas, hoje, ela entende o deslocamento de Belo Horizonte para o Rio uma vez que um gesto de emancipação.

Longe de sua cidade e de um envolvente músico em que sua família ocupa lugar medial, Julia passou a buscar outras referências, pessoas e cenários. “Eu fui na promessa de um produtor de lá de que a gente gravaria junto o álbum, eu cheguei lá, ele sumiu, me deu um ghosting”, conta. O contratempo acabou contribuindo para que ela encontrasse outro caminho para o disco.

A intervalo também fez com que a cantora olhasse de outra maneira para a própria origem. “Eu fui para o Rio de Janeiro para eu principiar a perceber meu sotaque”, diz. A experiência de ser identificada uma vez que mineira longe de vivenda produziu nela uma espécie de reconexão.

O resultado dessa negociação aparece em “Álbum Vermelho”, que reúne referências do Clube da Esquina e de artistas contemporâneos. “Eu sempre penso quando perguntam que gênero de música eu faço, eu falo que eu faço música mineira”, diz. No disco, Beto Guedes divide espaço com Wagner Tiso, também secção do Clube, e artistas da novidade geração, uma vez que Dora Morelenbaum, criando um diálogo entre diferentes momentos da música brasileira.

Júlia cresceu sabendo que Beto era músico, mas muitos de seus familiares, tanto por secção de mãe, uma vez que de pai, também eram —um avô músico era proveniente na dinâmica familiar. Foi só na puberdade que ela entendeu a dimensão de sua obra e a valor do Clube da Esquina. Durante a pandemia, mergulhou na discografia do movimento e nas histórias de seus integrantes.

Foi nesse processo que, segundo ela, também encontrou a própria voz. “Meu vô, ele é meu vô querido, mas ele também é o meu ídolo da vida, meu maior ídolo de todos”, afirma.

O disco termina com uma homenagem ao avô, completando uma espécie de ciclo familiar. A cantora repete um hábito de Beto, o de fechar seus discos com uma formação de Godofredo Guedes, bisavô de Julia, e encerra com “A Página do Relâmpago Elétrico”, filete que abre o primeiro disco de Beto.

As canções seguem uma trajetória que não é exatamente linear, mas acompanha uma transformação. O álbum começa com um rock mais veemente, passa por reflexões sobre pânico, sonhos, sexualidade e o lugar da mulher e termina com uma reconciliação. “Eu vou fazendo as pazes com a minha hereditariedade”, resume.

Outra escolha do disco está na maneira uma vez que as músicas foram gravadas. Júlia optou por privilegiar os primeiros takes, sem o excesso de correções e edições que poderiam tornar as faixas mais próximas de uma sonoridade considerada perfeita. A decisão nasceu de uma limitação prática: o álbum foi viabilizado por financiamento coletivo e o orçamento permitia poucas horas de estúdio.

“Eu acredito muito na limitação uma vez que instrumento artística”, diz. A cantora afirma que queria preservar aquilo que poderia ser considerado imperfeito na realização dos músicos. “Vamos tutelar a manualidade das coisas, vamos tutelar a preciosidade e o que muita gente e máquinas considerariam uma vez que erro.” Para ela, a escolha também é uma reação à padronização da música produzida em ambientes cada vez mais tecnológicos.

A mesma lógica chegou à secção visual. Formada em design, Júlia participou da identidade gráfica do álbum, da direção criativa de fotos e clipes e do projeto visual do LP, que também integra seu trabalho de desfecho de curso.

A artista, porém, faz questão de colocar um limite nessa resguardo da precariedade. Ela reconhece que a falta de numerário não deve ser romantizada e que secção de sua trajetória só foi provável por condições que outras pessoas não tiveram. “Eu tenho plena consciência que eu já parto de um lugar privilegiado, de um sobrenome”, afirma.

É também nesse ponto que Júlia encara o rótulo de “nepo baby”. Em vez de rejeitar a sátira, ela reconhece que o nome Guedes abre portas.

Depois de uma dez compondo e quatro anos dedicada à construção do disco, Júlia agora deixa “Álbum Vermelho” evadir de suas mãos. O disco, diz ela, já não pertence somente ao artista. “Cada pessoa vai ouvir de combinação com a bagagem que tem, vai interpretar e colocar em lugares que não estão sob o meu controle.” O lançamento, por isso, é uma estreia. “Para mim parece que é um fechamento de ciclo, mas não, na verdade é o prelúdios.”

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *