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Juliana Rojas tem filmes revisitados em retrospectiva 23/09/2026
Celebridades Cultura

Juliana Rojas tem filmes revisitados em retrospectiva – 23/09/2026 – Ilustrada

Juliana Rojas foi uma petiz que se interessou pelo fantástico. Talvez fosse o fomento à imaginação que as narrativas do gênero traziam, ou talvez fosse a início ao mistério, que resiste a “um mundo cada vez mais racional”, porquê ela diz, em que “as coisas estão cada vez mais explicadas e mapeadas”.

Agora, aos 45 anos, Rojas já acumula mais de duas décadas de cinema —tempo que passou honrando essa paixão pela fantasia.

É nesse pausa entre retrospectiva e obra em construção que se concentra a mostra dedicada à diretora pelo Festival Cineastas de São Paulo, que começa nesta quinta (24) e segue até 30 de setembro no Espaço Petrobras de Cinema. O evento tem parceria com a Folha e ingressos por R$ 20 a inteira.

A programação reúne curtas, longas e episódios de séries, permitindo seguir desde seus primeiros trabalhos na faculdade de cinema até “Cidade; Campo”, seu longa mais recente, de 2024, premiado pela direção na mostra Encounters do Festival de Berlim.

Formada pela Escola de Notícia e Artes da Universidade de São Paulo, Rojas estreou na direção oficialmente em 2003, com “Notívago, e iniciou uma longa parceria com Marco Dutra, com quem realizou nove filmes —entre eles “Um Lençol Branco, de 2005, “As Sombras“, de 2009, “Trabalhar Cansa, de 2011, e “As Boas Maneiras, de 2017.

A dupla ainda ganhou o prêmio de melhor curta na Semana da Sátira de Cannes em 2007, por “Um Ramo. Em paralelo, Rojas construiu uma trajetória solo, que inclui o inusitado músico “Sinfonia da Necrópole, de 2014, que se passa em um cemitério, e “Cidade; Campo. Nascente último terá uma sessão gratuita na segunda (28), às 19h, seguida de debate com a diretora e Henrique Artuni, editor-adjunto da Ilustrada.

A programação permite observar diferenças e ideias recorrentes na filmografia, cuja perpetuidade acompanha a transformação da diretora. “Isso que é lícito de uma visão panorâmica, poder ver a consistência, mas ao mesmo tempo a progressão de um trabalho”, afirma.

O insólito aparece em sua obra não exclusivamente porquê recurso de gênero, mas porquê uma maneira de abordar experiências difíceis de transcrever pelo realismo. Segundo a diretora, o interesse vem da puerícia e transforma medos e desejos em metáforas. “É poder falar de maneira metafórica sobre questões que são profundamente humanas”, diz. “Ajuda a gente a elaborar muitas coisas que são complexas da nossa existência.”

É também uma forma de se contrapor a um mundo cada vez mais racionalizado. Para Rojas, histórias fantásticas abrem espaço ao que permanece sem explicação. “É um consolação você poder ter uma história que lide com o ignoto”, diz.

A fantasia, porém, não afasta seus filmes da verdade. Personagens femininas, relações familiares e afetivas, maternidade e trabalho aparecem repetidamente na filmografia. São Paulo também ocupa um lugar meão. Procedente de Campinas, no interno paulista, Rojas chegou a São Paulo para estudar cinema e a retrata porquê lugar de oportunidades, precarização e dificuldade de sobrevivência.

Relações de trabalho e encontros passageiros também são recorrentes. A mistura de horror, músico e comédia explica, segundo ela, as diferentes relações do público com os filmes.

Além dos longas, a retrospectiva reúne curtas e episódios das séries “Terrores Urbanos” e “Boca a Boca“, esta criada por Esmir Fruto.

O trajectória também expõe mudanças e limites do próprio cinema brasiliano. Rojas reconhece avanços na presença feminina nas escolas de cinema e na produção de curtas, mas afirma que o entrada diminui conforme aumentam o orçamento e a graduação das produções.

“Quanto maior o tamanho da produção, mais difícil é para você, porquê mulher, acessar”, diz. “É uma luta metódico para evitar retrocessos, para manter o pouco que a gente conquistou.”

Para Rojas, a mistura de gêneros produz leituras distintas, mais interessantes com o tempo. “Trabalhar Cansa, por exemplo, pode revelar ao público de hoje tanto questões que permanecem atuais quanto aspectos ligados ao período em que foi realizado.

É essa possibilidade de uma obra lucrar novos sentidos ao encontrar novas gerações que a diretora considera um dos principais atrativos da retrospectiva. “É muito lícito ver porquê um filme de décadas detrás repercute hoje num público que o assiste pela primeira vez.”

Programação

Curtas de 2003 a 2008 – ‘Vestida’, ‘Um Ramo’, ‘O Lençol Branco’, ‘Nenhuma Epístola para o Senhor Fernando’, ‘A Criada da Condessa’, ‘Notívago’

Qui. (24), às 19h

‘Sinfonia da Necrópole’ 

Sex. (25), às 19h; ter. (29), às 17h

Curtas de 2009 a 2017 – ‘A Passagem do Cometa’, ‘Desculpa, Dona Madama’, ‘Nascemos Hoje, quando o Firmamento Estava Sobrecarregado de Ferro e Veneno’, ‘O Duplo’, ‘Pra Eu Dormir Tranquilo’, ‘As Sombras’

Sáb. (26), às 11h

‘Trabalhar Cansa’ 

Sáb. (26), às 19h; qua. (30), às 17h

‘As Boas Maneiras’ 

Dom. (27), às 19h

‘Cidade; Campo’ 

Seg. (28), às 19h; sessão gratuita seguida de debate com a diretora

Série ‘Terrores Urbanos’, episódios 3 e 4

Ter. (29), às 19h

Série ‘Boca a Boca’, episódios 5 e 6

Qua. (30), às 19h, sessão gratuita

Folha

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