Justin Bieber: como apresentação inusitada gerou debate sobre shows pop e privilégio masculino

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Justin Bieber durante show no Coachella 2026
Reprodução/Meato do festival
O show de Justin Bieber no festival Coachella neste sábado (11), nos EUA, virou tema de uma ampla discussão em vários países. Tudo porque, mais para o final do show, o cantor teve uma atitude inusitada: pegou um notebook e começou a “trebelhar de karaokê”.
Com a tela do computador projetada no telão, Justin passeou pelo YouTube, abriu vídeos e clipes dele mesmo e cantou por cima. A “sessão nostalgia” teve recta a hits antigos, uma vez que “Baby” e “Beauty and the Beat”, que o músico cantou trechos e depois seguiu para outro vídeo.
Ele também brincou com um vídeo meio “trapalhadas” de quando ele era mais novo e, no término, até abriu alguns virais que não tinham zero a ver com ele.
Esse momento “diferentão” foi bastante incerto. Por um lado, a reinação fez fãs se sentirem mais próximos dele, relembrando momentos que ídolo e público viveram “juntos”. Já outros acharam que o momento pareceu despreparo ou descaso com o posto dele no festival.
Veja os vídeos que estão em subida no g1
Entenda uma vez que o show de Justin dividiu opiniões e as principais discussões em torno do matéria:
Teoria teve seus prós…
Justin começou a curso fazendo covers no YouTube e, graças a isso, conseguiu a curso que tem hoje: ele foi o principal fenômeno global da plataforma. Portanto, naquele momento, ele revisitou sua própria origem e trajetória, usando o mesmo envolvente do dedo que o consolidou.
A “sessão nostalgia” rendeu momentos emocionantes dele cantando junto consigo mesmo;
O momento tem a ver com a estética “crua” do disco mais recente dele, que é intimista e pessoal.
Ou por outra, ele levou uma linguagem de “live” e “react” para a vida real, interagindo com o chat da transmissão, fazendo piadas e mais.
Mas também teve contras:
O momento “improvisado” passou uma sensação de desleixo para uma secção do público, com momentos em que ele mesmo interrompia a música ou reclamava do wifi.
Se em alguns momentos ele parou para trovar, em outros, “gastou tempo” de show vendo virais que não têm zero a ver com ele;
Para uma apresentação de um headliner, esperava-se um show mais redondinho e cobiçoso, enquanto esse momento pode ter soado uma vez que descaso com o posto que ele ocupa.
A indústria músico costuma ser mais permissiva com homens que não capricham tanto em suas apresentações — enquanto isso, é vasqueiro ver artistas femininas fazendo um show despreparado.
Justin Bieber durante apresentação no Coachella
Divulgação
Show precisa ser um megaespetáculo?
Um dos principais pontos de discussão foi que o show pareceu “simples”, “preguiçoso”, enquanto outros defendem que não precisa ser um megaespetáculo — o que importa é a música.
Os dois argumentos têm seu fundamento. Um show (mesmo sendo de um artista pop) não precisa ser megalomaníaco e repleto de pirotecnias para ser bom.
E ao contrário do que muita gente acredita, o público não está sempre esperando fogos de artifício. De Adele a Billie Eilish, muitos artistas pop reúnem uma povaléu de fãs mesmo sem apostar naqueles shows com muita troca de roupa e jeitão Broadway.
Grandes cenários e estruturas não são obrigatórios, nem garantem maquinalmente a qualidade de um show. Até porque a pirotecnia (ou falta dela) tem que condizer com a proposta do artista e do repertório.
Justin Bieber canta ‘Yukon’ no Grammy 2026
REUTERS/Daniel Cole
A essa fundura, nenhum fã de Justin Bieber espera grandes coreografias ou estruturas, naquele molde de popstar (meio jovenzinho à la Michael Jackson) que ele já foi um dia. “Swag”, disco atual de Bieber, é um álbum minimalista que aposta no lo-fi, estética “imperfeita” que soa propositalmente artesanal.
A própria apresentação dele no Grammy reproduziu isso: de samba-canção e meias, o cantor cantou “Yukon” uma vez que se estivesse na sala de moradia.
Por outro lado, não é à toa que shows de headliners, hoje, costumam ser repletos de “enfeites”. Porque ocupar o maior posto de um festival é uma vez que virar CEO: você vai lucrar muito muito, mas espera-se que você honre o papel.
É simples que Justin Bieber, com uma curso de mais de uma dez e alcance mundial, seria um dos principais nomes do line-up. Mas isso não significa que ele não tenha uma “responsa” a mais justamente por ser headliner.
Principalmente porque, segundo a “Rolling Stone” americana, Bieber teria recebido o cachê mais dispendioso da história do festival (muro de US$ 10 milhões pelos dois shows, já que a programação do festival se repete no próximo término de semana).
Justin Bieber durante apresentação no Coachella
Redes sociais
Vale proferir que os trechos em que Justin brincou no YouTube foram uma fração menor da apresentação. Em outros momentos, ele passeou pelo palco grandioso e muito iluminado, levou convidados e por aí vai. Inclusive, dá pra ver que Justin andou vendo vídeos de shows antigos do Kanye West.
Ou seja, investimento teve: basta ver o belo palco por onde ele se movimentava. Mas na maior secção do tempo, ele cantou sozinho, sem filarmónica, sem tocar instrumentos… e ainda teve o momento YouTube mais para o final.
Portanto, será que foi o suficiente para um headliner? Para muitos, não — mexer no computador, ver memes e engatar um “karaokê” teria mostrado uma falta de esforço por secção de Bieber.
Privilégio masculino?
A outra discussão passa por uma questão de gênero. No próprio Coachella, Justin foi o único headliner masculino (Karol G e Sabrina Carpenter foram as outras atrações) e, notoriamente, o único tal qual show pareceu “preguiçoso”.
Por um lado, as propostas dessas artistas são muito diferentes… mas por outro, novamente, Bieber teria feito a apresentação mais rosto do evento. O show refletiu o investimento?
Essa disparidade não é novidade para quem acompanha a indústria músico. Artistas masculinos heterossexuais têm um histórico de se destinar muito menos do que as mulheres, porque o público e a mídia não cobram tanto deles quanto delas. Os shows de artistas femininas raramente são desleixados: uma vez que é geral entre grupos menos privilegiados, mulheres tendem a fazer de tudo para provar que merecem estar onde estão — mesmo já sendo consolidadas.
Beyoncé no festival Coachella, em icônico show denominado ‘Beychella’, em 2018
Divulgação / Site solene da cantora
Artistas de diversos estilos fazem coro a esse sentimento: na internet, muitos lembraram de uma fala de Anitta nos bastidores de um show. “Se eu fosse varão, poderia entrar com uma calça jeans, uma rosto de c*, blusa branca, e ninguém ia falar zero. Agora, [sendo] mulher, a gente tem que entregar tudo e mais um pouco, e ainda reclamam”.
Ao g1, a rapper Ebony já criticou a falta de investimento visual e performático dos artistas masculinos em shows. “O problema é que rappers homens não fazem espetáculos. Vou trespassar de moradia pra ver um rosto com um microfone e um sonho exclusivamente?”, disse.
Será que uma mulher seria criticada se fizesse um tanto parecido com Justin Bieber… ou se apostasse em, assim uma vez que ele, fazer um show de moletom e bermuda, sem pirotecnias, muitos instrumentos ou momentos coreografados? Não dá para proferir ao visível.
Mas o indumento é que, mesmo ganhando menos que Bieber, nenhuma delas neste festival o fez.

Fonte G1

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