K-pop de Hwasa agita o Rock in Rio com alerta de calor – 11/09/2026 – Ilustrada
Na estreia do k-pop no Rock in Rio, nesta sexta-feira, Hwasa segurou uma plateia inteira sozinha. A cantora foi a segunda a se apresentar no palco Mundo e mostrou um lado dissemelhante do pop da Coreia do Sul —sexy e com vocal potente.
Antes do show estrear, às 19h, um aviso nos telões pedia para o público dar alguns passos para trás para que a apresentação continuasse. Com a aglomeração —sobretudo pela proximidade do show do headliner Stray Kids, à 0h05—, pessoas próximas ao palco passaram mal por motivo do calor. Mais cedo, o tempo era fresco, e a chuva poderoso da manhã deu uma trégua.
Em meio a isso, o principal passeio de circulação do Rock in Rio, que liga a ingressão aos palcos Mundo e Sunset, tem apresentado problemas de circulação de público.
Apesar de não ser o dia mais referto da atual edição do festival —ainda havia entradas disponíveis até o início da tarde—, o público tem dificuldade de se transmitir por conta da quantidade de pessoas sentadas nos espaços de deslocamento. Famílias espalharam cangas pelo gramado e também pelos corredores de circulação.
Hwasa encheu o gramado do festival carioca e trouxe um contraste ao Nexz, boyband que apresentou antes um k-pop mais tradicional, com músicas animadas acompanhadas de coreografias sincronizadas e visual matizado. Na vez dela, o público cantou e gritou muito mais.
A cantora começou a curso no Mamamoo, em 2014, que desde o início foi encaixado numa categoria de grupos que se destacam pelo vocal —enquanto outros são mais conhecidos pela performance no universal ou pelo rap. Aos 31, Hwasa é a integrante mais novidade do quarteto, que continua ativo. Todas as integrantes têm hoje carreiras solo de sucesso.
A caçula é talvez a mais popular, reconhecida pelo timbre rouco da voz. Ela exibiu sua potência com notas altas e riffs. Apesar de mostrar que tem gogó, deixou o playback tocar em alguns momentos. A instrumento é geral no k-pop, mas pouco usada em festivais. Já bandas ao vivo, uma vez que a levada ao Palco Mundo, são raridade.
Ela é uma artista que combina com o Brasil e encontrou cá uma plateia que reage à sua profundeza. É ousada e tem carisma, uma antítese da imagem fofa que muitos que não acompanham o k-pop têm do gênero.
Hwasa subiu ao palco usando um vestido pequeno, que por vezes mostrava a calcinha, corset de renda e decote à mostra. Rebolou até o pavimento, balançou os seios, passou a mão pelo corpo, fez carões. Ela também dançou, acompanhada de dançarinas e dançarinos. Uma vez que diz em “Chili”, uma das primeiras na setlist, é “apimentada”.
O público reagia com gritos de “linda” e “gostosa”. Seu visual também foge à regra dessa indústria. Desde jovem, foi criticada pela aspecto, por ser “curvilínea demais” e ter pele mais “bronzeada”. Ela aborda o tema em canções uma vez que “I Love my Body”, em que celebra o próprio corpo. Foi uma das que mais agitou a plateia.
A integrante do Mamamoo tem sucessos reconhecíveis por qualquer fã de k-pop, uma vez que “Twit”, “Maria” e “Good Goobye” —esta última virou fenômeno na terreno natal e foi uma das canções mais premiadas de uma solista. Sua curso hoje é gerida por uma gravadora criada por Psy, responsável por apresentar o pop sul-coreano ao mundo com o hit “Gangnam Style”.
Num dos pontos altos, ela resgatou sucessos do quarteto num medley que incluiu “Décalcomanie”, “Starry Night”, “Dingga” e “Hip”. E relembrou a única passagem do grupo pelo país, em 2018, no Tropical Butantã, moradia de shows paulistana com capacidade para 3.000 pessoas”.
Em resposta aos gritos do seu nome, Hwasa sorria, colocava a mão sobre o coração e repetia “eu te senhoril”, em português. “Queria muito ver vocês”, disse num momento. “Senhoril o Rock in Rio e o Brasil. E ouvi falar que sou a primeira solista de k-pop no festival. Meu coração está referto de paixão para dar a vocês.”
Na música “Na” —eu, em coreano—, disse que mudou o ritmo para permanecer com um estilo mais do Rio. Ahn Hye-jin, seu nome de batismo, explicou ainda que tem um terceiro nome: Maria, tatuado na nuca.
Em outro momento de relação com o Brasil, disse: “Ouvi falar que cá tem muitas Marias”. Logo emendou a melodia homônima, um de seus hits. “Essa música era para expor para mim mesma o quão maravilhosa eu sou”, explicou. “Acho que ela tem um patente espírito brasiliano.”
Próximo ao término do show, desceu para o gramado, tocou na mão dos fãs e perguntou uma vez que se dizia “fofo” em português, antes de trovar “So Cute”.
Não por coincidência, encerrou com “Good Goobye”, exibida com legendas em português no telão. A sul-coreana começou cantando deitada no pavimento e terminou correndo pelo palco estendido com a bandeira do Brasil. A performance e o estilo de Hwasa mostraram que combinam com um festival e podem funcionar mesmo num dia que não seja de nicho.





