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K pop marca o segundo final de semana do Rock in
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K-pop marca o segundo final de semana do Rock in Rio – 12/09/2026 – Ilustrada

strutura à secção, o Rock in Rio nesta sexta-feira (11) não parecia o mesmo festival que teve quatro dias de shows até a última segunda (7), encerrada por Elton John. A quinta data do festival carioca foi reservada ao k-pop, a música pop sul-coreana que há anos é febre ao volta do mundo.

Muitos jovens —mormente crianças e adolescentes—, grande secção acompanhados dos pais, ocuparam o Parque Olímpico, onde acontece o Rock in Rio, desde o início da tarde. Nem no dia do trap, que tomou o festival há dois anos, a média de idade era tão baixa.

As camisetas do Stray Kids, principal atração do dia, vendidas aos montes por camelôs nos periferia já davam o tom da mobilização. Os fãs, muitos usando adereços, portaram —e, nos shows, bateram— leques, além de levantar os bastões iluminados, os lightsticks, que são característicos do k-pop.

Porquê no dia do rock —encabeçado por Foo Fighters— e no do heavy metal —pelo Avenged Sevenfold—, os ingressos não esgotaram e ainda era verosímil comprar entradas quando os shows já estavam rolando. Ainda assim, os três shows de k-pop no palco Mundo, o maior do evento, foram prestigiados por multidões barulhentas a perder de vista.

Ainda que mais cedo estivesse folgado para caminhar entre a plateia espalhada pelo Parque Olímpico, a turma mais perto da grade ficou bastante apertada no show principal —o do Stray Kids. Algumas pessoas passaram mal com o calor, em dia asfixiado, com pouca chuva e termômetros perto dos 30 graus. O Rock in Rio chegou a exprimir um alerta para que a plateia desse passos para trás para que a apresentação continuasse sem problemas.

Esse adensamento contrastou com os outros palcos do festival. Ainda que bastante popular, com números superlativos nas redes e no streaming, o pop coreano no Brasil é uma cultura de nicho, o que parece servir para os dois lados.

Isto é, poucos fãs desse tipo de música prestigiaram gente uma vez que Os Garotin com Duquesa e Jamiroquai no palco Sunset, ou NandaTsunami no Supernova, e estavam mais preocupados em vigilar um bom lugar no espaço principal de shows. O público desses outros palcos era outro —mais adulto e parecido com o de outros dias do festival. Por outro lado, os pais dos jovens fãs de k-pop também não pareciam saber muita coisa dos coreanos no Mundo.

Foi uma vez que um festival dentro de um festival, onde esses universos pouco dialogaram. Entre um show do pop sul-coreano e outro, era verosímil ver um mar de gente sentada —em cangas no pavimento ou apoiadas em estruturas metálicas— em vez de circulando pelo Parque Olímpico uma vez que num dia convencional de Rock in Rio. Em certa profundidade, era difícil circundar nas imediações do palco Mundo

O Stray Kids foi com folga a atração preferida do público, sendo que os outros dois nomes do k-pop também atraíram público. O Nexz, que abriu o palco Mundo, reuniu uma poviléu que pulou e os aplaudiu, em um show coreográfico e com bastante playback que os fez toar uma vez que um N’Sync em início de curso.

O grupo de seis japoneses e um sul-coreano, que atuam dentro da indústria da Coreia do Sul, tem somente dois desde sua formação. Por isso, repetiu músicas —um pop ultrassintético que mimetizou rimas e batidas do rap— no palco, abusou das danças e foi um mero esquenta do que viria pela frente.

A cantora Hwasa, integrante do grupo Mamamoo, fez o show de sua curso solo. Ela dominou o palco e se mostrou mais ousada na estética e nas performances, cantando a valer —com a ajuda de faixas de suporte gravadas, comuns no pop atual— e acompanhada por uma orquestra —raridade no k-pop—, indo de riffs de guitarra roqueiros a batidas eletrônicas distorcidas no estilo hyperpop de Charli XCX.

Falando genericamente, o k-pop é tão inventivo quanto o que há de mais estabelecido no pop americano —e às vezes até mais. Isso quer expor que, apesar de feito na Ásia, o som dos artistas sul-coreanos não exibe explicitamente tradições musicais dessa secção do mundo, mas um mexidão de elementos do pop, rap e rock dos Estados Unidos e Reino Unificado —às vezes numa mesma música.

Essa mudança de ritmo e curso dentro de uma mesma fita deu o tom do show do Stray Kids. Reunindo a plateia mais ansiosa e apertada do Rock in Rio até agora, o grupo fez um som mais pesado que seus pares no Rock in Rio, com destaque para batidas e rimas do hip-hop.

Foi um show depressa e extremamente dinâmico, em que um verso entrou no outro sem pedir licença, dando por sua vez lugar a um refrão ou um conluio instrumental. Os integrantes do Stray Kids alternaram vozes doces e melódicas com levadas sujas e vozes distorcidas —distante do estereótipo da boyband clássica e da fofura típica do k-pop, ainda que com apelo pop evidente.

Com as coreografias muito alinhadas e acompanhados por uma orquestra, os membros do Stray Kids ainda brincaram de tocar samba e conversaram com a plateia. Porquê em todos os shows de k-pop desta sexta, tiveram um tradutor no palco —prática bastante incomum para um festival no Brasil.

Esta sexta é mais um marco para a indústria músico da Coreia do Sul no Brasil. Em 2019, o grupo BTS fez a primeira mostra de grandeza do pop coreano por cá. Lotou o Nubank Parque dois dias seguidos, quando isso ainda era privilégio de poucos artistas, com apresentações de mais de 2h30 de duração e catarse com os fãs.

Com discos nas paradas dos Estados Unidos, eles foram os primeiros a despontar neste lado do planeta, abrindo caminho para outros artistas dessa indústria. No Brasil, o Stray Kids os superou no ano pretérito com dois shows no estádio do Morumbi, por sua vez maior que a morada do Palmeiras, e outro no Nilton Santos, no Rio.

É também um marco para o próprio Rock in Rio, que procura maneiras de se renovar depois perder a capacidade de atrair a escol da música pop global. Neste ano, dos cinco dias do festival até agora, em três deles os ingressos não esgotaram —pelo menos até que as atrações das respectivas datas estivessem no palco.

Na edição passada, as apostas foram no trap, num dia só de atrações brasileiras e outro só com mulheres nos palcos principais. Agora, a globo da vez é o k-pop, que mostra força de comoção e de reunir multidões, trazendo uma vez que contrapeso a dificuldade inicial de se integrar ao envolvente do festival.

Se o Rock in Rio ainda patina para se encontrar no pós-pandemia, ele fez um tanto que pode ser importante para seu porvir nesta sexta. Não dá para saber se a vaga coreana vai crescer ou resfriar nas próximas décadas, mas os jovens que viram o Stray Kids foram devidamente apresentados à experiência de um festival e à força de comoção da música ao vivo. Eles devem voltar —seja para ver a novidade sensação do pop sul-coreano ou de outro tipo de música.

Folha

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