Kinoforum 2026 exibe vencedor da Palma de Ouro de curtas – 19/08/2026 – Ilustrada
É caminho oriundo para muitos cineastas se lançarem com curtas-metragens e, depois de saber perceptível prestígio, transmigrar para os longas. O principal destaque desta edição do festival Kinoforum, porém, decidiu contrariar as expectativas.
Federico Luis venceu prêmios em Cannes com “Simón de la Montaña” e, imediatamente depois, retornou ao formato raro, com “Para os Oponentes”. A aposta se pagou e o curta também foi premiado no evento francesismo, com a Palma de Ouro destinada ao formato.
“Muitos usam o curta para iniciar a fazer cinema, uma vez que um degrau em direção a um longa, mas se você se desprende dessa teoria, vai ver que é um formato puro, em que se pode testar muitas coisas”, diz o cineasta prateado, agora, por telefone.
Testar usando esse tipo de produção é uma das propostas do Kinoforum, maior evento de curtas-metragens do país, que chega à sua 37ª edição nesta quinta-feira (20). Até o dia 30 deste mês, serão exibidos 260 títulos –127 nacionais e 133 estrangeiros–, de diferentes gêneros, nunca ultrapassando uma hora de duração.
“Um longa precisa de muito tempo, esteio e quantia para ser feito, portanto às vezes eu sinto que é um fardo grande. É uma produção que se move vagarosamente, e às vezes você quer se relacionar com o testemunha de uma forma mais ligeiro e mais rápida”, diz ainda Luis, que embora seja prateado, gravou “Para os Oponentes” no México, depois se encantar pela cultura do boxe enraizada no país.
Em seu filme, ele acompanha um menino que, desde muito cedo, é inscrito em campeonatos de boxe pelo pai e o treinador. A câmera é puxada e empurrada conforme seus golpes são desferidos, ao longo de 15 minutos tensos.
O testemunha é convidado a torcer também, ao mesmo tempo em que os gritos vindos de fora da redondel provocam uma reflexão sobre masculinidade, expectativa, puerícia e a relação entre pais e filhos.
Para Luis, a teoria veio da percepção de que muitos pais depositam expectativas exageradas nos filhos, na crença de que eles serão excepcionais em um tanto –e, portanto, poderão ter uma vida melhor por isso.
“É universal, mas no caso do boxe, o que me chamou a atenção, foi o traje de não ser uma vez que o futebol, por exemplo, que você joga. É um esporte que você luta. E isso, pela lente da puerícia, é muito curioso. Mas não queria vilanizar ninguém, porque há paixão, carinho, preocupação nos relacionamentos que se estabelecem nesse universo, isso era muito nítido para mim.”
Em “Para os Oponentes”, originalmente “Para los Contrincantes”, o prateado misturou verdade e ficção. O que o testemunha vê é, de traje, uma luta de um torneio de boxe infantojuvenil. O protagonista foi encontrado por ele nas ruas de Tepito, bairro na Cidade do México divulgado uma vez que incubadora de grandes boxeadores, e aceitou ser gravado.
O final do filme –e, portanto, a decisão da luta– ficou em descerrado. Luis descobriu qual seria o desfecho da trama ali mesmo, na hora. Foi difícil se distanciar dos muitos sentimentos que tomaram o ringue, ele conta, já que sua equipe havia se apegado ao pequeno pugilista protagonista, Damián López.
Questionado se prêmios uma vez que a sua Palma de Ouro podem quebrar preconceitos em relação ao curta, Luis acredita que o reconhecimento ainda tem impacto restringido. Ele lembra que há problemas sérios de distribuição de filmes no formato, finalmente.
“Por outro lado, vivemos tempos em que as pessoas assistem a cada vez mais vídeos fragmentados, curtos, nas redes sociais. Talvez essa seja uma saída para que esses títulos tenham uma vida útil maior.”
Os ingressos para as sessões do Kinoforum, que acontecem na Cinemateca Brasileira, no Cinesesc, no Núcleo Cultural São Paulo, no Espaço Petrobras de Cinema, no Museu da Imagem e do Som, no Cinusp, no Cinusp Maria Antônia e no volta itinerante do Cinema na Comunidade, são gratuitos.
Outros destaques da programação incluem “Koki, Tchau”, premiado em Berlim, e “The Blessing” e “Ensino Primordial”, que passaram pelo Festival de Locarno. Entre os brasileiros, Leonardo Martinelli exibe “Samba Infinito”, que estreou na Semana da Sátira em Cannes, e Caco Ciocler, Malu Galli, Carol Duarte, Bella Camero, Bárbara Colen e Carlos Francisco aparecem nos títulos “Pique-Pega”, “DIU”, “Brasa”, “Party Princess” e “Fragor”.





