“Kubala, Kubala, por obséquio, venha me buscar.”
O pedido era de Lamine Yamal, 19, ainda gaiato. Puro Díez, espargido porquê Kubala, atravessava a cidade de Mataró para buscar o garoto em Rocafonda e levá-lo aos treinos da La Torreta, clube da vizinha La Roca del Vallès onde o atacante espanhol começou a jogar futebol.
Quase 15 anos depois, o menino que insistia para não perder um treino disputará uma final de Despensa do Mundo contra Lionel Messi neste domingo (19), às 16h (de Brasília), que coincidentemente também compartilha outra história da puerícia do espanhol —esse será o primeiro confronto entre eles na história.
Para o primeiro treinador de Lamine Yamal, não há excesso em manifestar que o vetusto aluno pode superar o prateado e Cristiano Ronaldo.
“É uma mistura dos dois últimos grandes jogadores que tivemos, Messi e Cristiano. Já disse isso em uma ou em várias entrevistas: ele será melhor do que os dois, porque tem metade de cada um.”
Kubala conheceu Lamine Yamal antes mesmo de ele completar 4 anos. Os pais apareceram numa tarde na La Torreta procurando um lugar para o rebento jogar.
“Os pais explicam que o menino gosta muito de esfera e quer jogar. Perguntam o que podemos fazer por ele, porquê funciona. A primeira coisa que fizemos foi convocar o Lamine para ir direto ao campo naquela mesma tarde e já entrar para treinar com o grupo da idade dele, formado por crianças de 3 anos e meio e 4 anos.”
Daquele dia, Kubala guarda até hoje a primeira ficha de letreiro de Lamine Yamal em um clube de futebol.
O treinador diz que bastaram os primeiros treinos para perceber que havia um tanto incomum.
“Ele fazia o que ele é: dissemelhante. Com 4 anos, já tinha condições especiais para jogar futebol. Era muito ligado à esfera e tinha conhecimentos muito avançados para a idade sobre os conceitos do futebol. Você dava uma explicação e ele entendia tudo. Não precisava de muitas explicações.”
Segundo Kubala, a diferença aparecia também na forma porquê o garoto compreendia o jogo.
“Sempre jogava uma ou duas categorias supra da idade dele. Tinha uma capacidade muito grande de compreender o que queríamos. A teoria que tinha do futebol era muito clara. Acho que é a mesma teoria que tem hoje.”
Na La Torreta, a possibilidade de Lamine Yamal chegar ao Barcelona aparecia exclusivamente em conversas entre os treinadores. “Eram comentários que a gente fazia, mas não de maneira muito formal, muito séria. Dizíamos: ‘E se esse garoto chegar lá?’. E também: ‘E se o Barça invocar o Lamine?’.”
O treinador afirma que o talento nunca foi a única particularidade que diferenciou o menino. “Sobre o talento, eu destacaria a seriedade. Era um menino muito pequeno, mas muito responsável, com as ideias muito claras e um objetivo. O objetivo era jogar futebol e aproveitar aquilo ao sumo.”
Lamine Yamal permaneceu na La Torreta até ser levado pelo Barcelona, antes de completar 7 anos.
Kubala diz que a evolução do vetusto aluno exclusivamente confirmou a sensação que teve na puerícia. “Tem uma força física incrível e, tecnicamente, tem as ideias muito claras. Sabe o que quer e sabe porquê fazer.”
Na avaliação dele, o atacante ainda pode render mais atuando pelo núcleo do ataque. “Eu o colocaria para jogar um pouco mais pelo núcleo. Basta lembrar que Messi também começou pela ponta e terminou jogando pelo núcleo.”
Kubala também enxerga em Lamine Yamal um jogador capaz de erigir as jogadas.
“Faz uma média de 20 gols por temporada, mas também muro de 25 assistências. É um jogador que faz a relação entre o meio e o ataque.”
O treinador atribui à personalidade segmento da naturalidade com que o espanhol convive com a pressão.
“É um garoto com os pés no pavimento. Joga futebol, brinca com a prelo também, porque é jovem, crédulo, feliz. A pressão não faz diferença para ele. Quando o vemos dançando, brincando com Nico Williams e com os outros, é por culpa disso. É disso que ele gosta.”
Quase 15 anos depois de buscar o garoto em Rocafonda para levá-lo aos treinos da La Torreta, Kubala acompanhará o vetusto aluno disputar a primeira final de Despensa do Mundo da curso. Para ele, a imagem continua sendo a mesma. “Kubala, Kubala, por obséquio, venha me buscar.”





