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Livraria da Travessa terá loja em praça da família Setúbal
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Livraria da Travessa terá loja em praça da família Setúbal – 04/05/2026 – Cotidiano

A carioca Livraria da Travessa vai penetrar uma unidade em Pinheiros, bairro onde encontrou sua identidade paulistana e agora procura se adequar à transformação acelerada da paisagem urbana, cada vez mais verticalizada.

A rede de livrarias tradicional do Rio de Janeiro terá novidade loja na futura rossio Igarapé, espaço privado de uso público idealizado pelo núcleo familiar de Alfredo Egydio Setúbal, CEO da Itaúsa.

A poucos metros dali funciona desde 2019 a primeira Livraria da Travessa de rua da capital paulista, instalada em um imóvel da rua dos Pinheiros que hoje tenta resistir aos empreendimentos imobiliários no seu entorno. Ao volta dela, casas desapareceram, terrenos foram cercados por tapumes e o quarteirão entrou na rota dos novos prédios que transformaram o bairro em um dos principais polos de adensamento de São Paulo.

“A loja ficou isolada. Parece o filme Aquarius”, brinca Rui Campos, sócio e CEO da Travessa, citando o longa de Kleber Mendonça Fruto estrelado por Sonia Braga sobre especulação imobiliária. “Falta só colocar um display dela na frente da livraria”, ri.

A incorporadora que comprou tudo em volta da livraria propôs incorporar a Travessa na frente ativa do prédio já pronto. Mas, segundo Campos, a construtora responsável pelo projeto vendeu o empreendimento para outra empresa, e o porvir da livraria agora parece indefinido. “Diziam que queriam a Travessa antes, durante e depois da obra. Mas o projeto mudou de mãos, e tudo ficou em suspenso.”

Nesse pausa de incerteza, surgiu um invitação tão improvável quanto interessante, a poucos metros dali —de ocupar a futura rossio Igarapé. Prevista para penetrar parcialmente já em novembro deste ano, antes da inauguração completa da rossio, em 2027, a livraria funcionará integrada ao moca, ao auditório e à extensão de convívio do projeto.

“Eles disseram que tinham o sonho de ter uma livraria ali, mas achavam que não toparíamos porque fica muito perto da loja atual”, conta Campos. “Mas enxergamos justamente o contrário: um tanto complementar.”

A novidade unidade deve ocupar um térreo largo, cândido para a rua e para a rossio, com foco em literatura infantil no caminhar térreo e conexão direta com os demais espaços culturais do multíplice. No piso superior ficará o pilha principal da loja. A proposta é que os ambientes conversem entre si, transformando a livraria em extensão do espaço público.

A parceria ocorre em um momento de expansão silenciosa, mas consistente, das chamadas “livrarias de rua” na capital paulista. Depois de anos de retração do setor e fechamento de grandes redes, bairros porquê Pinheiros, República e Santa Cecília passaram a concentrar novos espaços independentes ou de médio porte que combinam curadoria, cafés, eventos e ocupação cultural.

“Estamos vivendo um momento muito interessante em São Paulo”, diz Campos. “Existe uma efervescência formosa. O público voltou a abraçar as livrarias.”

A própria chegada da Travessa à cidade nasceu dessa percepção. Antes da unidade de Pinheiros, a rede mantinha unicamente a loja do Instituto Moreira Salles na avenida Paulista, voltada majoritariamente às atividades do meio cultural.

A decisão de penetrar uma livraria autônoma em São Paulo veio depois de sucessivas visitas ao bairro, muitas delas guiadas por Mauro Munhoz, cofundador da Flip (Sarau Literária Internacional de Paraty) e diretor artístico e cultural da Associação Lar Azul, com sede em Pinheiros.

“Depois das reuniões da Flip, ele fazia uma turnê comigo por Pinheiros”, lembra Campos. “Mostrava as lojas, os restaurantes, o clima das ruas. No fundo, estava provocando a gente a penetrar uma livraria ali.”

A escolha parecia ir na contramão da lógica dominante do mercado livreiro, historicamente associado a megastores e grandes centros comerciais. Mas fazia sentido naquele pedaço da cidade. “Pinheiros tinha essa linguagem de pequenas lojas de design, voga, cafés. A livraria precisava interpretar esse contexto”, conta Campos.

Agora, a Travessa prepara uma segunda leitura do mesmo bairro em novos tempos. Campos reconhece que a verticalização responde à infraestrutura urbana da região e considera o adensamento “inexorável”. Talvez por isso tenha sido ainda mais sedutora a teoria de penetrar uma novidade unidade em Pinheiros numa rossio concebida porquê contraponto à lógica imobiliária que avança ao volta.

Folha

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