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Livro de Lena Dunham passa 'Girls' e Adam Driver a
Celebridades Cultura

Livro de Lena Dunham passa ‘Girls’ e Adam Driver a limpo – 21/08/2026 – Ilustrada

Para Lena Dunham, ser famosa e permanecer doente são experiências indissociáveis. A diretora da série “Girls”, aliás, aponta outra semelhança: são coisas impossíveis de explicar para os outros. Só quem sente na pele sabe proferir uma vez que é.

Em “Doente de Notabilidade”, seu segundo livro de memórias, ela conta uma vez que o sucesso profissional levou ao declínio da sua saúde física e mental. Aos 40 anos, a escritora americana —que tem a vocábulo “doente” tatuada na nuca— diz ter feito as pazes com o próprio corpo.

A obra revisita o período de “Girls”, programa que Dunham criou quando tinha 23 anos, com detalhes extensivos de seus prontuários médicos. Se, por um lado, ela festejava o cheque de 60 milénio dólares pelo piloto, por outro, vivia episódios de dissociação que se tornaram comuns ainda na primeira temporada.

Dunham pesa a mão nas descrições de doenças. Escreve com minudência sobre seu transtorno de estresse pós-traumático e sobre o quadro de endometriose que levou à remoção de seu útero e ovários.

Enquanto “Girls” estava no ar, cada sinal de fragilidade era silenciado com remédios. Tudo culminou na internação em uma clínica de restauração —o temor de fracassar sempre falava mais cocuruto que as conquistas, uma vez que vencer o Mundo de Ouro ou manter bons números de audiência.

A insistência nesse tema ofusca todos os outros aspectos da sua vida. Nem relatar sobre uma transa na UTI torna a longa experiência hospitalar menos entediante.

Nos oito anos em que a autora elaborou “Doente de Notabilidade”, também dirigiu as séries “Industry” e “Too Much” e o filme “Catarina, a Rapariga Chamada Passarinha”, mas nenhum dos projetos merece mais do que uma traço no livro.

Para quem esqueceu, ela faz questão de lembrar que, no início da curso, orbitava a mesma cena do diretor Ti West, da cineasta Greta Gerwig e dos irmãos Benny e Josh Safdie, cujas trajetórias demoraram mais tempo para deslanchar.

O embrião de “Girls” era levar o estilo do cinema independente americano à televisão, em um enredo inspirado em “Sex and The City” —só que antes de as protagonistas se tornarem glamurosas. Dunham sabia que outras mulheres se reconheceriam no seu estilo ultrassincero.

O círculo da sua subida e decadência acompanha o clima cultural dos Estados Unidos. “Eu acreditava que a trato para um desprezo tão disseminado não era mostrar menos de mim, mas mais, uma vez que se revelar até as intestino pudesse produzir qualquer tipo de compreensão renovada.”

Conseguia desgostar tanto a esquerda quanto a direita. O irmão trans a chamava de sua “centrista favorita”. Em um dos momentos depressivos, seu pai disse: “Você tem só 28 anos e já foi chamada de racista, puta gorda, patricinha ignorante e molestadora de crianças. O que mais resta? Zero”.

Episódios de humilhação, traumatismo e agravo são o terreno fértil para a sua arte. Mas uma vez que podemos culpar Dunham, se o sofrimento feminino vende livros?

Em entrevista ao jornal The New York Times, a autora diz não querer vingança com “Doente de Notabilidade”, mas é difícil crer.

Um de seus alvos é Jenni Konner, sua mentora e co-roteirista da série. Konner pressionou Dunham a teimar com a HBO para que os salários das duas fossem iguais, usando o feminismo uma vez que desculpa —mesmo que só a mais jovem estivesse avante e detrás das câmeras.

O ressentimento transparece com frequência nas páginas. Do parceiro de cena Adam Driver, ficaram as lembranças dos gritos nos ensaios e do comportamento errático no set. Já do ex-namorado Jack Antonoff, a mágoa pela privação nos hospitais e o sabor amargo das traições.

O que fica evidente é que a precocidade de Dunham uma vez que artista não acompanhou o ritmo da sua vida pessoal. Ela estava no comando no estúdio, mas, emocionalmente, ainda era uma jovem. “Queria ter tudo ao mesmo tempo, viver aquela vida grandiosa e ser dulcinéia por todo mundo. Sou uma pessoa que quer fazer os outros felizes.”

A ingenuidade soa irritante, mas demonstra uma vez que errar faz segmento do trajectória. O que a idade trouxe foram cicatrizes, boas doses de veras e menos tempo online. Ao contrário do que ela esperava, permanecer rica e famosa não foi garantia de felicidade —só a tornou mais distante do resto do mundo.

Ao fazer check-in em hotéis, Dunham usava o nome de Rose O’Neill, criadora das bonecas Kewpie. A ilustradora foi uma das primeiras mulheres milionárias dos Estados Unidos, mas morreu na pobreza. Era um lembrete do que poderia intercorrer com ela.

A avidez cobrou seu preço, mas Dunham diz não se arrepender de zero. Em um mundo que espera que as mulheres ocupem menos espaço e sejam modestas, é reconfortante ver a roteirista tão leal a si mesma.

Quando não está mergulhada em períodos sombrios, seu espírito irreverente vem à tona, aquele que conquistou uma legião de fãs. “É uma vez que se eu tivesse nascido com a espírito de infinitas gerações de mulheres provocadoras dentro de mim”, diz.

Uma das pessoas cativadas por sua personalidade excêntrica foi a escritora Nora Ephron, de quem mantra se tornou um guia para Dunham: “Se você viveu uma experiência, pode recontá-la”.

Em “Doente de Notabilidade”, ela segue o juízo e dá sua versão sobre os erros do pretérito. As memórias são munição para mostrar quem Dunham se tornou, se recusando a ser definida pela versão ultrapassada de si. Assim, consegue pintar um retrato imperfeito de uma mulher millennial descobrindo uma vez que é viver com os dois pés no soalho.

Folha

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