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Luiz Zerbini ganha mostra que reúne paisagens psicodélicas 18/07/2026
Celebridades Cultura

Luiz Zerbini ganha mostra que reúne paisagens psicodélicas – 18/07/2026 – Ilustrada

Luiz Zerbini concebeu paisagens que parecem fruto de um fantasia. As telas deixam de lado o compromisso com o realismo para valorizar a experimentação cromática. Troncos, folhas e galhos reluzem com tons saturados de azul, rosa e vermelho.

São cores que emprestam ares lisérgicos e dionisíacos aos cenários, convidando o observador a submergir numa experiência psicodélica. Observar esses quadros é porquê sentir a terreno em transe.

Esse delírio pinturesco pode ser visto nas salas expositivas do Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista, onde está em edital a exposição “Estrelas Escolhidas”.

A mostra reúne muro de 230 obras produzidas por meio da monotipia, técnica na qual o artista aplicou camadas de tinta em vegetação, folhas e galhos. Em seguida, pressionou os materiais contra a superfície de papéis e tecidos, de modo a fabricar uma sensação.

“A gente descobriu que esse era um mundo para o Luiz e que ele fez esses trabalhos ao longo de dez anos”, diz Ana Roman, que assina a curadoria da exposição ao lado de Luiza Mello.

Para ela, Zerbini une a prática artística a um rigor quase científico. “Ele tenta entender diariamente porquê uma vegetal reage a um processo e, depois, de que forma ela responde a outro processo.”

É interessante refletir também sobre porquê a monotipia conseguiu perenizar elementos que estão fadados a vanescer em razão da fragilidade, porquê as folhas de uma árvore.

“Tem um lugar meio ficcional que é pensar nesses trabalhos quase porquê fósseis”, diz Roman. Algumas das vegetação, inclusive, liberam sua suco durante a sensação. “Essas gravuras guardam DNA, vestígios e rastros.”

Zerbini começou a trabalhar com esse método em 2016, quando tentava fazer esculturas usando vegetação porquê moldes. No entanto, o artista não conseguia obter vitória em razão de dificuldades técnicas.

Foi quando se aproximou da monotipia por influência de João Sánchez, impressor com quem firmou uma parceria para conceber as obras da exposição.

À era, o profissional mostrou ao pintor a possibilidade de trabalhar com vegetação, mas usando essa forma de sensação. “Quando olhei a primeira imagem que ele me mostrou, entendi o potencial da técnica. Poderia fazer a maioria das folhas que existem no planeta”, diz o artista.

Desde o primórdio da curso, Zerbini dialoga com temas socioambientais. Apesar de fazer outras coisas, porquê obras abstratas e geométricas, o núcleo médio do meu trabalho é a natureza.”

Isso ficou evidente em 2022, quando ele ganhou uma exposição no Museu de Arte de São Paulo, o MASP. Na ocasião, o projeto reuniu pinturas em que o artista pôs em evidência os povos indígenas e reconstruiu grandes embates da história pátrio.

“A questão da natureza é o que tem de mais importante na minha visão hoje em dia. E é evidente que ela está atrelada a questões sociais”, diz o artista, para que é frustrante ver o país desperdiçar o poder de sua biodiversidade. “Se ela fosse utilizada de maneira inteligente, a gente seria a maior potência do mundo.”

Tal porquê fenômenos naturais, a monotipia é uma prática difícil de controlar. Isso acontece por não ser verosímil prever com segurança o resultado das impressões.

“Ela é feita de surpresas. Não tem o controle totalidade, o que é a coisa mais difícil no trabalho de arte. É você se livrar de você mesmo”, diz Zerbini, acrescentando que incorpora imprevistos a seus trabalhos. “Procuro sempre alguma novidade, qualquer erro, um tanto que tire daquele lugar de conforto. A surpresa é muito viciante.”

O resultado dessa entrega ao imponderável são telas que mostram a silhueta de troncos, galhos, bambus e folhas de bananeiras. Ora as cores das imagens são quentes e intensas, ora são soturnas e melancólicas. Seja porquê for, os tons nunca passam despercebidos. “Eu sou um colorista por natureza.”

As tintas que ele usou para pintar as obras da exposição foram produzidas pelo próprio artista em seu ateliê, na zona sul do Rio de Janeiro. “Acho que isso deu uma intensidade maior à cor, porque a gente podia colocar a quantidade de pigmento que achava necessário.”

Além das cores, a presença de itens porquê folhas, latas e madeiras labareda a atenção de quem visitante a mostra. Foi nesses materiais que o artista aplicou tinta para fazer impressões sobre a superfície das telas.

Ao expor seus instrumentos de trabalho, Zerbini quis jogar luz sobre os bastidores da geração artística. “Muitas pessoas acham que mostrar o processo faz perder o mistério, porquê se isso desmistificasse a obra de arte.”

O artista, no entanto, considera produtivo romper com essa aura de mistério. “O vestimenta de a pessoa se sentir próxima daquilo e descobrir que não existe nenhuma genialidade por trás é um sentimento muito bom.”

Com mais de quatro décadas de curso, Zerbini é um dos expoentes da chamada geração 80. Esse grupo ajudou a restituir o calor e as cores ao rodeio artístico em seguida anos de austeridade da geometria abstrata e da arte conceitual.

A pedra fundamental do movimento de renovação foi lançada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, na zona sul do Rio. Foi lá que aconteceu a célebre exposição “Porquê Vai Você, Geração 80”, realizada em 1984.

O projeto se tornou um marco ao dar visibilidade a nomes que se tornariam referência anos mais tarde, porquê Leonilson, Beatriz Milhazes e o próprio Zerbini.

O pintor, no entanto, considera que a repercussão do grupo foi um pouco superestimada. “Todo mundo que me entrevista pergunta sobre a geração 80, sendo que não representa zero para mim.”

Ele compara a mítica em torno do grupo àquela da Semana de Arte Moderna, evento considerado outro ponto de inflexão na arte brasileira. “Às vezes, têm uns nomes que funcionam. Semana de 22 funcionou, apesar de não ter relevância nenhuma. A geração 80 também tem uma presença enorme apesar de, porquê movimento, não ter relevância nenhuma.”

Folha

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