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Matheus Cunha se firma como articulador do Brasil na Copa
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Matheus Cunha se firma como articulador do Brasil na Copa – 31/05/2026 – Esporte

“Foi sofrido, foi doído e faz segmento. A nossa seleção é espetacular e a concorrência é muito grande. Obrigado de coração pela torcida. E torçamos muito pelo hexa.”

Em seguida não ouvir seu nome entre os 26 convocados por Tite para a Despensa do Mundo de 2022, no Qatar, o atacante paraibano Matheus Cunha publicou um vídeo em suas redes sociais sem pânico de esconder a frustração.

Na quadra com pouco espaço no Atlético de Madrid de Diego Simeone, onde havia chegado depois a conquista do ouro nos Jogos de Tóquio, o brasiliano até chegou a ser chamado para os últimos amistosos pré-Despensa, mas acabou preterido na lista final.

O time foi eliminado nas quartas de final, pela Croácia, na disputa de pênaltis, depois empate em 1 a 1 no tempo regulamentar, com Rodrygo e Marquinhos desperdiçando suas cobranças.

O atacante de 27 anos procedente de João Pessoa —que começou a curso profissional já no exterior, no pequeno Sion, da Suíça— reconheceria mais tarde que atravessou uma tempo “depressiva” naquele momento da curso.

“Foi o primeiro grande baque para a minha saúde [mental]”, afirmou Cunha em entrevista ao programa BBC Football Focus, no início de 2025.

“Ser brasiliano e pensar na Despensa do Mundo, é tudo para nós. Se você conquista essa chance de jogar, deixa todo mundo mais orgulhoso do que o normal. Quando você não está lá, você sente que fez tudo em vão. Foi meio que uma vez que uma depressão. Quando cheguei em vivenda, chorei e desabafei todas as minhas emoções com as pessoas que realmente se importam comigo”, acrescentou o atacante.

Apesar do momento difícil dentro e fora de campo, as coisas estavam prestes a mudar para ele.

Logo depois o Mundial no Qatar, em procura de mais tempo de jogo, Matheus Cunha foi emprestado ao Wolverhampton Wanderers, que brigava contra o rebaixamento na Premier League.

No clube do centro-oeste da Inglaterra, o atacante teve um início claudicante sob o comando do técnico espanhol Julen Lopetegui, sem conseguir se firmar entre os titulares e com somente dois gols nas primeiras 20 partidas.

Todavia, se reinventou sob o comando do treinador Gary O’Neil, contratado em agosto de 2023.

Com o jovem técnico inglês de 43 anos, que antes dos Wolves havia tido somente um trabalho anterior no comando do Bournemouth, Cunha assumiu um novo posicionamento dentro do time.

O atacante brasiliano passou a jogar com mais mobilidade, muitas vezes recuando quase até o meio de campo para receber a globo e conduzir a transição ao gol opositor.

Além de finalizar, também tornou-se um dos principais armadores da equipe, em um esquema tático que tirava proveito de todo seu potencial, mas que nem sempre havia sido identificado e aproveitado pelos treinadores.

Na temporada 2023/24, Matheus Cunha viveu a melhor tempo de sua curso. Anotou 14 gols e distribuiu 8 assistências em 36 partidas pelo Wolverhampton.

“Estou muito feliz pelo momento individual. Os excelentes números alcançados também estão relacionados ao meu posicionamento em campo”, disse o atacante na ocasião.

“Me sinto muito à vontade jogando na função escolhida pelo treinador. Acredito que, vindo de trás, consigo apresentar o meu melhor futebol.”

Segundo o jogador, a boa tempo no clube inglês ajudou-o a restabelecer a alegria de calçar as chuteiras e entrar em campo.

“Às vezes, tudo o que queremos na vida é carinho”, disse o brasiliano em entrevista ao The Guardian, em março de 2025, quando suas atuações recentes já apontavam para um iminente transferência para o Manchester United.

“As pessoas acham que temos tudo, mas também somos seres humanos. Precisamos de um pouco de compreensão, temos nossas dificuldades. Os Wolves e os torcedores me devolveram essa alegria. O status que tenho hoje, o jogador que sou agora e a felicidade que sinto, é por pretexto deles. Sou muito grato.”

Em junho de 2025, o brasiliano foi anunciado uma vez que reforço dos Red Devils, em um negócio de £ 62,5 milhões (R$ 420 milhões), a maior venda da história do Wolverhampton.

O desempenho evidenciado na Premier League já havia reservado seu retorno à seleção brasileira, ainda sob o comando de Dorival Júnior. Com a contratação de Carlo Ancelotti, se firmou de vez na equipe.

Em dez partidas do italiano no comando, Matheus Cunha não esteve presente somente nos dois últimos duelos das Eliminatórias, contra Chile e Bolívia, devido a uma lesão na coxa.

Entrou em campo nos outros oito jogos, sendo utilizado em diferentes posições por Ancelotti —ora uma vez que um falso 9, ora uma vez que um segundo atacante, e até uma vez que um meia-atacante, preservando sua liberdade de movimentação no entorno da grande superfície.

Com dez gols e duas assistências em sua temporada de estreia no United, Matheus Cunha chega à Despensa do Mundo com a versatilidade para atuar em diferentes posições dentro de campo tão apreciada por Ancelotti.

“Meu segundo ciclo de seleção está muito mais parecido com o que jogo no clube, com muito mais flutuações entrelinhas e em muitos momentos jogando uma vez que um meia. Estou muito feliz com tudo que vem acontecendo comigo”, afirmou Cunha em entrevista na Granja Comary, em Teresópolis, na sexta-feira (29).

“Espero que tudo seja bem-sucedido e que eu possa dar meu melhor nessas funções que estou mais habituado a fazer”, acrescentou o atacante.

Folha

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