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Momix usa dança e ilusões de ótica no espetáculo Botanica
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Momix usa dança e ilusões de ótica no espetáculo Botanica – 29/09/2026 – Ilustrada

Um rio de tecido corre pelo palco, veloz, suas ondas se agigantando. Leques de plumas giram em círculos, imitando o movimento dos girassóis em procura de luz. Formas fosforescentes se metamorfoseiam no breu do teatro, ora abstratas, ora figurativas —para confusão do testemunha, que passa segmento do número tentando entender uma vez que o truque funciona.

É exatamente essa reação de assombro que a Momix, companhia de dança dos Estados Unidos atualmente em turnê pelo país, deseja gerar, afirma o seu fundador, Moses Pendleton. “Sabor de situações em que sentimos que não podemos crer nos nossos próprios olhos”, diz ele, acrescentando que muito do seu trabalho consiste em pesquisar uma vez que aguçar os sentidos do público. “No fundo, é sobre treinar o cérebro.”

A trupe se apresenta em Belo Horizonte nesta quarta (30) e em São Paulo de sexta (2) a domingo (4) —a temporada brasileira, que teve início no Rio de Janeiro na semana passada, termina com espetáculos em Curitiba em 6 de outubro e em Porto Contente em 8 de outubro.

Pendleton iniciou sua curso na dança em 1971, quando fundou com colegas de faculdade a histórica Pilobolus, outra companhia dedicada a gerar ilusões no palco ao combinar dançarinos habilidosos, objetos cênicos inventivos e artifícios de iluminação. O Momix, seu trabalho solo, veio dez anos depois, em 1981, e já foi visto por mais de 3 milhões de pessoas ao longo de suas quatro décadas de existência.

Hoje, porém, o americano de 77 anos diz se ver menos uma vez que um coreógrafo e mais uma vez que um artista visual, “um pintor ou um estatuário” que usa “corpos, luz e som para gerar imagens”.

Com um exaltação juvenil, ele conta que anda mais interessado em retrato do que em qualquer outro meio —são de autoria dele a maioria das imagens projetadas sobre o cenário e os figurinos e adereços dos dançarinos no espetáculo apresentado na turnê, “Botanica”.

“Sou um amante. Não sou, sabe, um fotógrafo de verdade. Mas isso provavelmente é uma coisa boa, porque tenho diversas musas muito no meu quintal”, ele diz, referindo-se às dezenas de espécies de flores que cultiva no jardim. “Acho que a retrato está me ajudando a ver mais. E não é preciso ir longe, basta perfurar os olhos.”

Essas projeções representam, aliás, a principal inovação desta montagem do espetáculo em relação à sua versão original, encenada nos Estados Unidos em 2009 e no Brasil em 2011, durante a décima vinda do grupo ao país —esta é a 13ª. De lá para cá, as tecnologias de iluminação cênica avançaram muito, comenta Pendleton.

Também houve mudanças sutis na duração dos números e na trilha sonora, alterações que, segundo o diretor, tinham uma vez que principal objetivo aumentar o valor de produção da obra. “Achamos que a versão antiga precisava de uma ‘poda’, se me permite a metáfora”, ele brinca.

“Botanica” propõe um passeio lúdrico pelas quatro estações do ano, com dez bailarinos-acrobatas se revezando entre seres reais e imaginários da flora e da fauna. Eles fingem ser flores e árvores, aves e mamíferos —a certa fundura, até um dinossauro aparece.

É um retrato bastante idealizado da natureza, que contrastava com os ventos de mais de 70 km/h registrados no Rio de Janeiro na segunda-feira passada (21), véspera do início da turnê do espetáculo pelo país.

Questionado se as transformações provocadas pelas mudanças climáticas motivaram um olhar dissemelhante sobre “Botanica” desde a sua geração, Pendleton responde que esta é uma preocupação recorrente dele. Ele vive na zona rústico de Connecticut, no nordeste dos Estados Unidos. “Os incêndios florestais pelo mundo têm me deixado apavorado, para ser sincero.”

Mas, prossegue, seu maior libido não é compartilhar “os seus impulsos mais patológicos com a plateia”. Daí a visão idílica do meio envolvente que o Momix propõe, não só em “Botanica”, mas também em outros espetáculos, que com frequência jogam com as semelhanças entre as formas humanas e não-humanas.

“Não posso falar pelos outros, mas há artistas que adoram te deixar morrendo de pânico”, diz Pendleton. “Costumo expor que o Momix não deve mostrar uma vez que o mundo é na veras. Você já lê sobre isso na primeira página do jornal todas as manhãs. Tentamos mostrar uma vez que o mundo poderia ser em uma fantasia, um pouco um pouco mais positivo, mais criativo.”

Folha

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