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Mostra Amor ao Cinema disseca o fazer cinematográfico 08/09/2026
Celebridades Cultura

Mostra Amor ao Cinema disseca o fazer cinematográfico – 08/09/2026 – Ilustrada

Às vezes é difícil entender as explicações dos curadores da mostra Paixão ao Cinema, que o Cinesesc promove desde 2023 e que levante ano começa no dia 9 de setembro. Mas não é difícil aderir à seleção proposta, que é muito diversificada pelo momento da feitura, pelo propósito, pela origem dos filmes.

Oriente ano a mostra se divide entre filmes que têm o próprio cinema por objeto e os chamados filmes de ruptura.

O homenageado do ano se inscreve sob as duas rubricas: Fernando Coni Campos foi um diretor que pensou o cinema sob a ótica da experimentação e da vanguarda, o que não o impediu de fazer filmes políticos, uma vez que “O Mágico e o Procurador”, e, sobretudo, de tratar o cinema com humor, uma vez que fez em “Ladrões de Cinema”, possivelmente sua obra-prima.

Sua obra, pouco conhecida, recebeu tratamento adequado, além de muito informativo, no documentário “Fernando Coni Campos: Cada um Vive uma vez que Sonha”, de Luis Abramo e Pedro Rossi, que, assim uma vez que “Ladrões de Cinema”, fará segmento da mostra.

O cinema será tratado numa série de filmes relevantes, uma vez que “Os Diários de Ozu”, de Daniel Raim, que procura as fontes da geração do magistral cineasta nipónico Yasujiro Ozu em seus textos e anotações diárias, ou “A Negação do Brasil”, de Joel Zito Araujo, que observa as dificuldades dos atores negros para se imporem nas artes cênicas brasileiras, cinema e teatro adiante, simples.

A seção traz ainda ficções brasileiras, uma vez que “Vida e Morte Madalena”, de Guto Parente, e “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes. Entre os estrangeiros há o coreano “Na Teia da Aranha”, de Kim Jee-Woon e o formidável “Blow Up”, de Antonioni, que tem a retrato no ponto de partida, mas envereda pela montagem uma vez que elemento da geração cinematográfica.

No entanto, o destaque desse setor, pelo que tem de inesperado, vai para “Primavera para Hitler”, inspirada comédia de Mel Brooks. Ali, um produtor oportunista decide montar a peça escrita por um neonazista e fadada a ser um grande fracasso, que deve se tornar em um sucesso para os produtores. Ocorre que a montagem se torna um enorme sucesso e numa dor de cabeça para os que conceberam o golpe..

Essa sátira de costumes pôde ser vista em outros tempos uma vez que o que era: uma mera sátira de costumes, envolvendo essa excentricidade que era um nazista no pós-guerra.

Mas os tempos mudaram. Muitas ideias que eram ridículas em 1967 hoje se tornaram sérias. Tão propício para confrontar o momento presente em sua relação com o mundo de algumas décadas detrás. Outro caso semelhante, sem incerteza, seria “Parque da Punição”, de Peter Watkins, de 1971, terrificante por sua semelhança com certos fatos dos Estados Unidos atual, mas sem qualquer tino de humor.

Na mesma série destacam-se “Filmar ou Morrer”, em que Lucia Nagib procura estabelecer conexões intertextuais envolvendo filmes feitos que inspiram novos trabalhos ou “Para Vigo Me Voy”, estudo da obra de Carlos Diegues por Lírio Ferreira e Karen Harley.

Talvez a grande atração desta série, no entanto, seja o inédito “A História do Documentário: Introdução”, pelo historiador do cinema Marc Cousins, que abre o evento no dia 9 de setembro, às 20h.

A série destinada aos filmes de ruptura é um pouco mais heterogênea. Uma vez que idade, recua até o cinema mudo e traz obras uma vez que “O Encouraçado Potemkin”, de Serguei Eisenstein, “Metropolis”, de Fritz Lang, “A Idade de Ouro”, de Buñuel ou “Limite”, de Mario Peixoto. Mas avança até uma obra-prima moderna uma vez que “Eles Vivem”, de John Carpenter, onde uma estranha e desconcertante invasão forasteiro prenúncio a existência dos terráqueos.

O cinema feminino comparece poderoso na mostra, com “Os Encontros de Anna”, de Chantal Akerman, “Libido e Preocupação”, de Claire Denis, “A Mulher Sem Cabeça”, de Lucrecia Martel, entre outros. Por respeitáveis que sejam não igualam a força de ruptura de “As Pequenas Margaridas”, de Vera Chytilova, que satiriza o regime soviético em vigor na portanto Tchecoslováquia, os homens, o partido e, sobretudo, dá um pontapé no cinema acadêmico.

Já a África será representada por seu maior expoente, Ousmane Sembene, cá em seu primeiro filme: “A Pequena Negra”, de 1966, também publicado uma vez que “A Negra de…”. O senegalês Sembene tem um vigor que o caracteriza uma vez que um dos grandes cineastas da era moderna, e cá trata, sintomaticamente, de uma jovem vinda do Senegal que trabalha uma vez que empregada doméstica na França.

Se não é verosímil deixar de lado outras obras, uma vez que “Quando Fala o Coração”, de Hitchcock, menos ainda será faltar à sessão comentada de “Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava”, de Fernanda Pessoa.

A realizadora estará presente ao debate que se seguirá à exibição deste filme-ensaio em que a autora detecta aspectos políticos de oposição à ditadura em filmes que, em princípio, só conseguíamos ver intenções sexuais.

Daí a anfibologia sugerida pelo título: são histórias ao mesmo tempo contadas e não contadas, porque contadas, mas não sob esse prisma —que vale a pena, agora, observar. É um filme que fala de cinema e, ao mesmo tempo, pode-se expor que seu teor é intrinsecamente transgressivo.

Pelo classicismo ou pelas vanguardas, pelo mudo ou sonoro, pelos homens ou mulheres, pelos vários continentes abrangidos, “Paixão ao Cinema” continua a ser uma mostra digna de seu título e que procura a cumplicidade, nesse paixão, de velhos e novos cinéfilos.

Folha

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