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Mostra Arfoc SP expõe 272 fotos no centro de São Paulo
Celebridades Cultura

Mostra Arfoc-SP expõe 272 fotos no centro de São Paulo – 22/05/2026 – Ilustrada

A 20ª Mostra Anual de Fotojornalismo da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos no Estado de São Paulo, a Arfoc-SP, está fazendo do núcleo da cidade uma grande galeria a firmamento desobstruído, desde o último sábado (16), com imagens que documentam tragédias, afetos, conflitos, esporte, cultura e transformações sociais do Brasil.

Espalhada entre a rossio Dom José Gaspar, a Livraria Mário de Andrade, a galeria do Prédio Zarvos e a Galeria Arfoc, a exposição ocupa simultaneamente espaços públicos e culturais em uma tentativa de aproximar o público do fotojornalismo em um momento de excesso de imagens e desgaste da crédito na informação.

A edição celebra duas décadas da mostra organizada pela Arfoc, com 272 fotografias e 13 vídeos distribuídos em quatro núcleos expositivos, com ensaios e trabalhos individuais.

Segundo Toni Pires, presidente da entidade, a teoria era retirar as imagens do envolvente tradicional da prelo e devolvê-las ao espaço urbano. “É poderoso poder levar isso a uma rossio pública e ao núcleo de São Paulo, um lugar eternamente problemático, onde há muito se fala sobre ocupação com qualidade”, diz. “Acho deleitável que a pessoa possa se deparar com a notícia, e não falando exclusivamente das tragédias.”

Assim, o premiado experimento de Eduardo Anizelli, da Folha, da Operação Contenção —que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro, em outubro do ano pretérito— e registros da ruína na Síria convivem, por exemplo, com cenas esportivas, shows e trabalhos sobre cotidiano e afeto, porquê o de uma família recebendo a vacina da Covid-19.

O homenageado do ano é Juca Martins, cofundador da escritório F4 e referência no meio, atuante desde os anos 1970 e ex-fotógrafo da Folha. Há destaque para seus registros dos trabalhadores em Serra Pelada, de manifestações durante o regime militar, cenas paulistanas —do Carnaval até a greve dos bancários, em 1979—, da repressão contra a população LGBTQIA+ e da seca no sertão nordestino.

Há ainda um totalidade de 29 imagens de outros fotógrafos do jornal, porquê Danilo Verpa, Bruno Santos, Eduardo Knapp, Karime Xavier, Rafaela Araújo, Ronny Santos e Zanone Fraissat.

Outro destaque vai para a trajetória de Amanda Perobelli, da escritório Reuters, com o prêmio Profissional do Ano. Vencedora do World Press Photo do ano pretérito na categoria “História Regional, América do Sul”, ela se destacou com a cobertura das enchentes no Rio Grande do Sul. Recentemente, também acompanhou o conclave para a escolha do papa Leão 14, as eleições presidenciais nos Estados Unidos e a vida de famílias yanomami em Roraima.

A retrospectiva “20 Anos em 20 Imagens: A Seta do Tempo”, por término, revisita imagens feitas entre 2006 e 2025, uma para cada ano, acompanhadas de QR Codes que direcionam o visitante ao material completo de edições anteriores.

A exposição surge em um contexto de transformação do jornalismo visual, marcado pela popularização das redes sociais, pela produção massiva de imagens e pela subida da lucidez sintético. “O que diferencia o fotojornalista é moral e credibilidade”, afirma Pires.

O presidente da Arfoc rejeita a teoria de que a profissão esteja desaparecendo e se considera um otimista em relação ao porvir do ofício. “Eu tenho 35 anos de profissão. Quando eu comecei, todo mundo dizia assim: ‘Pô, você vai ser fotojornalista, a profissão tá morrendo’”, ele lembra. “É o moribundo mais longevo que eu conheço na vida.”

Para Pires, trata-se também de valorizar seus pares em um país que ferve em qualidade fotojornalística, mas que não valoriza e precariza cada vez mais os profissionais. Ele defende que a crise atual está menos ligada à produção de imagens e mais à transformação das relações de trabalho e circulação da informação.

” Acho maravilhoso o traje de todo mundo fotografar. Isso educa visualmente uma sociedade”, diz. “Nos cabe relatar histórias melhores, mais estruturadas, com início, meio e término.”

A curadoria buscou priorizar não exclusivamente acontecimentos históricos, mas, sobretudo, imagens capazes de edificar uma narrativa visual poderoso. “A gente não edita fatos históricos, a gente edita histórias visuais”, diz.

Ao comentar o conjunto da mostra, Pires define o Brasil retratado nas fotografias porquê um país contraditório, marcado simultaneamente por momentos de violência e tragédia, mas também potência criativa e carinho. “A gente vê um Brasil resiliente e rico.”

Folha

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