Em 2018, quando os Estados Unidos ainda disputavam o recta de sediar a Despensa do Mundo de 2026, Donald Trump enxergava o torneio porquê um instrumento de projeção política.
Oito anos depois, já de volta à Vivenda Branca, transformou o Mundial em palco de sua política externa: aproximou-se da Fifa, interferiu em episódios que marcaram a competição e viu a reta final do torneio ser marcada pelo retorno dos bombardeios americanos ao Irã.
Na era da escolha da sede, Trump estava no meio do primeiro procuração. Usava o Twitter (atual X), ainda não havia criado a Truth Social e já fazia das letras maiúsculas uma marca de seus pronunciamentos.
A política externa era guiada pelo lema America First (“América em Primeiro Lugar”), mas o republicano ainda não havia assumido o protagonismo internacional que marcaria seu segundo procuração.
Mesmo assim, já recorria à pressão pública para obter objetivos políticos. Em abril daquele ano, poucos meses antes da votação que definiria a sede da Despensa, publicou uma mensagem em resguardo da candidatura conjunta de Estados Unidos, Canadá e México.
“EUA fizeram uma FORTE candidatura com Canadá e México para a Despensa do Mundo de 2026”, escreveu. Em seguida, deixou um recado aos países que participariam da votação: “Seria uma pena se países que sempre apoiamos fizessem lobby contra a candidatura dos Estados Unidos. Por que devemos concordar esses países quando eles não nos apoiam (incluindo as Nações Unidas)?”.
À era, o logo presidente da US Soccer, Carlos Cordeiro, minimizou a enunciação em entrevista ao Orbe Esporte. “Políticos vêm e vão, o futebol fica. Leste torneio será organizado em 2026. A maioria dos políticos que hoje está no poder não vai mais estar em 2026. Nós representamos os nossos países, os nossos povos e o nosso esporte.”
A previsão se confirmou exclusivamente em secção. Trump deixou a Vivenda Branca em 2021, mas retornou ao poder antes do início do Mundial. Os Estados Unidos, ao lado de Canadá e México, receberam a competição, e o republicano passou a ocupar um espaço muito mais medial em torno dela.
Antes mesmo de a globo rolar, aproximou-se de Gianni Infantino, presidente da Fifa, participou de eventos ligados ao torneio e recebeu o Prêmio da Tranquilidade da entidade, criado no termo de 2025. A silêncio, porém, esteve longe de definir o contexto da competição.
Os meses que antecederam o Mundial foram marcados por uma escalada da política externa americana. Em janeiro, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e capturaram Nicolás Maduro. No termo de fevereiro, iniciou uma guerra contra o Irã. Durante a Despensa, a tensão voltou a crescer e culminou no retorno dos bombardeios americanos ao país enquanto a competição ainda estava em curso.
O conflito também se refletiu na participação da seleção iraniana. Instalado no México, o time reclamou repetidamente da falta de autorização para desembarcar nas cidades-sede americanas com antecedência suficiente para reconhecer o gramado e resfolgar antes das partidas. A equipe acabou eliminada ainda na temporada de grupos.
Apesar do simbolismo do torneio, o futebol raramente ocupou o meio da agenda presidencial. Trump compareceu a grandes eventos esportivos, porquê a final do futebol americano universitário e um jogo do New York Knicks, além de montar uma estádio de UFC nos jardins da Vivenda Branca para terebrar as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, poucos dias depois o início da Despensa.
Segundo pessoas próximas ao governo, o presidente acompanhava trechos de partidas e demonstrava exalo com a competição, mas evitava comprometer sua agenda para testemunhar aos jogos.
Andrew Giuliani, responsável pela força-tarefa da Vivenda Branca para a Despensa do Mundo, foi questionado repetidas vezes sobre uma verosímil presença de Trump nos estádios. A resposta era praticamente sempre a mesma: o público deveria esperar uma aparição surpresa.
Até as quartas de final, porém, o presidente não havia comparecido a nenhum dos 16 estádios que receberam partidas nos Estados Unidos. A expectativa é que esteja presente na decisão do torneio. Sua influência sobre a Despensa acabou ocorrendo de outra maneira.
O incidente mais emblemático envolveu o atacante Folarin Balogun, que havia sido expulso contra a Bósnia e ficaria suspenso da partida contra a Bélgica. Trump, que afirmou não saber sequer o significado de um cartão vermelho, admitiu ter telefonado para Infantino para pedir que o caso fosse revisto.
Balogun foi liberado para atuar. A Fifa sustentou que a revisão foi conduzida por um comitê independente e sem qualquer interferência política. Mesmo com o atacante em campo, os Estados Unidos foram eliminados depois sofrerem uma goleada da Bélgica.
A decisão provocou críticas à proximidade entre a Vivenda Branca e a Fifa. Em resposta, o governo insistiu que o perito brasiliano Raphael Claus havia aplicado o cartão vermelho de forma equivocada e passou a levantar suspeitas sobre sua atuação ao referir seu prova na CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas do Senado.
Claus, no entanto, nunca foi investigado pela percentagem. Ele exclusivamente foi convidado a prestar esclarecimentos porquê secção das discussões conduzidas pelos senadores.
Giuliani foi questionado reiteradas vezes sobre os motivos que levavam o governo a considerar o perito suspeito, uma vez que ele não era fim da investigação.
O representante da Vivenda Branca reconheceu que Claus não era investigado por qualquer transgressão, mas afirmou que sua participação na CPI justificava os questionamentos.
Ao proteger a atuação de Trump, fez uma associação entre o incidente e o exposição político do presidente: segundo Giuliani, o republicano considera a resguardo do “fair play” tão importante “dentro de campo quanto nas urnas”.





