Nos últimos três anos, Interlagos tem sido cenário de asserção para Lando Norris e de recuperação para Max Verstappen. Com cultura e um pouco de sorte, o inglês conquistou a pole position em 2024, 2025 e 2026. Neste domingo (8), confirmou o bom desempenho na classificação e venceu o GP de São Paulo pela segunda vez consecutiva.
Vencedor em 2025, o piloto da McLaren foi o primeiro a ver a bandeira quadriculada ser agitada na reta principal por Neymar.
Ao invadir o segundo triunfo em Interlagos, ele se iguala a outros campeões mundiais que também venceram duas vezes no giro: Emerson Fittipaldi (1973 e 1974), Michael Schumacher (1994 e 1995) e Max Verstappen (2023 e 2024).
“O principal hoje era permanecer tranquilo, não cometer erros e eu consegui o que eu queria. Muito bom estar no lugar mais superior do pódio, e que bom fazer isso em Interlagos”, afirmou Norris.
Verstappen, por sua vez, terminou na segunda posição e mostrou mais uma vez sua capacidade de superar adversidades. O holandês largou em 21º em seguida receber punições por trocas no morto de sua Red Bull e conseguiu chegar ao pódio, repetindo as escaladas que protagonizou nas duas edições anteriores.
Em 2024, também saiu do término do pelotão para vencer a corrida. No ano pretérito, voltou a progredir pelo grid e terminou entre os três primeiros colocados.
Norris e Verstappen demonstraram mais uma vez habilidade para mourejar com as condições adversas de Interlagos. O término de semana foi marcado pela instabilidade do tempo e pelo asfalto molhado, fatores que exigiram atenção dos pilotos mesmo antes da chegada da chuva mais intensa.
Desde o término do treino classificatório, no sábado (7), havia a expectativa de que a corrida seria disputada sob possante chuva. Diante das previsões e da garoa que persistiu desde as primeiras horas da manhã deste domingo, todas as equipes optaram por largar com pneus de chuva. A precipitação mais intensa, porém, só chegou na 60ª volta.
Mesmo antes disso, o asfalto apresentou vários trechos molhados ao longo da prova. Vários pilotos sofreram com as condições da pista, entre eles os brasileiros Gabriel Bortoleto, da Audi, e Rafael Câmara, da Haas. Para o pernambucano, a dificuldade era ainda maior por se tratar de sua estreia na F1.
Primeiro nordestino a simbolizar o Brasil na principal categoria do automobilismo, Câmara esperava estrear em 2027, depois de ser confirmado pela Haas porquê titular ao lado do inglês Oliver Bearman. Sua estreia, porém, foi antecipada em seguida um desentendimento de Esteban Ocon com integrantes da equipe, que levou ao rompimento do contrato do francesismo antes do término da temporada.
Ocon deixou a Haas na última semana, durante a disputa do GP do México. Câmara poderia ter assumido o cockpit antes, mas acabou preterido pelo nipónico Ryo Hirakawa.
Quando recebeu a oportunidade de estrear justamente no Brasil, passou a enfrentar um cenário de pressão suplementar, tanto pela primeira corrida na F1 quanto pela expectativa da torcida brasileira.
Antes da lanço, o gerente da Haas, Ayao Komatsu, havia estabelecido uma meta principal para o brasílico: ter um término de semana sem grandes incidentes. Mais do que cobrar um resultado específico, o dirigente queria que Câmara pudesse se concentrar em pilotar.
“A meta é terminar a corrida”, afirmou Komatsu à Folha antes do primeiro treino livre, na sexta-feira (6). “E o nosso objetivo porquê equipe é muito evidente: simplificar tudo para que o Rafa possa se concentrar naquilo que faz de melhor, que é pilotar o coche com sensibilidade”, acrescentou.
O brasílico conseguiu satisfazer esse primeiro objetivo, apesar dos incidentes na classificação e na corrida. Ele cruzou a risca de chegada na 20ª e última posição.
Câmara largou em 11º. No treino classificatório, bateu na segunda secção da sessão, pouco depois de registrar o 13º melhor tempo. Acabou herdando duas posições no grid em seguida punições aplicadas a pilotos que estavam à sua frente.
A corrida, porém, foi mais desafiadora. Logo depois da largada, escapou na curva do Sol, perdeu quatro posições e caiu para 15º. Ao longo da prova, o pernambucano teve outras três saídas de pista, que lhe custaram tempo e posições, até terminar em último.
Bortoleto, por sua vez, conseguiu completar pela primeira vez a lanço brasileira. Depois de espancar logo na primeira volta em 2025, o piloto da Audi levou o coche até a bandeirada neste ano. Terminou, porém, fora da zona de pontuação, na 16ª posição.





