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'Lá na Minha Terra' traz leveza, com emoção e comédia
Celebridades Cultura

‘Lá na Minha Terra’ traz leveza, com emoção e comédia – 08/11/2026 – Ilustrada

Depois de inovar esteticamente, com uma profusão de elementos africanos na pomposa “A Nobreza do Paixão” —romance das seis de quem último capítulo teve a pior audiência no horário em quatro anos, com 19 pontos em São Paulo—, a Orbe resolveu optar por uma fórmula mais convencional na trama que a substitui. “Lá na Minha Terreno”, que estreia nesta segunda, aposta em uma história mais descontraída, usando a emoção e a comédia uma vez que trunfos.

De autoria de Mário Teixeira e com direção artística de Allan Fiterman, dupla conhecida pela colaboração em “Mar do Sertão”, de 2022, e “No Rancho Fundo”, de 2024, a romance conta a história de Rosenda, interpretada por Dira Paes, uma mulher batalhadora, que cuida sozinha de cinco filhos na fictícia cidade nordestina de Lavra Seca. Ela foi há anos abandonada pelo marido, Severino, papel de Daniel de Oliveira, que rumou a São Paulo para tentar conseguir melhores condições de vida para a família.

Mas Severino simplesmente desaparece, sem dar satisfações a Rosenda e aos filhos. Na verdade, ao se instalar na maior metrópole brasileira, ele assume uma novidade identidade, conseguindo enriquecer e levando uma vida enxurrada de luxo com outra mulher, Ismália, interpretada por Camila Morgado.

Pela sinopse, percebe-se que a romance fará Rosenda passar por instantes de grande sofrimento. Mas, apesar dos percalços da protagonista, o tom universal da atração deverá ser principalmente marcado pela leveza.

“‘Lá na Minha Terreno’ pertence a esse mesmo universo que o Mário [Teixeira] domina tanto, que é mais fabular”, diz Fiterman, o diretor. “A gente trabalha com arquétipos, uma vez que ele faz muito muito. Logo, você tem o procurador, o prefeito, o coronel, o padre. É uma forma de fazer romance que funciona muito muito. As pessoas começam a se apegar muito pelos personagens que elas começam a seguir.”

Uma das personagens que devem trazer elementos cômicos é Celestina, vivida por Lilia Cabral, uma cafetina que chantageia Severino, mas que, apesar da vilania, também tem seu lado humano e engraçado. No dia em que visitou a cidade cenográfica, nos Estúdios Orbe, no Rio de Janeiro, a reportagem conferiu a gravação de uma cena em que Celestina recebe uma visitante do rebento, interpretado por Igor Lorenzo.

“Pelo que eu já assisti, pelo astral, pelo que a gente está gravando, eu acho que é uma romance solar, divertida”, diz a atriz. “E eu acho que precisa de uma descontração, para você permanecer escutando uma história familiar nessa cidade, que é uma fábula, né? É fictícia. Você vai entendendo quais são os arquétipos que formam essa cidade”, afirma Cabral.

A atriz diz que há alguma coisa na novidade trama que a faz se lembrar de algumas de suas novelas mais conhecidas. “Ela me remete a alguns personagens ou alguns movimentos que eu já fiz. Por exemplo, ‘Tieta’ [de 1989] e ‘Pedra sobre Pedra’ [de 1992], em que você vê sempre que é uma cidade fictícia, mas você vê aquilo correndo. E você se reconhece. E acho que essa alegria faz secção da história da dramaturgia brasileira.”

A tradutor de Rosenda, Dira Paes, reconhece que a trama vai evitar qualquer excesso de solenidade e acha que a trama tem até um caráter “onírico”. Mas os dramas da personagem também serão devidamente explorados.

“Tem essa Mãe Coragem, que a gente reconhece; ela não é fictícia, ao contrário. A minha personagem é de um núcleo mais realista, porque a gente quer falar sobre quem são essas mulheres que convivem com o ponto de interrogação, com uma escassez”, diz, se referindo à falta de informações da protagonista sobre o paradeiro de seu marido em São Paulo.

“Eu acho que os outros personagens compensam também esse paisagem. Os personagens de Lavra Seca têm esse traço do lúdrico, da pincelada, que é muito brasiliano. E essas figuras icônicas que também a gente sabe que uma cidade uma vez que Lavra Seca tem.”

Mateus Solano, que interpreta Almerindo, um rico proprietário de terras que se apaixona por Rosenda, destaca também que a romance é ótima para os atores porque tem um texto com falas mais longas que as tramas recentes tendem a ter.

“Eu acho que é uma particularidade do Mário [Teixeira]. A gente vem pedindo isso, para ter cenas mais longas. Acaba que eu acho que a gente ganha em qualidade também. E agora a gente ganha mais tempo para estudar e mais tempo para resfolgar”, diz o ator, fazendo referência a uma novidade da romance —é a primeira da Orbe a permitir à equipe e ao elenco a trabalhar em graduação 5×2.

“No término de semana, agora, em vez de ter um dia para decorar, a gente tem dois dias para poder viver e decorar também. Além dos feriados, tá?”, diz Paes. “A gente quer que dê evidente, todo mundo está se ajustando para a gente ter uma equação para apresentar também para os próximos produtos que virem a ser no protótipo 5×2”, afirma a atriz. “É um momento histórico. E, se antecipando a uma tendência oriundo, eu acho que isso é uma demanda que há muito tempo existia no Brasil.”

Folha

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