Financial Times
O título do instigante livro de Daniel Susskind, “What Should My Children Do?” (“O que Meus Filhos Devem Fazer?”, não editado no Brasil) faz a pergunta que todos os pais estão se fazendo. Sua resposta é inquietante: “Não podemos ter certeza de que o juízo que demos aos nossos filhos no ano pretérito continuará válido no próximo”.
Felizmente, ele prossegue oferecendo a esperança de que nossos filhos possam prosperar se aproveitarem as oportunidades “extraordinárias” trazidas pela IA, fortalecerem sua capacidade de pensamento crítico e evitarem as distrações das redes sociais.
Em meio aos temores sobre o potencial devastador da IA —que levam até mesmo integrantes do setor a pedir que o desenvolvimento da tecnologia seja desacelerado—, oriente livro combina otimismo e realismo ao abordar quais trabalhos e formas de pensar ainda poderão caber aos seres humanos. Não há respostas fáceis, mas talvez existam caminhos plausíveis a seguir.
“What Should My Children Do?: How to Flourish in the Age of AI” (“O que meus filhos devem fazer?: Uma vez que prosperar na era da IA”) é um alerta para que não resistamos às forças da mudança nem subestimemos o potencial da IA.
Estudantes controlam braço robótico em centro de experiências com IA em escola em Tiajin, na China
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Zhao Zishuo – 24.dez.25/Xinhua
Nem mesmo a originalidade está a salvo: a IA generativa pode projetar belos edifícios, elaborar argumentos jurídicos engenhosos e gerar histórias capazes de nos fazer rir, não por plagiar os seres humanos, mas por “operar de maneiras muito diferentes”, escreve Susskind, perito em trabalho e tecnologia com cargos em Oxford e Stanford.
Segundo ele, muitos pais têm encarado uma vez que certa a expansão dos empregos de colarinho branco. Mas a IA é mormente boa em tarefas desse tipo.
De forma incisiva, ele afirma que “o nível de instrução formal de que uma pessoa precisa para realizar uma tarefa é um indicador cada vez menos útil para instituir se essa tarefa pode ser automatizada”.
Essa frase me fez engolir em sedento. À medida que tarefas de nível inicial são automatizadas, ele sugere que, para prometer a formação contínua de futuros profissionais, o mundo do trabalho de colarinho branco deveria adotar algumas técnicas clássicas de capacitação dos trabalhadores de colarinho azul —sobretudo o tipo de aprendizagem prática de escoltar um mentor experiente e aspirar, desde o início, a dificuldade e as nuances da profissão.
Ele defende o uso da IA generativa para treinar profissionais em início de curso por meio do tipo de simulação empregado em setores uma vez que a engenharia e a Fórmula 1.
“Se a aprendizagem simulada é boa o bastante para treinar a próxima geração de gestores de usinas nucleares”, escreve, “portanto deveria ser capaz de fazer o mesmo pela próxima geração de, digamos, contadores”.
Tratando de crianças menores, Susskind, pai de três filhos, descreve uma vez que ele e as crianças usaram o ChatGPT para gerar uma história razoável ao estilo do Dr. Seuss, que depois se divertiram incrementando.
Esse exemplo específico me pareceu entusiasmado demais: pessoalmente, eu preferiria inventar uma história para dormir com meu fruto sem recorrer a uma tela.
Ainda assim, o livro uma vez que um todo apresenta uma combinação equilibrada de realismo e otimismo. Apesar de todas as capacidades da IA, Susskind acredita que preferiremos observar a atletas e músicos humanos, e não a robôs; responsabilizar decisões morais a juízes e políticos humanos; reputar objetos feitos à mão; e valorizar a empatia humana na saúde, na assistência social, na psicoterapia, na orientação místico e no ensino. Por fim, os seres humanos continuam disputando torneios de xadrez, 30 anos depois de o Deep Blue derrotar Kasparov.
Susskind defende com paixão uma reformulação da instrução, argumentando que saber usar a IA de modo eficiente é uma novidade conhecimento fundamental. Ele propõe um currículo de IA que explique a história da dimensão e quem foram seus pioneiros, ensine moral e descreva as limitações muito concretas dos diferentes modelos, para que não confiemos cegamente em seus resultados.
Precisamos aprender a ser “críticos ativos”, porque a IA é muito propensa a erros e suas capacidades são desiguais, afirma.
O responsável concorda com o economista americano Tyler Cowen que um terço de cada curso universitário deveria ser devotado à IA.
Quando ensinava economia a estudantes de graduação em Oxford, conta Susskind, ele reservava tapume de um terço do tempo para lhes ensinar unicamente matemática —a termo de proporcionar competências críticas que pudessem utilizar a qualquer outra dimensão que escolhessem estudar.
O maior repto, em sua opinião, será ensinar as pessoas a prosperar usando a IA sem levá-las a olvidar habilidades básicas cruciais, uma vez que leitura, escrita, matemática e estudo científica.
Ele acredita que a IA reinventará e melhorará radicalmente a aprendizagem personalizada, ao longo de toda a vida. Espero que esteja perceptível, considerando o quanto a “tecnologia educacional” tem desenganado.
Um argumento que encontrou poderoso sonância em mim —e em relação ao qual os pais já podem agir— é a urgência de fortalecer a capacidade de concentração de nossos filhos. Um terço dos americanos de 13 a 17 anos está nas redes sociais “quase continuamente”, escreve Susskind.
Gerações anteriores tiveram preocupações semelhantes: quando a Inglaterra implementou o sistema postal universal, em 1840, as pessoas temiam interrupções constantes causadas por 12 entregas de cartas por dia (é difícil até imaginar!).
Mas as tecnologias atuais representam um repto inteiramente novo, porque a distração não é um efeito paralelo: é o padrão de negócios.
Reflexões tão sóbrias não devem nos levar ao derrotismo de empuxar os jovens para quaisquer funções que a IA ainda não seja capaz de assumir. Fazer isso, argumenta Susskind, não só é impraticável, dada a velocidade com que a tecnologia evolui, uma vez que também diminui o significado de ser humano.
Ele incentiva cada um de nós a se concentrar em “quem você é, não no que você faz”. Devemos pensar na instrução não unicamente uma vez que uma forma de produzir em série trabalhadores mais produtivos, mas também cidadãos melhores. Isso parece reptante, mas também libertador.




