Novo Rede Social puxa filmes sobre medo quanto à internet – 21/09/2026 – Ilustrada
É difícil lembrar, mas, antes de “A Rede Social” estrear em 2010, houve muita zombaria. As pessoas querem ver um filme sobre um site?
A resposta foi sim. O filme foi um sucesso de bilheteria e ganhou três Oscars, incluindo um pelo roteiro de Aaron Sorkin. Nos anos seguintes, seria continuamente classificado entre os melhores filmes da dez, chegando ao 10º lugar na lista do The New York Times dos melhores do século 21.
Havia um pouco nesse filme sobre um site —e, mais ainda, sobre a psicologia de seu instituidor— que repercutiu em praticamente todo mundo. Pode-se até manifestar que ele nos deu um gênero inteiramente novo —o filme sobre fundadores de empresas de tecnologia.
Neste segundo semestre, esse gênero entra numa novidade período, que reflete a crescente suspeição e raiva em relação a fundadores de empresas de tecnologia. Em outubro, “O Outro Lado das Redes”, sequência de Sorkin, chegará aos cinemas, a série “Cupertino” estreará na CBS e “Sintético”, de Luca Guadagnino, terá sua estreia mundial no Festival de Cinema de Novidade York.
As três obras apresentam uma visão muito mais sombria do Vale do Silício do que “A Rede Social” e seus sucessores, e essa é uma evolução reveladora. O entretenimento costumava festejar os fundadores —ou ao menos respeitar o seu talento e sua preceito. Agora, porém, eles são frequentemente retratados com trote, repulsa e até fúria.
Enquanto se ocupavam, porquê diria Mark Zuckerberg, de proceder rápido e quebrar coisas, nós ficávamos cada vez mais incomodados com o mundo que construíam. Mas, conforme a tecnologia toma o controle de Hollywood, não se sabe —porquê aprendemos com o caso de “Sintético”— se essa veras aparecerá nas telas no horizonte.
O arquétipo do fundador de empresa de tecnologia porquê um gênio excêntrico e contracultural já havia sido estabelecido décadas antes de “A Rede Social”. Livros porquê “Fire in the Valley: The Making of the Personal Computer” e “Hackers: Heroes of the Computer Revolution”, ambos de 1984, abordavam jovens entusiastas de computadores —a maioria homens— que se enfurnavam em laboratórios e garagens para fabricar microcomputadores destinados ao uso de pessoas comuns. Bill Gates, na Microsoft, e Steve Jobs e Steve Wozniak, na Apple, cultivavam de bom grado a própria mito enquanto construíam seus impérios.
Os três foram o foco do que talvez seja o único filme do gênero anterior a “A Rede Social” —o telefilme de 1999 “Piratas do Vale do Silício”. No primórdio, Wozniak e Jobs, com cabelos compridos —vividos por Noah Wyle e Joey Slotnick—, atravessam correndo o campus de Berkeley durante um confronto entre policiais e estudantes num protesto contra a guerra, em 1971. Eles buscam uma revolta, só não daquele tipo.
“Esses garotos acham que são revolucionários. Eles não são revolucionários; nós somos”, diz Jobs. Esses jovens rebeldes, com sua moral hacker que exaltava sistemas abertos e dados prontamente acessíveis a todos, acreditavam que mudariam o mundo — e que essa mudança seria boa para todos nós.
Na tradução de Jesse Eisenberg em “A Rede Social”, Zuckerberg é uma versão desses sujeitos, uma geração depois. O filme o trata porquê alguém também irritante e intrigante; de certa forma, você torce por ele. Assim porquê Gates, Wozniak e Jobs, ele deixará a faculdade para edificar sua empresa no Vale do Silício. E, porquê eles, é fanfarrão e exibido. Mas não procura verba. Está nisso por paixão ao jogo.
Na prolongamento, “O Outro Lado das Redes”, prevista para outubro, Jeremy Strong interpreta Zuckerberg. O filme aborda os eventos que antecederam o vazamento estrondoso de documentos em 2021, mostrando que os dirigentes da empresa sabiam dos diversos danos que as plataformas causavam à saúde mental dos usuários e à segurança social. Pode-se manifestar com segurança que o tom de espanto moderada do primeiro filme deu lugar a um pouco mais sombrio.
Essas obras são vestígios de uma idade —provavelmente a última— em que ainda era verosímil manifestar, sem parecer ingênuo demais, que o impacto universal das redes sociais era positivo.
A deterioração da opinião pública sobre as gigantes da tecnologia talvez possa ser atribuída ao escândalo envolvendo a Cambridge Analytica. Em 2014, a empresa usou um teste no Facebook para coletar dados sem o consentimento dos usuários. O Facebook descobriu a violação e pediu à consultoria que deletasse as informações, mas não avisou os usuários; elas foram usadas para ajudar as campanhas presidenciais de Donald Trump e Ted Cruz em 2016. Quando um ex-funcionário da empresa denunciou o caso dois anos depois, houve indignação.
É verosímil perceber uma viradela nas narrativas justamente nessa idade. Houve “O Círculo”, filme de 2017 fundamentado no romance distópico de Dave Eggers sobre uma empresa que misturava vagamente Google e Facebook. Depois veio uma enxurrada de documentários e produções dramatizadas sobre fundadores de empresas de tecnologia: “The Dropout”, do Hulu, sobre Elizabeth Holmes, da Theranos, “WeCrashed”, da Apple, sobre Adam Neumann, da WeWork, e “Super Pumped”, da Showtime —baseada no livro de não ficção do repórter do Times Mike Isaac—, sobre Travis Kalanick, da Uber, foram todas lançadas em 2022.
Os três executivos já haviam sofrido quedas espetaculares quando essas séries foram ao ar.
O novo arquétipo era o de uma prenúncio narcisista e amoral, indiferente a coisas porquê moral e leis, desde que o preço das ações subisse. A epílogo continuava a mesma: nós, o público, somos as vítimas cá. O fundador porquê gênio havia depravado no fundador porquê vigarista.
O gênero está agora em um ponto de inflexão. A cultura popular já não glorifica tanto os fundadores, a ponto de os personagens que o fazem serem retratados porquê bajuladores ou seguidores cegos.
Em 2010, nenhum grande estúdio pertencia a uma empresa de tecnologia. A Sony, que distribuiu “A Rede Social”, era o caso mais próximo —uma empresa de eletrônicos com uma subdivisão de mídia. A Netflix ainda não produzia teor original e havia entrado no streaming poucos anos antes. O Prime Video já existia, assim porquê o Hulu, que se concentrava principalmente na disponibilização, no dia seguinte, de episódios exibidos pelas redes de TV. Mas a grande investida no streaming só ocorreria em 2020.
Agora, porém, a fronteira entre Hollywood e o Vale do Silício parece ter se tornado tão difusa que deixou de subsistir. Os algoritmos dão as cartas. A IA é ora acolhida, ora temida. A Netflix entrou para a Motion Picture Association —a associação mercantil dos grandes estúdios de Hollywood— em 2019.
Outros integrantes da MPA têm vínculos com gigantes da tecnologia —porquê a Paramount, controlada pelo CEO da Oracle, Larry Ellison, e por seu fruto, David— ou são simplesmente empresas de tecnologia, porquê a Amazon MGM, criada quando a Amazon adquiriu o estúdio. Até mesmo Disney, Universal e Warner, que ainda mantêm operações cinematográficas robustas, concentram esforços em plataformas de streaming, movidas por dados de usuários e algoritmos próprios.
Essa transformação tem consequências. Em junho, a Amazon MGM confirmou que desistira de “Sintético”, de Guadagnino, em que Andrew Garfield é Sam Altman, cocriador da OpenAI. Publicações especializadas noticiaram que o filme estava quase pronto e havia sido muito recebido em exibições teste. Um porta-voz da Amazon disse à Variety que “Sintético” “estaria mais muito servido se fosse lançado por outro estúdio.”
O momento da decisão foi revelador. Em fevereiro, a Amazon fechou um tratado para ampliar o uso dos serviços de hospedagem na web da empresa pela OpenAI, além de desenvolver modelos personalizados de IA —a Amazon havia investido US$ 50 milhões na companhia de perceptibilidade sintético.
Vários outros estúdios cogitaram comprar “Sintético”, caso do independente A24, que parecia uma escolha oriundo. Mas entre os investidores da empresa estão a Thrive Capital, de Josh Kushner —também uma das investidoras da OpenAI —, e, desde junho, a subdivisão de IA DeepMind, do Google, que investiu murado de US$ 75 milhões na A24. No termo, a Neon adquiriu o filme, que estreará num número restringido de cinemas no termo deste ano antes de um lançamento mais vasto no início de 2027.
Assim, por um lado, o gênero parece estar em subida nesta temporada. Mas a saga de “Sintético” é instrutiva. No horizonte, se gigantes da tecnologia seguirem investindo em entretenimento, será que as plataformas poderão se dar ao luxo de recontar histórias pouco lisonjeiras sobre fundadores, agora que tantas delas respondem a fundadores?
Jobs, Gates, Woz e Zuck se consideravam revolucionários, desafiando a mando e mudando o mundo. Mas a transição de “A Rede Social” para “O Outro Lado das Redes” nos mostra o que ocorreu em seguida. Agora, os rebeldes se tornaram autocratas e tentaram dominar o mundo. Os fundadores de empresas de tecnologia realmente mudaram o mundo. Mas os filmes sobre eles revelaram, na maioria das vezes, que estamos furiosos com o mundo que eles construíram.





