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O espectro que ronda a eleição de 2026 11/08/2026
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O espectro que ronda a eleição de 2026 – 11/08/2026 – Wilson Gomes

Um espectro ronda a eleição presidencial de 2026. Aliás, não um, dois. O primeiro vem do escândalo dos descontos ilegais do INSS. O segundo, das investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master. Ambos continuam em desenvolvimento e já alcançaram as duas principais candidaturas. Num país em que a prova de prevaricação continua a ser uma arma mortal na disputa pelo Executivo, todos sabem que, a qualquer momento, um dos dois escândalos pode desferir o golpe trágico.

A estado torna-se principalmente explosiva porque esta não é uma eleição normal de ocupar. O país chega à disputa partido ao meio, com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em levantamentos recentes de segundo vez e rejeitados por parcelas enormes do eleitorado. Numa eleição assim, o veto pode importar mais do que o voto. Na impossibilidade de ampliar o próprio eleitorado, as campanhas passam a torcer —e, quando podem, a trabalhar— para que o outro lado seja o mais rejeitado. Uma revelação devastadora de última hora, a associação ao personagem inverídico e a vaca vai para o brejo.

É nesse terreno que entram os dois escândalos. O dos descontos ilegais do INSS já alcançou o entorno de Lula, com investigações envolvendo Lulinha e integrantes do governo e da campanha. O Banco Master, por sua vez, aproximou-se diretamente de Flávio Bolsonaro, que confirmou ter solicitado a Vorcaro financiamento para um filme sobre o pai. Ambos possuem ramificações que atravessam partidos e campos políticos. Para a eleição, porém, importa menos reconstituir cá cada incidente do que perceber que os dois casos já chegaram suficientemente perto das candidaturas para permanecerem porquê ameaças reais até outubro.

Nenhum de nós, cidadãos comuns, é capaz de saber o que ainda falta romper, embora alimentemos a suspeita de que tem gente que não só sabe o que ignoramos porquê está cuidadosamente reservando coisas para revelar no momento que considerar profíquo. É oriente o suspense que as campanhas e os candidatos adorariam evitar e que vai tornar essa disputa presidencial tensa até o último minuto.

Ocorre que, na política do dedo contemporânea, aquilo que não apareceu também circula. Basta alguém anunciar que viu um vídeo, ouviu um áudio ou conhece mensagens comprometedoras para que um teor ainda inexistente para o público comece a produzir efeitos políticos reais. Foi o que ocorreu com boatos sobre gravações das festas de Vorcaro. Vegetal-se a promessa de que há registro de malfeitos para que se gerem cortes, comentários, buscas, memes, acusações e desmentidos, o que obriga o objectivo a responder a uma prova que ninguém pode sequer examinar. Agora imaginem isso num debate ou na propaganda eleitoral.

Há, depois, a questão do timing. Uma revelação verdadeira divulgada a dois dias da votação pode ser eleitoralmente tão difícil de desmentir de forma suasório quanto uma falsificação. A campanha atingida terá poucas horas para responder. O jornalismo terá poucas horas para verificar contexto, origem e autenticidade. Notem, aliás, que 2026 é a primeira eleição presidencial brasileira realizada sob condições de perceptibilidade sintético generativa madura, em que fabricar áudio, imagem, vídeo, documentos visuais e dezenas de versões adaptadas da mesma denúncia se tornou muito mais barato e rápido. Na era do sintético, o desmentido pode chegar quando a urna já estiver fechada.

Existe, ainda, o selo institucional. Uma procura da Polícia Federalista, a rombo de um interrogatório pelo Supremo, um indiciamento ou um relatório de quebra de sigilo têm natureza e peso jurídicos muito diferentes. Na estádio eleitoral, porém, essas distinções tendem a vanescer. PF e STF não fazem campanha quando cumprem suas funções, mas o que ocorrer nesta seara de agora até outubro, queiram ou não as autoridades, entra imediatamente na campanha. E, se trechos de investigações, mensagens ou depoimentos continuarem sendo vazados seletivamente e revelados deliberadamente em momentos-chave da corrida eleitoral, o efeito sobre uma candidatura pode ser decisivo.

Zero disso significa que os escândalos do INSS e do Master decidirão a eleição, mas, sim, que ambos permanecerão porquê reservas de imprevisibilidade até o termo. Significa também que um vídeo, um print ou um áudio com uma revelação decisiva de última hora, se viralizar, pode ser o empurrão que basta para destruir uma campanha inteira. Por enquanto, os dois espectros rondam porquê uma ameaço à eleição, mas, até outubro, não será surpresa se um deles finalizar abatendo uma candidatura.


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Folha

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