Harvard, a primeira instituição de ensino superior das colônias que dariam origem aos Estados Unidos, foi criada em 1636. Depois vieram Yale, em 1701, a Universidade da Pensilvânia, em 1740, e Princeton, em 1746.
Em 1647, em Massachusetts, foi revalidado o ato que obrigava condados com um notório número de famílias a manterem escolas públicas. O educador libertador Horace Mann transformou o país a partir de 1837, garantindo escolas não sectárias, gratuitas e financiadas pelo Estado.
É o pai da reforma educacional laica, que se espalhou pelos Estados Unidos. Quer passar vergonha de ser brasílio? Quando o Brasil declarou a sua independência em 1822, a América espanhola já tinha 22 universidades.
Em 1538, foi fundada a Universidade de Santo Tomás de Aquino, na atual República Dominicana. Em 1551, surgiram a Universidade Vernáculo Maior de San Marcos, no Peru, e a Universidade Real e Pontifícia do México. A de Bogotá foi fundada em 1580. A de Sucre, na atual Bolívia, em 1624. A Universidade de San Carlos, na Guatemala, em 1676.
A primeira universidade da Argentina foi a de Córdoba, de 1613. A notória Universidade de Buenos Aires é de 1821. O general Manuel Belgrano, um dos líderes da independência argentina, derrotou forças monárquicas, recebeu indenização e destinou o numerário à construção de escolas.
A grande transformação do sistema educacional prateado se deu com Domingo Faustino Sarmiento: a Lei 1.420, de 1884, estabeleceu ensino primária obrigatória, gratuita, alcançável a meninos e meninas.
No Brasil, a primeira universidade foi fundada exclusivamente em 1920, a Universidade do Rio de Janeiro, hoje a UFRJ. Apesar de São Paulo ter sido fundada em torno de um escola, a Universidade de São Paulo, a USP, é de 1934. O país ficou para trás. O sistema educacional público foi organizado depois de 1930.
Ensino nunca foi prioridade para a escol que nos governou. O Brasil pode não ser melhor ou pior do que outros, mas seria melhor do que nos transformaram.
Depois de se observar à série “The American Experiment”, disponível na Netflix, pode-se considerar a independência de lá uma reviravolta na história das nações. Foi inventada a democracia moderna, sem protótipo anterior a seguir, numa convenção em 1787 na Filadélfia.
Eram 55 delegados representando 12 estados. O que se tinha anteriormente uma vez que exemplo era uma suposta democracia na Grécia antiga e a república do Predomínio Romano, experiências que fracassaram.
O general George Washington, herói da guerra contra os ingleses, presidia as sessões. Precisavam determinar sobre impostos, moeda, o numerário que deviam à Espanha, à França, aos Países Baixos e ao Tropa, que quase se desfez sem soldos, e ensino.
Era uma colagem de ex-colônias cercadas por impérios ricos e poderosos. Sugeriu-se dividir o poder em três, inspirados em Montesquieu: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Um tanto novo era criado, num mundo regido por tiranias. Dividir o Legislativo em Câmara e Senado garantiria que estados populosos não dominassem os menores, mantendo o autogoverno.
Não era uma democracia perfeita. Mulheres não votavam.
Negros escravizados não eram considerados cidadãos. Indígenas estavam excluídos. Mas havia ali a desejo de produzir instituições capazes de organizar o poder.
Depois da Independência do Brasil, um subscrição com 8.000 assinaturas pressionou por uma constituinte. Em 1823, 52 representantes das províncias começaram a se reunir no Rio de Janeiro para redigir a primeira Constituição do novo país.
Havia matemáticos, juízes, promotores, militares, advogados, até padres. José Bonifácio de Andrada e seus irmãos defendiam a reino constitucional. Foram introduzidas leis progressistas, uma vez que as que queriam enfrentar a escravidão, instituir liberdade de prelo e produzir universidades em cada comarca.
A primeira Constituição brasileira, redigida por Antônio Carlos, irmão de Bonifácio, foi engavetada. Em novembro de 1823, os representantes dos estados foram cercados por militares e afastados. Os irmãos Andradas foram presos e exilados.
No livro “O Primeiro Golpe do Brasil”, Ricardo Lessa destrincha nosso fracasso ao mostrar uma vez que o imperador dom Pedro 1º empastelou a constituinte, prolongando a escravidão e a desigualdade, afastando o país da modernidade, e uma vez que seu rebento Pedro 2º, em simbiose com uma escol atrasada, deu-lhe salvaguardas.
A grande questão histórica é que o Brasil começou a ter escolas muito cedo, mas demorou quase quatro séculos para transformar a ensino num sistema público de tamanho. Que segue ameaçado.
Não é preciso ter vergonha de ser brasílio. É preciso ter vergonha do que fizeram com o Brasil.
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