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Novo Rede Social puxa filmes sobre medo quanto à internet
Tecnologia

‘O Outro Lado das Redes’ mostra dependência de vazamentos – 23/10/2026 – Tec

Os dois principais filmes de ficção sobre o Facebook estrearam com 16 anos de diferença, pausa suficiente para tirar Mark Zuckerberg do posto de protagonista e substituí-lo por um jornalista e sua natividade, a delatora Frances Haugen.

Enquanto “A Rede Social” (2010) se debruçou sobre os primeiros dias do que viria a se tornar um dos maiores conglomerados de tecnologia do mundo, em “O Outro Lado das Redes”, que estreou nesta quinta-feira (22), a pesquisador de dados revela uma vez que a plataforma impulsionou “rage baits” (conteúdos sensacionalistas e por vezes falsos concebidos para provocar raiva) ao priorizar o engajamento na risco do tempo dos usuários.

Foi uma escolha algorítmica que esteve associada ao propagação de grupos extremistas, a problemas de saúde mental entre jovens e ao recrutamento por cartéis do tráfico de drogas.

A revelação dessas engrenagens por trás da empresa também lembra que a maior segmento das informações relevantes sobre as plataformas digitais tem origem em vazamentos internos. Isso, no filme, dá ao jornalismo um paisagem heroico que destoa dos próprios dados apresentados no final —de que mais pessoas se informam pelas redes sociais do que por veículos noticiosos.

O início do enredo lembra mais “Todos os Homens do Presidente”, clássico de 1976 sobre o caso Watergate, que derrubou o logo presidente dos EUA Richard Nixon, do que o primeiro filme sobre Zuckerberg.

Cá, um diretor de relações públicas ficcional, Teddy Marks, alerta os funcionários da empresa de que jornalistas buscam fontes até em aplicativos de relacionamento. Ele reforça que vulgarizar informações internas viola o contrato de trabalho.

Os protocolos de confidencialidade da corporação evidenciam não unicamente a proteção a segredos comerciais, mas também a falta de transparência com seus 3,64 bilhões de usuários (contando pessoas ativas em Facebook, Instagram e WhatsApp). A sátira consta em ações coletivas nos EUA e em ações civis públicas no Brasil.

O interlocutor da chamada “whistleblower” do Facebook é o jornalista Jeff Horwitz (interpretado por Jeremy Allen White, de “O Urso”), repórter do Wall Street Journal premiado com o Pulitzer pela série de reportagens Facebook Files, que jogou luz sobre os efeitos nocivos das plataformas.

A publicação dos documentos no jornal americano, em 13 de setembro de 2021, pressionou a empresa a modificar seu nome corporativo para Meta em 28 de outubro do mesmo ano, mudança apresentada oficialmente uma vez que segmento de sua aposta no metaverso.

Em um oferecido momento, Horwitz afirma que “é preciso dor para fazer gente rica mudar de teoria, ainda mais quando não é sobre moeda”.

A falta de transperência também esbarra em questões políticas. Ainda em 2021, no contexto dos desdobramentos do ataque ao Capitólio por apoiadores de Donald Trump, Zuckerberg bloqueou a conta do logo ex-presidente e reduziu o alcance orgânico de conteúdos políticos no feed de notícias.

Embora esses anúncios fossem contemporâneos ao fortalecimento da cobertura sobre desinformação no mundo, a ex-diretora de assuntos governamentais da empresa Katie Harbath afirma que o CEO da Meta altera a orientação da rede a cada ciclo eleitoral americano.

No início de 2025, com o retorno de Trump à Presidência dos EUA, Zuckerberg desmantelou projetos de checagem, reduziu a moderação contra conteúdos discriminatórios e voltou a priorizar publicações políticas.

“Zero é mais mercadológico do que a falta de conformidade ideológica”, disse o pesquisador político Felipe Gretschischkin, do Cebrap (Meio Brasílico de Estudo e Planejamento), em debate depois a exibição do filme em São Paulo. Sem regulamentação, a empresa opera com ampla liberdade para buscar o domínio de mercado e o lucro dos acionistas.

Desde 2021, as redes sociais seguem sem obrigação lícito de prestação de contas nos EUA, onde ficam suas sedes. No Brasil, relatórios de transparência passarão a ser exigidos por decisão do STF (Supremo Tribunal Federalista), diante da preterição do Congresso em assinar uma legislação sobre o tema.

O debate é oportuno no país, onde um vazamento revelado pela Folha mostrou que falhas da plataforma prejudicaram um candidato e favoreceram seu concorrente em uma disputa presidencial. Não fosse a publicação dos diálogos entre funcionários brasileiros e engenheiros baseados no exterior, o público saberia unicamente que houve falhas técnicas de alcance global, uma vez que disse o enviado solene da empresa.

Antes dos créditos finais, o diretor e roteirista Aaron Sorkin registra que as reportagens de Horwitz motivaram 47 ações coletivas nos EUA para substanciar a proteção de crianças nas redes.

Em 26 de agosto, 29 dessas ações resultaram em concordância que estabeleceu multa de US$ 17 bilhões e compromissos da empresa, uma vez que o término da rolagem infinita e o bloqueio noturno para menores de idade.

No Brasil, o Instituto Alana pede ao Ministério Público que as medidas adotadas nos EUA sejam aplicadas no país, de modo a satisfazer as diretrizes do ECA (Regimento da Petiz e do Jovem) no envolvente do dedo.

Em pintura ao término da exibição na Mostra de São Paulo, o jurista da entidade, João Aguiar, disse que, apesar dos avanços, a big tech mantém lucros bilionários e segue submetida a menor supervisão do que outros setores relevantes da economia.

Folha

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