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O que houve de inovador no Exército do Lula?
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O que houve de inovador no Exército do Lula? – 03/11/2026 – Wilson Gomes

Em 2018, Geraldo Alckmin entrou na disputa presidencial com cinco minutos e meio de televisão, enquanto Bolsonaro tinha oito segundos. Iniciado o horário eleitoral, dizia-se, a candidatura do deputado seria triturada pela máquina televisiva. Mas foi Bolsonaro quem liquidou Alckmin e, com ele, a certeza de que vencer uma eleição presidencial dependia de dominar a TV. Uma rede de grupos de WhatsApp, articulada a canais, influenciadores e produtores de teor, demonstrou que a campanha do dedo podia derrotar a forma de informação eleitoral dominante havia décadas.

Não foi uma simples vitória eleitoral. Foi uma inovação nos métodos e processos de campanha. Nos anos seguintes, o bolsonarismo transformou aquela infraestrutura em uma ecologia permanente de informação política, com veículos, celebridades, comunidades e circuitos de circulação próprios. A direita radical passou a levar vantagem na disputa diária pela atenção, pelas pautas, pelas narrativas e pelos enquadramentos dos acontecimentos.

A esquerda tinha influenciadores e produtores de teor, mas não conseguia transformar sua presença do dedo em capacidade comparável de mediação. Em vez de aprender a competir nas novas condições, preferiu atribuir suas derrotas às plataformas, às fake news e aos algoritmos, porquê se a desvantagem política fosse culpa da estádio e não de não ter aprendido a lutar nela.

O Tropa do Lula, organizado por André Janones no segundo vez de 2026, representa uma inflexão interessante nessa história. Não porque tenha inventado uma tecnologia ou revelado qualquer recurso secreto das plataformas. Sua inovação foi de método –transformar uma turba de indivíduos dispersos numa força coordenada de ação coletiva que partia do do dedo.

O primeiro vez deixara milhões de eleitores de Lula apavorados com a perspectiva iminente de um novo governo Bolsonaro. Sentiam-se não só impotentes, porquê ineficazes. Havia motivação de sobra para agir, mas faltava saber porquê. Janones ofereceu uma resposta simples. Alistem-se, recebam suas missões, façam a sua secção. Não precisou convencê-los de que a vitória de Bolsonaro seria uma tragédia, mas sim de que dava para fazer alguma coisa para evitá-la.

A operação tinha outra vantagem. Não exigia que ninguém se convertesse ao lulismo, assimilasse o repertório completo da esquerda ou prestasse provas de fidelidade. Bastava querer derrotar Bolsonaro. O vínculo era prático, não doutrinário. Ao contrário de mobilizações em que o militante precisa primeiro fazer o download de um sistema inteiro de crenças, no Tropa a porta estava oportunidade a quem aceitasse a missão.

O sigilo estava sobretudo na coordenação. Um meato de WhatsApp com milhões de inscritos só é uma força eleitoral se essa turba for dirigida. Janones dizia o que fazer, onde e quando. Instruções claras, tarefas simples, alvos definidos, urgência, metas e métricas. Dizia inclusive o que não se devia fazer. A organização convertia motivação em participação e participação em capacidade concentrada de disputar a visibilidade, flectir os algoritmos e dominar a estádio.

A própria expansão do Tropa ajudava a fomentar sua força. Cada milhão de novos alistados funcionava porquê prova de que um pouco estava mudando. Os integrantes passavam a sentir-se secção de uma comunidade na qual o esforço individual parecia comprar força porque milhões de outros se moviam na mesma direção.

E as missões não se limitavam às redes. Janones estimulava intervenções em outros ambientes online e até conversas com familiares, amigos e conhecidos. A informação do dedo pôde servir também para reativar o corpo a corpo que a esquerda tinha desaprendido.

Em 2018, Carlos Bolsonaro inovou na logística da circulação. Em 2026, André Janones inovou na logística da coordenação. A direita formara uma ecologia descentralizada, capaz de funcionar continuamente. Janones organizou uma força concentrada, com comando mediano, objetivo único e estratégia clara para uma Blitzkrieg de três semanas, adequada à urgência de uma única e decisiva guerra.

Não sabemos se o método sobreviverá à emergência que o tornou verosímil. Uma coisa é manter milhões de pessoas mobilizadas por três semanas para impedir uma vitória que temem. Outra é conservá-las engajadas nos combates cotidianos, com objetivos múltiplos, disputas internas e sem a mesma urgência. A direita passou anos nas trincheiras digitais, Janones demonstrou porquê organizar uma guerra-relâmpago. Ainda não sabemos se o Tropa será capaz de enfrentar uma guerra permanente.


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Folha

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