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Orfeu desce ao inferno ao som de grandes árias em
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Orfeu desce ao inferno ao som de grandes árias em ‘Ópera’ – 18/09/2026 – Ilustrada

Para alguns, pensar em cultura italiana é pensar em voga. Para outros, em arquitetura. E há ainda quem lembre do país por seu cinema ou sua música. Essas manifestações ocupam o núcleo do palco que Paolo Gep Cucco e Davide Livermore montaram para “Ópera! Cantiga para um Eclipse”.

Uma mistura de linguagens, o filme que acaba de chegar ao streaming Suplente Imovision –que tem distribuído com exclusividade, no Brasil, vários filmes europeus menos glamorosos– toma emprestada uma história importada de outro país. É o mito helênico de Orfeu e Eurídice, ajustado para os tempos contemporâneos, que guia a narrativa dos dois amantes protagonistas.

Ao som de algumas das árias mais famosas da ópera, compostas por gigantes porquê Giuseppe Verdi e Giacomo Puccini, a história sobre um rapaz erudito que desce ao inferno para buscar sua namorada, depois que ela morre precocemente, vai sendo costurada a cenários que remetem à pintura metafísica de Giorgio de Chirico e à arquitetura racionalista de Pier Luigi Nervi.

Enquanto cenários oníricos se formam no horizonte, montados com efeitos especiais que são propositalmente pesados e dramáticos, o elenco internacional formado por Vincent Cassel, Rossy de Palma e Fanny Ardant, entre outros, é vistoso por figurinos que carregam a grife Dolce & Gabbana.

“Quando o melodrama nasceu, a teoria era pôr todas as artes ao mesmo tempo no palco. No nosso filme é exatamente o mesmo, pensamos que podíamos trabalhar com muitas referências simultaneamente em cena”, diz Gep Cucco. “Encaminhar ópera é porquê encaminhar todas as artes de uma só vez”, completa Livermore.

Duradoura, a parceria entre os dois os levou a encaminhar e conceber visualmente espetáculos mirabolantes porquê festas de introdução e fechamento de campeonatos esportivos e as mais variadas cerimônias de premiações.

Óperas, várias delas, também estão em seus currículos –principalmente no de Livermore. Atual diretor do Teatro Pátrio de Gênova, ele abriu as temporadas do prestigioso La Scala, em Milão, por quatro anos consecutivos, e encenou versões elogiadas de “Turandot”, “Macbeth”, entre outras.

“Nas nossas produções de ópera, já usamos muito as telas, os painéis de LED, misturados à arquitetura e cenários reais. Logo, de certa forma, foi uma experiência parecida”, diz o italiano sobre encaminhar seu primeiro longa-metragem. “No set, passei por um estágio técnico, mas isso é fácil. O problema é ter alguma coisa importante a manifestar no seu filme.”

Em “Ópera! Cantiga para um Eclipse”, Orfeu e Eurídice são interpretados pelo tenor Valentino Buzza e a soprano Mariam Battistelli. Eles vivem num mundo contemporâneo ao nosso, mas ensopado em fantasia. No dia do seu enlace, ela é assassinada, e ele, seguindo a tradição, tenta fazer um negócio para resgatá-la do mundo dos mortos.

Mas não são as composições de Christoph Willibald Gluck para a ópera inspirada na história grega que compõem a trilha sonora. Em vez delas, Gep Cucco e Livermore optaram, por exemplo, por “Nessun Dorma”, de “Turandot”, e “Un Bel Dì Vedremo”, de “Madama Butterfly”.

A elas se somam composições de “Carmen”, “La Boheme”, “La Traviata”, “Manon Lescaut” e “Tosca”. Justificação estranhamento, portanto, quando os primeiros acordes de “The Power of Love”, hit oitentista da filarmónica de rock e new wave Frankie Goes to Hollywood, se embrenham pela narrativa operística.

Entoada numa versão digna dos palcos do La Scala, a cantiga segue os preceitos românticos e trágicos que guiam muitas grandes árias, na visão dos diretores, que mais uma vez reforçam a intenção de expelir barreiras artísticas com o filme –uma mistura do pop, do barroco e da ópera, resumem.

Mas porquê todo o projeto, a escolha ainda carrega um significado pessoal. Gep Cuoco escolheu “The Power of Love” porquê a música de seu enlace e, na hora de buscar um tema para o parelha protagonista de “Ópera! Cantiga para um Eclipse”, só conseguia pensar nela.

“O paixão é a luz que afasta a negrume/ Estou tão enamorado por você/ Purifique a espírito/ E faça do paixão o seu propósito”, diz a letra do Frankie Goes to Hollywood, que recai com sublimidade sobre os lábios de um Orfeu que, no filme e na tradição, só vê sentido em viver se puder resgatar a namorada das trevas.

Folha

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