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Os Garotin lançam novo disco centrado na juventude 21/05/2026
Celebridades Cultura

Os Garotin lançam novo disco centrado na juventude – 21/05/2026 – Ilustrada

Em qualquer lugar de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, um garoto abre o portão de uma sarau para outro. Já entrando na vivenda, o recém-chegado, com a sentimento de conhecê-lo de qualquer lugar, pergunta se eles já se conheciam. “Conhece”, responde o outro. “De onde?”, insiste. “Ué, dali do portão.”

Foi mal dois terços d’Os Garotin se conheceram. O terceiro já era colega de um deles —e, naquela mesma madrugada, os três já tinham uma música.

Hoje, alguns anos depois daquela sarau, o trio formado por Anchieta, Cupertino e Léo Guimarães ocupa um espaço vasqueiro na música brasileira contemporânea. O grupo pop é comemorado tanto pelo giro mútuo quanto por artistas já estabelecidos da MPB, do rap e do R&B pátrio.

“Quando tudo começou, não existia planejamento nenhum em torno da curso”, diz Cupertino. “A gente só ficava em vivenda rindo.”

Quem fez com que o projeto em grupo realmente alavancasse, segundo eles, foi Paula Lavigne. Até logo, o trio era uma teoria para um porvir em que os três já estivessem estabelecidos no cenário músico. “Horizonte zero, meninos, é agora”, disse a produtora.

O segundo álbum do grupo, “Força da Juventude”, aprofunda essa lógica ao longo de 13 faixas. Mais ávido e conceitual que a estreia, o disco expande a mistura de soul music, R&B, funk, rap e MPB que transformou o trio em uma espécie de promessa da música brasileira recente.

Entre participações de nomes uma vez que Marina Sena, BK’, Lenine, Arthur Verocai e da americana Malia, o álbum tenta trasladar uma teoria que os três repetem diversas vezes durante a conversa, de que a juventude é um estado de espírito, não uma fita etária.

“A juventude não tem idade”, diz Anchieta. “Mas também é a nossa vez. Os nossos ídolos estão envelhecendo. A responsabilidade está chegando na nossa mão.”

O oração poderia tanger grandioso demais se não viesse escoltado da informalidade caótica que organiza o trio. Eles se interrompem sempre, terminam frases uns dos outros e parecem menos uma filarmónica do que um grupo de amigos tentando organizar pensamentos ao mesmo tempo. Em determinado momento da entrevista, definem a própria formação uma vez que “um feat eterno”.

A espontaneidade também atravessa a maneira uma vez que falam sobre música. Os Garotin rejeitam classificações muito rígidas. “A gente faz música pop brasileira”, diz Cupertino. “O padrão é não ter padrão.”

A mistura, no entanto, não acontece de maneira calculada. Crescidos em ambientes ligados à igreja, os três citam referências que passam pelo soul americano, pelo gospel, pela MPB dos anos 1970, pelo rap contemporâneo e pelo R&B. O resultado aparece tanto nas harmonias vocais quanto na construção das faixas, que alternam grooves dançantes, arranjos melódicos e refrões pop sem ceder uma identidade muito própria.

Secção desse estabilidade vem também do produtor Júlio Raposo, colaborador medial do grupo desde o início. “A gente faz na voz e violão e ele transforma aquilo no que a gente imaginou —e ainda supera”, diz Léo Guimarães.

“Força da Juventude” nasceu ao longo de dois anos, ainda durante a reta final do primeiro álbum e em meio à rotina de shows, premiações —o grupo venceu um troféu do Grammy Latino— e mudanças na estrutura profissional do grupo. Algumas músicas surgiram de madrugada, depois de apresentações, e outras foram compostas antes mesmo da estreia solene do trio. Em vez de sessões intensivas de formação, eles preferem falar em “esperar a música comparecer”.

“A gente confia muito no mistério”, diz Cupertino. “Se fosse só sobre lucidez de mercado, eu estaria ansioso. Mas tudo aconteceu de um jeito tão procedente que hoje eu tenho fé nas canções.”

Essa dimensão quase místico da geração aparece também na estética visual do novo trabalho. O álbum foi escoltado por uma exposição em que artistas plásticos criaram obras inspiradas nas faixas do disco. Secção da renda será revertida para a doação de violões em São Gonçalo, cidade onde o grupo se formou.

“Quantos moleques não podem encetar na música se tiverem um violão?”, pergunta Léo Guimarães.

Embora frequentemente apontados nas redes sociais uma vez que “a salvação do soul brasiliano”, os integrantes parecem desconfortáveis com qualquer oração messiânico. Também rejeitam a lógica obsessiva por números e rankings de streaming.

Talvez por isso o trio ocupe um lugar incomum no pop brasiliano atual. Os Garotin transitam entre festivais alternativos, playlists pop, fãs de MPB clássica e artistas da novidade geração sem parecer pertencer completamente a nenhum desses espaços. São pop, mas não exatamente mainstream; são nostálgicos, mas sem reproduzir o pretérito; e jovens, embora falem sempre sobre legado e perenidade.

No término, o grupo parece funcionar da mesma forma uma vez que começou. São três amigos reunidos em torno da sensação de que ouvir o outro trovar ainda pode ser uma experiência transformadora. Cupertino resume muito a formação da filarmónica: “era uma possibilidade muito boa de ser feliz”.

Folha

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