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Palantir: esquerda chama de tecnofascista e direita elogia 28/04/2026
Tecnologia

Palantir: esquerda chama de tecnofascista e direita elogia – 28/04/2026 – Tec

O gigante americano da integração de dados Palantir defende uma federação entre empreendedores da tecnologia e o Estado pelo rearmamento do Oeste, em um manifesto publicado na rede social X no último dia 18.

A proposta é fabricar uma “república tecnológica”, inspirada na teoria de governo de filósofos de Platão —com a diferença de que, no lugar dos pensadores clássicos, estariam empreendedores do setor. Segundo o texto, esses atores estariam sendo limitados por regulações formuladas por profissionais sem conhecimento técnico.

Os argumentos, apresentados em 22 tópicos na plataforma, são desenvolvidos no livro “A República Tecnológica”, de Alexander Karp, CEO da empresa.

A Palantir presta serviços nas áreas militar e de segurança pública dos Estados Unidos. Mais recentemente, desenvolveu para o ICE (serviço de imigração) uma instrumento de identificação biométrica de migrantes irregulares. A tecnologia, usada pelo governo do presidente Donald Trump, é mira de denúncias de vigilância em volume.

Embora Karp, um ex-aluno do investigador político Jürgen Habermas, se declare democrata e protector dos valores liberais americanos, suas ideias têm recebido críticas da esquerda e elogios de setores da direita.

O investigador político espanhol Elvin Calcaño, profissional em populismo, classificou o manifesto porquê “tecnofascismo puro”, termo que repercutiu nas redes sociais em seguida o lançamento do livro.

A sátira é compartilhada pelo economista helênico Yanis Varoufakis, que vê na proposta um movimento em direção a um “mundo ensanguentado”, no qual a tecnologia ampliaria o poder destrutivo e o controle estatal.

Karp argumenta que os Estados Unidos são o maior motor de progresso da história e que o mercado falhou em atuar em áreas nas quais o Estado é mais vulnerável. Por isso, defende que empreendedores abandonem a resistência a colaborar com forças militares.

O executivo ainda defende claramente o término da diplomacia, que diz ter se esgotado, e sugere que o desarmamento do pós-guerra na Alemanha e no Japão foi uma “correção exagerada” que agora ameaço o estabilidade global.

Para a Palantir, a era atômica foi substituída pela era da perceptibilidade sintético, e os países do Oeste precisam se rearmar para uma iminente Terceira Guerra Mundial.

A publicação no X que resume o livro atraiu 35 milhões de visualizações até esta terça-feira (28)

Trump já elogiou a tecnologia da Palantir por sua eficiência em conflitos armados. “Pergunte aos nossos inimigos se a tecnologia funciona”, disse o presidente.

O parecer da empresa de tecnologia é presidido por Peter Thiel, um dos primeiros bilionários do Vale do Silício a se alinhar ao trumpismo e que está em um embate com o Vaticano sobre a regulação da perceptibilidade sintético.

O livro de Karp foi um best-seller nos Estados Unidos e recebeu elogios na prelo. Personalidades alinhadas à direita, porquê o colaborador no desenvolvimento do bitcoin Peter Todd, endossaram o texto.

“Palantir é meu partido político”, escreveu Todd no X sobre o manifesto. Também no X, Elon Musk chamou Karp de “incrível”.

O ideólogo russo Aleksandr Dugin, divulgado pela proximidade a Vladimir Putin e pelas propostas utranacionalistas e autoritárias, disse que é um texto muito importante.

Apesar da retórica em resguardo da liberdade, a proposta levanta questionamentos sobre soberania pátrio e direitos civis.

A Palantir mantém laços estreitos com o governo americano e se declara uma empresa a serviço dos EUA, ao mesmo tempo em que presta serviços a outros países.

No Brasil, os aplicativos da Palantir estão entre os serviços de terceiros oferecidos pela estatal Serpro e em contratos de ferramentas de segurança pública de prefeituras brasileiras. O investigador político Sérgio Amadeu, professor da UFABC (Universidade Federalista do ABC), afirma que a tecnologia da empresa de Karp ainda é usada na estatal paulista Prodesp e no Ministério da Instrução.

Para ele, a proximidade com o governo americano levanta dúvidas sobre a capacidade de países porquê o Brasil garantirem que seus dados não sejam utilizados contra seus próprios interesses.

Críticos afirmam ainda que a proposta de integrar empresas de tecnologia à segurança interna e à resguardo pode ampliar práticas de vigilância em volume.

Ao mesmo tempo, Karp defende maior proteção à privacidade de figuras públicas, argumentando que a exposição excessiva desestimula a participação de pessoas qualificadas na política.

Os críticos questionam se essa não seria uma tentativa de blindar políticos e empresários com contratos públicos, porquê o próprio Karp, do escrutínio público.

Questionada sobre as críticas, a Palantir não respondeu.

Folha

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