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Paul McCartney é pura nostalgia em Boys of Dungeon Lane
Celebridades Cultura

Paul McCartney é pura nostalgia em Boys of Dungeon Lane – 29/05/2026 – Ilustrada

Aos 83 anos, Paul McCartney está perseguindo uma teoria: voltar para lar. Verdadeiro patrimônio cultural da humanidade, ele não quer as mansões exuberantes ou os palcos de arenas gigantescas. Ele procura uma Liverpool operária antes de sua glória. Quer voltar ao bairro onde foi mais um menino querendo fazer com guitarras baratas algumas canções para tocar no rádio.

Chegando às plataformas, “The Boys of Dungeon Lane”, primeiro álbum de estúdio de McCartney em seis anos e seu 20º trabalho solo, pode parecer, sob um olhar evidentemente ingênuo, o encontro do maior nome do planeta pop e um garoto sonhador e talentoso.

A Dungeon Lane do título é uma rua da região onde McCartney e George Harrison cresceram. E ela simboliza essa jornada que retrocede a memórias de casas geminadas, tardes frias de chuva, famílias proletárias, amizades adolescentes e paixões platônicas. O foco parece ser a vida antes dos Beatles. Levante é um McCartney com saudade de uma existência anônima entre os mortais?

Para fãs ansiosos, é bom esclarecer logo. O álbum não é uma obra-prima. Longe disso. “The Boys of Dungeon Lane” deverá executar o que acontece há décadas quando McCartney, Ringo Starr ou os Rolling Stones lançam um disco. A primeira reação é eufórica, com o novo trabalho sendo considerado o melhor deles há muito tempo. Mas depois vem a percepção de que o álbum não é tão bom assim.

O diagnóstico é óbvio —os Beatles sobreviventes e os Stones persistentes em formação grupal são tão adorados que o simples roupa de encontrarem disposição para a gravação de novas canções depois dos 80 anos é um presentão para os fãs. Mesmo que as canções não possam ser comparadas aos clássicos dessas duas bandas.

É um disco irregular, de momentos primorosos, mas atrapalhado por algumas canções que não funcionam muito. Caso da fita de preâmbulo, “As You Lie There”. Em tom quase falado, McCartney relembra uma mulher que ele observava através da persiana iluminada de uma janela. A cantiga soa inicialmente uma vez que uma segunda segmento de “No Reply”, dos Beatles. Mas, apesar do excitação de McCartney, um tanto foge do controle no final.

Pode ser o momento de falar sobre o produtor Andrew Watt, que em anos recentes parece ter encontrado um ofício dos sonhos: ser um bom ouvinte dentro do estúdio para veteranos uma vez que Ozzy Osbourne, Elton John, Iggy Pop e Rolling Stones. Seria originário que o eleito por Paul McCartney e Mick Jagger para conduzir suas gravações fosse alguém luminoso, inimaginável. Nem tanto.

Sem refinar a produção madura dessas estrelas, Watt procura uma sonoridade, digamos, “jovem”. Uma teoria que pode fazer muito ao espírito desses veteranos, mas musicalmente essa alegria anabolizada enfraquece o que eles teriam de melhor para mostrar: músicas mais introspectivas, até mesmo mais tristes e nostálgicas.

E esse novo McCartney é pura nostalgia. Porquê em “Salesman Saint”, homenagem aos pais Mary e James McCartney. Misturando violões folk e metais típicos das big bands britânicas do Pós-Guerra, a música é uma ode à vida ordinária. Zero de venerar sucesso e glória. McCartney presta reverência à geração que “precisou seguir em frente”. Na música mais emocionante do álbum, o varão que conquistou o mundo presta um tributo aos pais, apontando que os verdadeiros heróis estavam na classe trabalhadora.

“Days We Left Behind” é magnífica, uma vez que se seu narrador revisitasse o pretérito em fotografias em preto e branco já amareladas. Existe uma tristeza na cantiga que só poderia ser escrita por alguém uma vez que McCartney. Poucos compositores fazem nostalgia de uma maneira tão universal sem desabar no sentimentalismo piegas.

Mas há decepções. Sem a mesma força melódica, “Home to Us”, aguardado dueto com Ringo Starr, emociona mais pelo reencontro afetivo do que propriamente pela música. Ouvir os dois sobreviventes dos Beatles cantando sobre a puerícia pobre em Liverpool promete muito, mas a cantiga nunca alcança a grandeza que seus protagonistas merecem. E, em outro ponto fraco, o mesmo acontece com “Down South”, relato em som acústico de uma viagem de adolescentes ao lado de um colega mais jovem. George Harrison, é evidente.

McCartney toca boa segmento dos instrumentos do disco, uma vez que tantas vezes fez na curso, e a intimidade com seu universo músico torna tudo interessante, mesmo quando as músicas não atingem plenamente o escopo e parecem facilmente esquecíveis. A sinceridade está toda ali, mas talvez falte um pouco mais de elaboração nas melodias ou nos arranjos.

A sátira não pode ser severa, porque “Mountain Top” recupera muito o espírito psicodélico sessentista, “Come Inside” aposta num rock relaxado e veloz, e “Never Know” lembra as músicas intrincadas da melhor tempo do Wings, filarmónica de McCartney na primeira dezena pós-Beatles. E “Ripples in a Pond” e “Life Can Be Hard” são bons exemplos daquilo que ele já chamou de “tolas canções de paixão”.

McCartney continua sendo um herói do maior fenômeno da história do pop, mas não soa uma vez que alguém tentando parecer jovem. Ele aceita o envelhecimento e as perdas uma vez que matéria-prima criativa. É bom perceber que ele parece menos fascinado pelo auge da Beatlemania e cada vez mais atraído pela vida generalidade que conheceu antes.

Folha

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