Peta interrompe desfiles em protestos contra uso de lã – 18/09/2026 – Ilustrada
Dois desfiles de tendência foram interrompidos nesta semana por ativistas da Peta, People for the Ethical Treatment of Animals, ou pessoas pelo tratamento ético dos animais, em protestos contra o uso de pelo pela indústria. Os episódios aconteceram nas semanas de tendência de Novidade York e de Londres, em apresentações de marcas do grupo H&M.
Em Novidade York, tapume de cinco ativistas da Peta entraram no desfile da COS, marca de contemporânea e de estética minamlista pertencente à H&M, realizado no último domingo (13). Um dos manifestantes entrou na passarela com um papeleta e gritou palavras de ordem relacionadas ao tratamento de ovelhas. Outros integrantes do grupo também se levantaram durante o desfile.
O incidente ganhou uma dimensão maior quando Steven Kolb, presidente-executivo do Council of Fashion Designers of America, o CFDA, órgão responsável pela Semana de Tendência de Novidade York, decidiu intervir. Vídeos registrados durante o desfile mostram o executivo empurrando o manifestante Mason Melito contra uma parede e colocando a mão sobre sua boca. Em seguida, ele aparece segurando a ativista Andrijia Barak no solo, com o corpo e uma das pernas, além de revestir sua boca com a mão.
Kolb disse que havia reagido de maneira inadequada e que a situação deveria ter sido deixada para a equipe de segurança, e ainda anunciou uma licença voluntária. Na terça-feira, o CFDA confirmou seu solidão enquanto o incidente é analisado. A organização também afirmou que os protestos deveriam ser tratados pelos profissionais de segurança presentes nos eventos.
Kolb é uma figura de longa trajetória na tendência americana. Ele trabalha no CFDA há duas décadas e ocupa o posto de presidente-executivo desde 2011. O próprio CFDA havia anunciado no ano pretérito que não promoveria mais o uso de peles de animais nobres em eventos oficiais da Semana de Tendência de Novidade York, uma iniciativa que teve Kolb uma vez que um dos principais articuladores.
Protestos desse tipo fazem segmento do repertório da Peta desde os anos 1990, quando a organização passou a invadir passarelas para negar o uso de peles e pele pela indústria da tendência.
Na quinta-feira, a estratégia voltou a ser usada em Londres. Três manifestantes interromperam, em momentos diferentes, o desfile da H&M na Semana de Tendência de Londres. Todos carregavam o mesmo papeleta: “H&M: Wool is bloody cruel. Drop it!”, ou H&M, pelo é cruel demais, deixem de usá-la.
Cada um caminhou pela passarela antes de deixar o espaço e ser escoltado por seguranças. A coleção acabou parcialmente ofuscada pela sucessão de interrupções, que provocou suspiros, vaias e reações da plateia.
A estratégia, de qualquer forma, funcionou para transladar a atenção da coleção para a mensagem dos ativistas. A Peta afirma que a pelo está ligada à exploração e a casos de maus-tratos de ovelhas. Em seu site, a organização relata, entre outros episódios, uma investigação na África do Sul em que afirma ter encontrado animais com ferimentos durante o processo de tosquia.
A prática, porém, não é em si considerada incompatível com o bem-estar dos animais. A remoção anual da pelo é recomendada em muitas criações de ovinos para evitar problemas uma vez que superaquecimento e dificuldades de higiene. O manejo inadequado pode, por outro lado, provocar estresse e ferimentos.
“Respeitamos o recta de todas as pessoas de expressarem suas opiniões e acreditamos que todos devem ser tratados com zelo e saudação. O bem-estar bicho é muito importante para nós, e concordamos que nenhum bicho deve ser prejudicado para a fabricação dos nossos produtos”, disse a H&M, por meio de sua assessoria de prelo no Brasil.
Segundo a marca, eles adotam alguns dos padrões e certificações independentes mais rigorosos do mercado para o fornecimento de fibras de origem bicho utilizadas na confecção de seus produtos.
“Toda a pelo virgem utilizada por nós é certificada pelos padrões da Responsible Wool Standard, da Textile Exchange, ou proveniente de fontes recicladas certificadas. Levamos muito a sério qualquer descumprimento dos padrões e certificações independentes nos quais confiamos.”
Em contrapartida, a Peta reitera que “nenhuma certificação pode proteger as ovelhas da crueldade inerente à indústria da pelo.”





