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Prazer Máximo Garantino fala de desejo feminino e camboys
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Prazer Máximo Garantino fala de desejo feminino e camboys – 21/05/2026 – Ilustrada

Tatiana Maslany abre uma garrafa de cerveja, vai até o espelho do banheiro e começa a se arrumar numa das primeiras cenas de “Prazer Sumo Reservado”. Ela tem um encontro marcado, mas não vai precisar pôr o pé fora de lar.

Logo entendemos que seu interesse romântico está recluso na telinha do computador. Eles jantam juntos —a personagem dela, Paula, come comida chinesa e o de Brandon Flynn, Trevor, qualquer outra coisa–, conversam sobre o trabalho, reclamam da família e, de repente, ele a interrompe. “Eu odeio fazer isso, mas nós só temos mais seis minutos.”

Trevor é um camboy. Seu trabalho é tirar a roupa e permanecer nu em transmissões ao vivo enquanto vê dólares entrando em sua conta. Por um extra, ele leva seus fãs para salas privadas e, eventualmente, cria com eles uma rotina de encontros virtuais, porquê é o caso de Paula.

Com aqueles seis minutos que restam, ela desliza as mãos pela bojo até mergulhá-las na calcinha, se deliciando enquanto observa Trevor dançar para a webcam. A tela de seu notebook aprisiona aquele corpo masculino, que se aproxima até deixar a virilha, na iminência de ser invenção, fora de quadro.

São poucos minutos de prazer que se repetem numa rotina quase diária, mas que pouco importam perto das horas que ela passa tendo alguém para ouvir seus desabafos, receios e pequenas conquistas. Durante o dia, Paula se fecha para o resto do mundo, usando fones de ouvido enormes que servem de escudo para qualquer socialização.

“A teoria para a série veio durante a Covid-19. Eu comecei a reparar na lar das pessoas toda vez que entrava numa chamada de Zoom e ficava pensando porquê seriam as suas vidas. E isso me fez refletir sobre porquê estávamos atravessando esse período de profunda solidão”, diz David Rosen, instituidor de “Prazer Sumo Reservado”, por videoconferência.

“Havia, além da pandemia óbvia, uma pandemia de solidão. A mesma tecnologia que nos permite conversar agora é a responsável por nos enclausurar nessas pequenas bolhas, alheias a uma vida social de verdade. E eu comecei a pensar na personagem mais ocupada que consegui –uma mãe solteira, que trabalha, chega em lar e, sem tempo para saber ninguém, abre o computador em procura de um pouquinho de companhia.”

Roteirista de séries porquê “Citadel” e “Sugar”, Rosen acha, ao mesmo tempo, incrível e tremendo que hoje em dia possamos pedir comida com o clique de um botão, orientar o entregador a deixar tudo na porta e usufruir de uma bela repasto sem ter contato com absolutamente ninguém.

“A série leva isso ao extremo, mas eu realmente acredito que neste mundo circunvalado de telas muita gente está em procura de um tino de intimidade e conexão, e nós nos enganamos com esses truques virtuais que não parecem servir para muita coisa”, diz ainda Flynn, que ganhou projeção com outra série que fazia comentários pouco animadores sobre a situação do mundo hoje, “13 Reasons Why”.

Assim, as dancinhas eróticas de Trevor funcionam porquê uma cilada para o testemunha mais desavisado, em procura unicamente de prazer sumo guardado. Por trás das cenas de homens sarados se exibindo em outras plataformas adultas, a trama esconde tanto um thriller tenso –aportado na investigação de um assassínio brutal–, quanto um glosa aguçado sobre maternidade, o libido feminino e, porquê Rosen frisa, solidão.

Conforme os episódios avançam, “Prazer Sumo Reservado” vai ganhando ares hitchcockianos, emulando um “Janela Indiscreta” por meio das janelas virtuais de seus internautas-protagonistas.

Numa das chamadas de vídeo com Trevor, Paula testemunha o rapaz sendo violentamente sequestrado. Ela labareda a polícia, que diz que ela provavelmente caiu num golpe, e passa a receber várias ligações pedindo um resgate pela vida de seu parceiro virtual.

Trevor não é uma pessoa ruim, ela pensa. Ele nunca aplicaria um golpe em mim, porque temos uma conexão verdadeira, segue ela em sua risca de raciocínio ingênua. Seria tudo uma armação ou o camboy realmente está em risco?

Paula secção em procura de respostas, mas as chantagens logo começam a interferir em seu trabalho e, pior, na guerra permitido que ela trava com o ex-marido pela guarda da filha. “Essa série seria totalmente dissemelhante se o protagonista fosse um varão, não haveria tanto escrutínio”, diz Maslany, que venceu o Emmy pelo trabalho em “Orphan Black”.

“O libido é uma coisa que pode ser usada porquê arma contra as mulheres, é um tanto que faz os outros olharem para elas com julgamento. Quando falamos de mães é pior. Existe essa teoria de que se você se torna mãe, a sua vida passa a rodopiar em torno disso, o que é falso.”

Ela acha curioso que o tema esteja tão presente nas telas hoje em dia, em filmes porquê “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria” e “Morra, Paixão” ou séries porquê “Margô Está em Apuros”, lançada pela mesma Apple TV no mês pretérito.

Citando novamente “Janela Indiscreta”, em que Alfred Hitchcock mergulhou seus protagonistas em paranoia depois que eles testemunham o que parece ser um assassínio, Maslany acredita que a sensação de vigilância permanente do filme só se intensificou nos últimos 72 anos. “A sensação de estar sendo observado agora é muito maior, porque qualquer aparelho que temos em mãos se tornou uma janela.”

Folha

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