Na semana em que são lembrados o Dia Mundial da Saúde e o Dia Mundial de Combate ao Cancro, o diretor-presidente da Filial Vernáculo de Saúde Suplementar (ANS), Wadih Damous, avalia que o padrão de assistência em saúde focado na reação ao problema e no tratamento de doenças precisa ser superado. “É um padrão reativo.”
Em entrevista à Filial Brasil, Damous considera a prevenção e a promoção da saúde porquê parâmetros imprescindíveis e propõe diálogo um diálogo mais espaçoso com o setor no sentido de edificar um novo padrão de assistência em saúde. “Até do ponto de vista de quem está no setor e quer prometer a sua lucratividade, barateia custos”.
A ANS é uma filial reguladora vinculada ao Ministério da Saúde responsável pelo setor de planos de saúde no Brasil. De forma simplificada, a regulação pode ser entendida porquê um conjunto de medidas e ações do governo que envolvem a geração de normas, o controle e a fiscalização do segmento.
O diretor-presidente da ANS defende o letramento em saúde porquê instrumento para que beneficiários de planos possam tomar decisões mais conscientes e que as próprias operadoras possam participar desse processo. “Não consigo conceber a saúde suplementar porquê um mero aglomerado de empresas.”
“Em mais de 700 cidades brasileiras, diversos tipos de cancro já ultrapassaram, num ranking macabro, o primeiro lugar tradicional que era das doenças cardiovasculares. E a previsão, também macabra, é que, até 2029, o cancro encabece esse ranking de maior incidência de doenças no país”, disse. “Temos que nos preparar pra isso”, completou.
>> Siga o meato da Filial Brasil no WhatsApp
Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista:
Filial Brasil: Esta semana lembramos o Dia Mundial da Saúde. Uma vez que o senhor avalia o padrão de assistência em saúde que foca na reação ao problema e no tratamento de doenças?
Wadih Damous: Esse padrão precisa ser superado. É um padrão reativo. E esse não é só o meu ponto de vista, é o ponto de vista de diversos especialistas da extensão médica, da extensão da saúde pública cá no Brasil. Já se chegou à peroração de que esse paradigma é pesado e ineficiente. Grande segmento das despesas assistenciais das operadoras se concentra no manejo de complicações que são evitáveis ou que são tratáveis desde que corretamente diagnosticadas e com a antecedência necessária, porquê diabetes, hipertensão, obesidade. E não é logo que acontece.
Nosso entendimento é que a saúde deve ser gerida com lucidez e isso vai exigir, de veste, uma mudança dessa cultura institucional. Entendo também que a gente deve transitar nesse padrão de pagamento por volume que é uma coisa que as operadoras reclamam tanto e que acaba incentivando o excesso de exames desnecessários e partir para a lógica de geração de valor em saúde, por meio de linhas de zelo planejadas, prevenção. Isso barateia custos, preserva vida e garante uma qualidade de vida melhor.
Filial Brasil: Prevenção e promoção da saúde são hoje fatores inegociáveis para a sustentabilidade da saúde suplementar?
Damous: Uma vez que sou dirigente de uma filial reguladora e o meu contextura é a saúde suplementar, não posso proferir que são inegociáveis. Tudo cá, no nosso contextura, se constrói a partir de negociações e diálogo. Mas eu diria que são parâmetros imprescindíveis. O que eu quero é promover um espaçoso diálogo com o setor, com as operadoras, com as prestadoras, incluindo hospitais, clínicas e afins, no sentido de construirmos esse novo padrão. Sou otimista e acredito que um diálogo fundamentado em evidências e em que se demostra que isso, até do ponto de vista de quem está no setor e quer prometer a sua lucratividade, barateia custos. Tenho a esperança de que essa novidade visão sensibilize esses setores.
Filial Brasil: Qual a valia do letramento em saúde porquê instrumento para que beneficiários de planos possam tomar decisões mais conscientes?
Damous: Essa não é uma questão restrita à saúde suplementar. É uma política pública de saúde que deve ser capitaneada pelo Ministério da Saúde e a ANS deve reverberar. Em que sentido? É um processo de convencimento do setor privado da saúde cá no Brasil, que envolve mais de 53 milhões de usuários. É um setor imponente, que atinge uma parcela sucoso da população brasileira. Precisamos integrar essa campanha de letramento e esclarecer a premência da prevenção. Quantas doenças que se tornam letais poderiam ser evitadas se houvesse prevenção?
Convencer as pessoas a fazer exames periodicamente, a ir ao médico de forma periódica, a praticar exercícios físicos e aderir a uma sustento mais saudável. Tudo isso é letramento em saúde. Agora, isso requer uma campanha muito organizada e que, de veste, traduza, numa linguagem simples, essa premência. E convencer as pessoas de que é assim, não é só tomando remédios e providências quando a doença já se instalou no corpo. Para que as pessoas possam entender que a prevenção pode ser a chave para uma vida longa, saudável e com boa qualidade.
Filial Brasil: Qual o papel das operadoras nessa estratégia de letramento em saúde?
Damous: Utilizar seus meios de notícia, orientar seus credenciados, médicos, consultórios, hospitais, clínicas para que integrem essa campanha e esclareçam seus pacientes. E que isso esteja expresso nos produtos que são oferecidos por meio dos planos de saúde. Isso é um pouco que, no contextura da saúde suplementar, quero organizar um projeto e submetê-lo às operadoras para que haja adesão. Para que seja também simpático para elas. Aí sim podemos agir porquê sistema. Porque eu entendo que a saúde suplementar é um sistema, assim porquê há o sistema público, há o sistema privado. Não consigo conceber a saúde suplementar porquê um mero aglomerado de empresas.
Filial Brasil: No início desta semana, foi publicada uma lei que prevê que empresas disponibilizem informações sobre campanhas de vacinação contra o HPV e sobre cânceres de pomo, de pescoço do útero e de próstata. Quais os impactos dessa novidade legislação na saúde suplementar?
Damous: Isso a gente vai ver com o tempo. O presidente Lula sancionou essa lei, inclusive, prevendo, no SUS [Sistema Único de Saúde], a incorporação de tratamentos de imunoterapia. Temos solução normativa que estabelece e autoriza o tratamento imunoterápico em algumas modalidades de cancro. A lei trata de 40 tipos de cancro – muito mais espaçoso do que aquilo que está previsto no rol da ANS. Provavelmente, isso será incorporado ao nosso rol de procedimentos. A partir daí, teremos noção do impacto regulatório, do impacto na sustentabilidade do sistema. Mas foi um progresso no SUS e espero que seja um progresso também na saúde suplementar. Estamos tratando de vidas e de saúde.
O cancro, hoje, no Brasil, está crescendo em proporções epidêmicas. Em mais de 700 cidades brasileiras, diversos tipos de cancro já ultrapassaram, num ranking macabro, infelizmente, aquele primeiro lugar tradicional que era das doenças cardiovasculares. E a previsão, também macabra, é que, até 2029, o cancro encabece esse ranking de maior incidência de doenças no país, o que já acontece em algumas partes do mundo, porquê países industrializados, países com maior envelhecimento. Temos que nos preparar para isso.
A atuação conjunta entre a saúde suplementar e a saúde pública tem que ter, porquê um de seus pilares, o combate ao progresso de diversos tipos de cancro.
Filial Brasil: O recta do funcionário ao retraimento para realização de exames preventivos contribui para a detecção precoce e para a adesão ao tratamento contra o cancro?
Damous: Sem incerteza. Uma das questões que têm produzido esse progresso epidêmico do cancro é a falta de diagnóstico precoce, é o atendimento tardio no SUS e, às vezes, até na saúde suplementar. Muitas vezes, quando o tumor é constatado, já pode ser tarde demais, ele já está em uma temporada de obituário ou de sequelas irreversíveis. Repito: temos que tratar porquê política pública de saúde, na risca do zelo e prevenção. Muitos desses tumores poderiam ser evitados, mitigando sua obituário, se tratados a tempo, com exames periódicos que detectem a moléstia no seu início. Muitos desses cânceres são quase que 100% curáveis se detectados a tempo.
Filial Brasil: Uma vez que o senhor vê os debates sobre saúde mental e jornadas de trabalho no contextura da saúde suplementar?
Damous: A Organização Mundial da Saúde [OMS] tem relatórios, envolvendo o mundo todo, dando conta do aumento de casos – e aumento em proporção epidemiológico – de saúde mental, de Burnout em muitos países, gerando episódios de suicídio, de depressão profunda. E isso já se tornou caso de saúde pública. O setor de saúde suplementar não pode estar alheio a essa questão. Nesse sentido, apoiamos integralmente a proposta do governo do termo da graduação 6×1, que remete aspectos escravagistas, porque não permite que as pessoas tenham tempo maior de lazer, para passar com a família e com os amigos, para se instruir culturalmente e educacionalmente. Tudo isso diz reverência à saúde mental.
E a saúde física acompanha a saúde mental. Se a saúde mental se deteriora, consequentemente, as diversas doenças crônicas que as pessoas têm acabam se consolidando – hipertensão, diabetes, obesidade. Esse é um debate fundamental, atualíssimo e que deve ser tratado com toda a atenção, a partir de evidências técnico-científicas. Mas devemos ter evidente que se trata de uma questão de saúde pública. e a saúde suplementar não pode estar alheia a esse cenário.
