Uma pessoa chega à livraria procurando um livro de envoltório vermelha, sem lembrar o título nem o responsável. Em meio a centenas de estantes e milhares de obras, encontrar o volume claro parece impossível —ao menos para quem não conhece os sistemas que organizam aquele pedaço de mundo literário.
Esse é o tipo de repto quotidiano que só um bibliotecário pode resolver e que todos eles já enfrentaram, porquê diz Adriana Luccisano, 56, que exerce a profissão há 25 anos.
Gerente de ror da organização social SP Leituras e responsável pelas coleções das bibliotecas de São Paulo e Parque Villa-Lobos, ela é uma das 11 milénio profissionais da espaço registradas no estado.
Luccisano faz secção também do montante feminino que domina a profissão —as mulheres representam tapume de 80% dos bibliotecários paulistas—, apesar de, porquê aponta o Parecer Regional de Biblioteconomia de São Paulo, o número de homens ter visto um prolongamento de 2% nos últimos cinco anos.
A formação em biblioteconomia prepara o profissional para atividades relacionadas à organização, tratamento, preservação e disseminação de acervos e informação. Luccisano conta que a rotina de um bibliotecário envolve pensar principalmente em quem vai acessar esses recursos.
“Os livros podem tratar de qualquer tipo de tema e, quando mediados, têm o potencial de transformar o leitor,” diz.
O Dia do Bibliotecário, comemorado em 12 de março —pelo promanação de Manuel Bastos Tigre, o primeiro bibliotecário concursado do país—, destaca um trabalho que começa muito antes de o leitor pegar um título na estante e vai muito outrossim.
Segundo o bibliotecário Jorge Luis Rodrigues, 43, a profissão ganha novo peso em um momento em que as informações circulam rapidamente, principalmente nas redes sociais. “Em meio às notícias falsas, a livraria pública se torna ainda mais importante, pois valoriza o chegada a fontes confiáveis, informação organizada e conhecimento produzido com responsabilidade.”
Ele trabalha no CEU Vila Rubi, na zona sul de São Paulo, onde atende sobretudo crianças e leitores em formação, tempo que exige maior orientação dos bibliotecários. “A livraria pública muitas vezes é o primeiro lugar onde elas têm contato com os livros fora da escola ou de moradia. Logo esse é o momento de ajudar a despertar a curiosidade”, diz.
Esse alcance deveria ter sido potencializado com a Lei da Universalização das Bibliotecas —a lei federalista 12.244/2010—, que, desde 2010, estabelece a obrigatoriedade de bibliotecas com profissionais da espaço em todas as instituições de ensino do país, mas não foi o que aconteceu.
“O governo paulista e diversos de seus municípios têm caminhado na contramão da legislação”, diz a presidente do Parecer Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo, Ana Cláudia Martins. Ela aponta porquê exemplo a extinção de bibliotecários do quadro administrativo estadual, instituída no início deste mês em meio a reformas no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“A escassez desses espaços em São Paulo não é uma impossibilidade técnica, mas uma escolha política. São 16 anos de um recta da população sendo ignorado”, afirma Martins.
Procurado, o governo estadual diz que a decisão da extinção de cargos faz secção do projecto São Paulo na Direção Certa, que compreende toda a estrutura da gestão pública. Em nota, a gestão ressalta que os cargos serão extintos à medida que ficarem vagos.
“Não há qualquer prejuízo aos servidores em manobra nestes cargos que estão ocupados, que permanecem resguardados pelos princípios constitucionais da firmeza e da segurança jurídica”, diz a nota.
O governo diz ainda que a lei 12.244/2010 se aplica exclusivamente às bibliotecas escolares e que, há 17 anos, a Secretaria da Instrução de São Paulo mantém o Programa Sala de Leitura nas escolas estaduais. Segundo a gestão, a iniciativa, conduzida por professores com formação continuada, promove atividades pedagógicas voltadas à leitura, à escrita e à pesquisa.
Para Marta Nosé Ferreira, 62, gestora da Livraria Infantojuvenil Monteiro Lobato, dar vez e voz a quem visitante uma livraria é o principal objetivo da profissão. “Sempre digo que, ao passar pela porta, a pessoa tem que querer entrar. Ao entrar, que queira permanecer. E, ao transpor, que queira voltar e trazer alguém.”
Um dos frequentadores mais assíduos da Monteiro Lobato, ela conta, não vai lá para ler, mas para tocar piano, instrumento que não tem em moradia.
Para Bruna Pimentel, 31, bibliotecária e supervisora de ror da Livraria Mário de Andrade, “já passou o tempo em que a livraria era vista exclusivamente porquê um espaço de silêncio inteiro e contemplação”. “São lugares cada vez mais vivos e dinâmicos.”
“Virar bibliotecária foi uma maneira de retribuir aquilo que o chegada ao conhecimento proporcionou na minha própria trajetória”, diz Pimentel. Porquê ela, todos os profissionais entrevistados contam que, antes de escolher a curso, sempre foram frequentadores de bibliotecas e leitores assíduos.
