O Ministério da Cultura (MinC) lançou nesta terça-feira (30), no Rio de Janeiro, a segunda edição do programa Rouanet nas Favelas. A iniciativa é voltada à ampliação do aproximação de artistas, coletivos e produtores culturais das periferias aos mecanismos de incentivo fiscal da Lei Rouanet.
O lançamento ocorreu durante o I Seminário de Avaliação dos Resultados da Política Vernáculo Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab), evento que também apresentou estudos inéditos sobre o primeiro ciclo da política. Segundo o levantamento, a Pnab alcançou 99,9% dos municípios brasileiros e beneficiou 167.817 agentes culturais entre 2023 e 2025.
O presidente da Médio Única das Favelas (Cufa), Preto Zezé, afirmou que a iniciativa representa uma mudança na forma porquê as favelas passam a ser vistas pelas políticas públicas e pelo setor privado:
“A primeira coisa é um entendimento novo sobre a favela: não mais porquê um envolvente de problema e de carência, mas de potência”, afirmou. “O Ministério da Cultura vai saber iniciativas, projetos e ações que não tinham janela para botar a face no sol das oportunidades.”
Mobilização
O secretário de Economia Criativa e Fomento Cultural do MinC, Thiago Rocha, explicou que a segunda edição do programa terá um período de mobilização antes da sinceridade das inscrições, prevista para 15 de agosto.
Segundo ele, equipes do ministério realizarão oficinas e atividades de orientação em comunidades, para ensinar artistas e produtores culturais a elaborar projetos e acessar os mecanismos da Lei Rouanet:
“A teoria é mostrar que a Rouanet não é só de alguns, é de todo mundo. Se você faz cultura e tem uma iniciativa cultural, pode participar”.
O secretário afirmou que a estratégia procura ampliar o número de proponentes das periferias aptos a captar recursos:
“A cultura tem que ser de todo mundo, em todo lugar. A PNAB está em todos os municípios, a Rouanet está em todos os estados e agora estará cada vez mais presente nas favelas e nos territórios brasileiros”.
A cerimônia de lançamento foi oportunidade por uma apresentação da ONG Passinho Carioca, projeto sociocultural criado em 2015 que utiliza a dança, o teatro e o esquina porquê ferramentas de inclusão e profissionalização de jovens de favelas do Rio de Janeiro.
Ao final da apresentação, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, convidados e representantes do projeto dançaram o passinho antes da assinatura do edital da novidade edição do programa, realizada em parceria com a Vale.
Balanço da Pnab
Além do lançamento do programa, o seminário apresentou os primeiros resultados da avaliação da Política Vernáculo Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
Instituída pela Lei nº 14.399/2022, a Política Vernáculo Aldir Blanc prevê investimentos de até R$ 15 bilhões até 2028 para estados, municípios e Província Federalista, consolidando um protótipo permanente de financiamento da cultura brasileira.
Os estudos, elaborados pelo Sistema Vernáculo de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), mostram que o primeiro ciclo da política alcançou praticamente todo o país, com adesão de 100% dos estados e 99,9% dos municípios.
Dos R$ 3 bilhões transferidos pela União, R$ 2,87 bilhões foram executados, o equivalente a 95,8% dos recursos disponíveis. Os estados executaram 97,1% dos recursos recebidos, enquanto os municípios aplicaram 94,5%.
A pesquisa também revela que a descentralização foi uma das principais características da política. Dos 167.817 agentes culturais beneficiados, 145.235 receberam recursos por meio dos municípios. Muro de 58% vivem em cidades do interno, responsáveis por aproximadamente R$ 967 milhões em investimentos.
Municípios com até 20 milénio habitantes responderam por muro de 40% dos beneficiários municipais, indicando que cidades menores priorizaram ampliar o número de contemplados.
Outro oferecido apresentado mostra o alcance social da política: mais de 58 milénio agentes culturais contemplados estão inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federalista e receberam R$ 367,2 milhões.
Entre eles, 88% possuem renda familiar per capita de até um salário mínimo, 44% vivem em situação de pobreza e quase metade é beneficiária do Bolsa Família.
A pesquisa identificou ainda que R$ 153,9 milhões foram destinados a agentes culturais residentes em territórios especiais definidos pelo IBGE. Desse totalidade, R$ 140,4 milhões chegaram a moradores de favelas e comunidades urbanas, R$ 7,4 milhões a territórios quilombolas e R$ 5,1 milhões a territórios indígenas.
Política cultural baseada em dados
Durante a sinceridade do seminário, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a produção de dados passa a ocupar papel estratégico na formulação das políticas públicas:
“Trazer dados sempre foi, para mim, uma das tarefas mais importantes para mudarmos o jogo. Precisamos provar, na prática, por meio da ciência, da pesquisa e das evidências, aquilo que está sendo entregue ao povo brasiliano.”
Segundo a ministra, a avaliação permanente permitirá elevar a Política Vernáculo Aldir Blanc e fortalecer sua implementação nos próximos anos.
A ministra do Supremo Tribunal Federalista Cármen Lúcia, que participou da sinceridade por vídeo, destacou que fortalecer a cultura significa fortalecer a democracia:
“A cultura traduz uma atividade libertadora. É o espaço guardado em um Estado Democrático de Recta para a transgressão autorizada daquilo que está posto.”
O secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, afirmou que a incorporação de mecanismos de monitoramento representa uma novidade lanço da política cultural brasileira:
“Se queremos que a Política Vernáculo Aldir Blanc seja cada vez mais democrática, precisamos compreender seus resultados.”








