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Projeto leva tratamento gratuito a doenças negligenciadas no Amazonas
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Projeto leva tratamento gratuito a doenças negligenciadas no Amazonas

Pouco depois de completar 20 anos, o seringueiro e cultor familiar, Augusto Bezerra da Silva, hoje com 65, foi diagnosticado com uma doença rara que afetou drasticamente sua vida, no interno do Acre.

Conhecida uma vez que Doença Jorge Lobo ou lobomicose, a enfermidade razão lesões nodulares parecidas com queloides em diferentes partes do corpo uma vez que orelhas, pernas e braços.

Endêmica da Amazônia Ocidental, a DJL, uma vez que também é chamada, traz um impacto psicológico profundo já que mexe com a autoestima do paciente que, muitas vezes, acaba saindo do convívio comunitário e se isolando em razão do estigma.

No caso de seu Augusto, a doença o levou a interromper o trabalho, à medida que os caroços apareciam no seu rosto, causando dor, pruído e inflamação. O quadro se agrava ainda mais com a exposição ao sol.

“O problema que eu passei não foi fácil. Você, novinho, você se acha perfeito, sem defeito. Aí depois você tem que se isolar, sem ter uma vez que, para melhor expressar, ser liberto. Se colocar só com a idade de 20 anos, até perto da idade de 65 não é fácil mesmo”, disse seu Augusto à Sucursal Brasil.
 


Brasília (DF), 27/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Projeto do Einstein e Ministério da Saúde abre novo caminho para tratamento de doença negligenciada na Amazônia e avança rumo a protocolo no SUS. Augusto Bezerra da Silva. Foto: Augusto Bezerra da Silva/Arquivo Pessoal
Brasília (DF), 27/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Projeto do Einstein e Ministério da Saúde abre novo caminho para tratamento de doença negligenciada na Amazônia e avança rumo a protocolo no SUS. Augusto Bezerra da Silva. Foto: Augusto Bezerra da Silva/Arquivo Pessoal

Depois mais de 20 anos convivendo com a lobomicose, o seringueiro Augusto Bezerra da Silva melhorou das lesões no rosto posteriormente entrar para o projeto Aptra Lobo e iniciar tratamento gratuito – Augusto Bezerra da Silva/Registro Pessoal

Histórico

A DJL foi descrita, pela primeira vez, em 1931 pelo dermatologista Jorge Oliveira Lobo, na capital pernambucana, que relatou o caso de uma novidade micose.

A infecção ocorre por meio da penetração do fungo em lesões na pele. À medida que avançam, as lesões podem provocar desfiguração severa e incapacitação.

“Todos que botam os olhos em cima da gente perguntam o que é, sem você ter uma resposta a expressar. Não é fácil não. Ele pergunta: ‘o que é isso?’ E a gente sem saber responder. O rumo é a vontade de se isolar para ninguém ver a gente”, relatou seu Augusto.

Dados do Ministério da Saúde registram, até o momento, 907 casos da doenças, dos quais 496 foram detectados no Acre, uma vez que é o caso de seu Augusto.

A DJL atinge, principalmente, populações ribeirinhas, povos originários e trabalhadores extrativistas – grupos em situação de vulnerabilidade social e com pouco entrada a serviços de saúde.

“Até com a minha família eu procurava me esconder. Eu tinha vergonha da minha própria família, eu tinha vergonha. Daí resolvi permanecer sozinho num sítio distante”, continuou.

Projeto Aptra Lobo

Durante décadas, os pacientes com diagnóstico de DJL sofreram com a falta de um diagnóstico e de um tratamento eficiente. Por essa razão, o Ministério da Saúde (MS) reuniu especialistas no matéria e criou o projeto Aptra Lobo, que acompanha 104 pacientes com a lobomicose na Região Setentrião. O objetivo é estruturar o manejo da doença no Sistema Único de Saúde (SUS).

Orientado nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia, o projeto integra assistência, pesquisa clínica e geração de evidências para concordar a construção de diretrizes no SUS.

A iniciativa é conduzida pelo Einstein Hospital Israelita, em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde e Envolvente (SVSA), no contextura Programa de Pedestal ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), do Ministério da Saúde.

O projeto, que também pretende padronizar o fluxo de atendimento para a lobomicose, já apresenta resultados promissores: mais de 50% dos participantes tiveram melhora das lesões.

O tratamento é feito com o uso do antifúngico itraconazol, disponível no SUS, com doses ajustadas a cada paciente.

Além do manejo médico, a iniciativa amplia o entrada ao diagnóstico em áreas remotas, com realização de biópsias e exames laboratoriais no próprio território, seguimento e tratamento da doença, além da realização de cirurgias em casos selecionados para retirada de lesões.

Segundo o infectologista e patologista médico do Einstein Hospital Israelita doutor João Nobrega de Almeida Júnior, equipes locais participam ativamente no projeto:

“São eles que captam os pacientes, fazem o diagnóstico e tratamento de conciliação com as diretrizes criadas pelo projeto”, disse o infectologista à Sucursal Brasil.

O médico ressalta que o difícil entrada às comunidades ribeirinhas, em razão da intervalo e da geografia da região, dificultam o seguimento dos pacientes, que é feito a cada três meses, com base de centros de referência em Rio Branco, Manaus e Porto Velho.


Brasília (DF), 27/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Projeto do Einstein e Ministério da Saúde abre novo caminho para tratamento de doença negligenciada na Amazônia e avança rumo a protocolo no SUS. Infectologista e patologista clínico do Einstein Hospital Israelita, João Nobrega de Almeida Jr. Foto: João Nobrega de Almeida Jr/Arquivo Pessoal
Brasília (DF), 27/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Projeto do Einstein e Ministério da Saúde abre novo caminho para tratamento de doença negligenciada na Amazônia e avança rumo a protocolo no SUS. Infectologista e patologista clínico do Einstein Hospital Israelita, João Nobrega de Almeida Jr. Foto: João Nobrega de Almeida Jr/Arquivo Pessoal

Infectologista e patologista médico do Einstein Hospital Israelita, João Nóbrega de Almeida Jr. – João Nobrega de Almeida Jr/Registro Pessoal

“O entrada é uma grande barreira. Há ajuda de custos de transporte para o paciente e expedições para obter aqueles que moram em regiões mais remotas e de difícil entrada”, relatou.

No caso de seu Augusto, o tratamento reduziu drasticamente as lesões causadas pela doença.

“Hoje eu me sinto mais tranquilo porque tem pouco caroço no meu rosto e hoje eu me sinto mais aliviado do problema que eu vinha sentindo”, disse o seringueiro que continua o tratamento e retomou o contato familiar.

“Mas não fiquei bom, né? A gente não pode nem prometer 100%. É isso: passou o tempo que eu vivia meio só de lar, não tinha mais prazer de transpor de lar. Aquilo compromete a vida da gente, é muito complicado aquele negócio da gente viver só em lar por problema de doença. Mas hoje eu estou me sentindo mais liberto, para melhor expressar”, afirmou.

Manual

Em dezembro do ano pretérito, o projeto lançou um manual que fornece ferramentas práticas para melhorar o diagnóstico, o tratamento e a prevenção da lobomicose, além de fortalecer a capacidade de alojar e cuidar das populações afetadas.

“O manual é o primeiro documento para facilitar no diagnóstico e tratamento da doença, sendo um grande marco para uma doença tão antiga e historicamente negligenciada”, afirmou o infectologista.

Segundo Almeida Jr., os próximos passos envolvem a elaboração de um documento mais completo, uma vez que um Protocolo Médico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) que deve ser lançado ainda em 2026.

“Terminaremos de estudar os dados gerados pelo seguimento dos pacientes tratados com itraconazol, [para] produzir um PCDT e discutir a renovação do projeto no qual serão discutidas ações que deixem um legado perene para o zelo adequado dos pacientes acometidos. Esperamos continuar a lutar para que a Doença de Jorge Lobo não seja mais considerada uma doença negligenciada”, concluiu.

 


Fonte EBC

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