Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Quem é Loulu Gilberto, a filha mais nova de João
Celebridades Cultura

Quem é Loulu Gilberto, a filha mais nova de João Gilberto – 21/05/2026 – Ilustrada

Luísa Carolina Gilberto, a filha mais novidade de João Gilberto, só foi entender a dimensão real da obra de seu pai quando entrou na faculdade. “De repente, percebi que todo mundo conhecia meu pai, todos os professores falavam dele”, ela diz. “Aquilo me bateu num lugar muito estranho porque para mim era o meu pai, que estava toda quarta-feira comigo.”

Esse foi o primícias de um processo de redescobrir a discografia do pai da bossa novidade ao ponto de se tornar, ela diz, “além de filha, uma fã”. Nesta quinta-feira (21), aos 21 anos, Loulu lança seu disco de estreia porquê cantora, chamado “Loulu Gilberto”, com 13 faixas em que ela se alinha ao legado de João, mas não à secção mais conhecida, e sim à que mais se relaciona com suas memórias.

“Meu pai me apresentava as músicas de uma forma muito orgânica”, ela diz. “Ficava cantando uma cantiga copiosamente várias vezes até que eu expressasse interesse e perguntasse se podia trovar. Dessa forma, ele ensinava meio sem ensinar. Mas tinha vezes que eles faziam força, porque eu fazia birra também.”

Ela se refere à vontade do pai, mas também da mãe, a jornalista Cláudia Faissol, de que se tornasse cantora. Na puerícia, essa teoria não foi muito muito recebida por Loulu, que tinha quase 15 anos quando João Gilberto morreu, em 2019. O que ela trata porquê rebeldia de menino só foi esfriar porquê secção do processo de luto, e do contato com os discos do pai já na faculdade.

Loulu portanto recorreu ao violonista e compositor Cézar Mendes, camarada e discípulo de João. O pai já os tinha apresentado, para que a moça aprendesse a tocar violão. Ela não quis na estação, mas depois procurou o músico, que a indicou às aulas de esquina. Os dois também passaram a repetir a risota que a cantora fazia com João —ele tocando, ela cantando.

Daí surgiu o disco que chega agora às plataformas de streaming. Mendes dividiu a produção com outro casca grossa da música brasileira, Mário Adnet, que assinou os arranjos e também participou da escolha do repertório. A lista de faixas, aliás, dispensa “Chega de Saudades”, “Desentoado” ou “Pequena de Ipanema” em procura de achados do repertório de João Gilberto e das músicas que ele tocava para que a moça cantasse.

“Meu pai era uma coisa só com violão —ele era música, uma indissociável”, diz Loulu. “Minha minhas primeiras experiências no mundo são completamente assim —musicadas. Minhas memórias são musicadas. É uma coisa intrínseca a mim.”

O trio passou tapume de um ano procurando raridades no YouTube, em contato com pesquisadores do inventor da batida da bossa novidade e nos vídeos caseiros de Loulu cantando com o pai, feitos por Faissol. Nas palavras da cantora, são músicas que ela “sabia, mas não sabia que sabia”.

Esse mina dos fragmentos da relação músico da filha com o pai inclui sambas antigos porquê “Desvelo com o Andor”, de Mario Lago e Marino Pinto, que João costumava trovar, mas nunca gravou. Quando encontrou “Dorme que Eu Velo por Ti”, de Mário Rossi e Roberto Martins, no YouTube, Loulu diz ter recordado instantaneamente toda a melodia da cantiga.

O repertório traz standards americanos porquê “Tea for Two” (Irving Caesar/Vincent Youmans) e “Mr. Sandman” (Pat Ballard), o baião “Qui Nem Jiló” (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira), e o samba-canção “Manias” (Flavio Cavalcanti/Celso Cavalcanti), gravada por Dolores Duran nos anos 1950.

Loulu gravou “Cavalo-Pelágico” e “Bicho Curutú”, canções baianas populares e folclóricas que João cantava para ninar a filha. Também “Avarandado”, que Caetano Veloso compôs e gravou com Gal Costa em “Domingo”, de 1967, o primeiro —e também o mais joão-gilbertiano— álbum da dupla. A filete que abre “Loulu Gilberto” é “João”, constituição de Cézar Mendes com letra de Arnaldo Antunes que tenta dimensionar poeticamente o bossa-novista.

A única inédita no disco é “O Paixão nos Encontrou”, constituição de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli que anteriormente só havia sido gravada de maneira informal por João. Para Loulu, tudo soa porquê uma memória distante, meio esfumaçada, da convívio músico que ela teve com o pai ilustre.

Antes de entrar em estúdio pela primeira vez, ela diz ter pretérito por um processo de legalização até assumir que queria ser cantora —curso que ela resistia a ter mesmo depois de encetar as aulas de esquina. Realizar o que Loulu diz ser o sonho do pai, da mãe e “de todo mundo que estava em volta de mim” passou por entender o sobrenome que ela carrega.

“O sobrenome é uma faca de dois gumes”, ela diz. “Porque, ao mesmo tempo que me abre muitas portas, tem uma expectativa muito grande, por meu pai ser a pessoa que é. Acho que essa expectativa por muito tempo foi paralisante, mas a vontade de trovar era muito grande, assim e com o pedestal das pessoas que estavam perto de mim.”

O que a deu crédito e a motivou a seguir em frente, afirma Loulu, foi o estudo —o que ela labareda de “malhar a voz”. Antes disso, a caçula de João Gilberto diz que se sentia insegura, achava que a voz não era formosa o suficiente.

Seu estilo de esquina, naturalmente, é econômico e tranquilo porquê pede a bossa-nova, e contém um traquejo na subdivisão dos versos que remete a João.

Zero que ele a tenha ensinado, diz a artista. “Ele não me dava nenhum tipo de direção. Essa coisa da subdivisão rítmica, de trebelhar com isso, eu pesquei de ouvido e fui brincando a partir de ver a risota dele. Só fui racionalizar muito tempo depois, quando passei a estudar música formalmente.”

Loulu cita porquê influências de seu esquina nomes porquê Orlando Silva, Dolores Duran, Lúcio Alves, Dori Monteiro, Silvia Teles e Nara Leão. A maioria desses nomes atuou por volta da metade do século pretérito e foi referência para o pai da cantora.

“Tem gente também da cena contemporânea”, ela diz, citando Ana Frango Elétrico, Dora Morelenbaum, “algumas canções da Sophia Chablau” e Marina Nemésio. “Não vou te expressar que é o que escuto todos os dias no meu fone, porque acho que tem um lugar da memória afetiva que influenciou muito meu ouvido. Logo o que mais me encanta são esses cantores [antigos].”

Isso coloca o álbum de estreia da cantora em um túnel de tempo que atravessa gerações, desde antes de João. Na opinião de Loulu, mas, tantas referências ao pretérito não vão alienar os ouvintes mais jovens —na verdade, os que têm a idade dela.

“Por muito tempo achei que não gostassem, que eu estava fazendo música para um pessoal de outro mundo, de uma outra geração. Mas hoje vejo que não”, ela diz. “Meus amigos da música me apresentam canções desses compositores antigos às vezes. Tipo o [cantor de samba nascido em 1910] Jorge Veiga, que conheci faz duas semanas.”

Na opinião de Loulu, há “uma coisa muito saudosista” entre as pessoas que têm mais ou menos a sua idade. “Acho que tem espaço para esses compositores e para essa música [antiga] na novidade geração. E acho que [o disco de estreia] pode fustigar muito muito nos jovens.”

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *